Roger Gobeth relembra tempos de Malhação, comemora volta e declara: “Malhação já não é a mesma”

Publicado há 2 anos
Por Henrique Carlos
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Prestes a retornar para a TV em Malhação: Toda Forma de Amar, o ator Roger Gobeth já fez parte da novela teen em 1999. Na época, ele interpretou o personagem Touro, jogador de polo aquático que teve AIDS e enfrentou vários problemas e preconceitos. Na nova temporada da produção, ele será o capitão Peixoto, um policial.

Em conversa com o Observatório da Televisão, o ator falou
sobre a sensação de estar de volta em Malhação e também contou curiosidades da
carreira. Confira:

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Nos conte um pouco sobre o seu personagem?

“Vinte anos depois, eu estou revisitando a Malhação, com o mesmo autor. O Jacobina escrevia para Malhação, o Múltipla Escolha e agora em Toda Forma de Amar. Eu faço o capitão Peixoto da Polícia Militar. Um policial que está com o horizonte um pouco aberto, mas ele pode vir a ter um desvio de conduta, um desvio de caráter. Eu acho importante, porque está na genética de Malhação ter uma discussão séria. Na minha época, o personagem discutia a Aids, há vinte anos atrás. A gente sempre discutiu coisas importantes e eu gostaria que ele tivesse esse desvio, para a gente levar essa discussão.

Nós tivemos um evento triste envolvendo o exército no Rio de Janeiro recentemente. Enfim, a gente tem um equilíbrio tão sensível social, hoje a gente está vendo que o equilíbrio natural também é sensível. Quando chove a gente não consegue chegar em um lugar. Tudo por conta de um desgoverno, que não é só desse. Quanto mais a gente discutir isso, levar essa discussão para a casa das pessoas, pode ser que a gente comece a encontrar um pouco mais de saídas.”

Malhação

Você esperava voltar para Malhação depois de vinte anos?

“Malhação é um programa que eu levo dentro do coração de uma maneira muito latente, porque me abriu todas as portas. Eu lembro de uma curiosidade, em setembro de 1999, eu ainda era estudante de arquitetura no último período e eu fazia testes porque já fazia teatro. Fazia até alguns comerciais e tinha até feito alguma participaçãozinha, mas Malhação foi a primeira. Eles me ligaram numa semana e pediram para na mesma semana estar no Rio.

Foi uma loucura, eu coloquei as coisas no carro e vim. O contrato era de setembro a dezembro de 1999, e eu ingenuamente achei que viria e iria voltar. Mas estou há vinte anos no Rio.  O que eu posso dizer é que é uma felicidade estar revisitando. Eu gosto de dizer revisitar, porque Malhação já não é a mesma. Está aí há 25 anos criando maturidade a cada dia, se transformando e se reinventando. Então revisitar um programa que eu tenho um carinho tão grande, é uma felicidade enorme.”

Audiência

Hoje em dia se fala muito da queda de audiência das novelas, mas Malhação se mantém no ar. Qual você acha que é o segredo?

“O que acontece é que a televisão vem sofrendo com o todo. Uma transformação que talvez a era digital, tenha sido a transformação mais impactante na humanidade e depois talvez do fogo. Porque quando a gente fazia lá atrás era analógico ainda, o mundo mudou completamente, é um mundo da informação, é um mundo da conectividade. Isso tudo trouxe para as pessoas novas possibilidade de assistir à televisão. A televisão hoje tem um público super heterogêneo. É logico que tem nichos e vai haver cada vez mais, isso é bom. E tem o streaming que está aí e a Globo também participa.

Tudo isso transformou o nosso ambiente, mas acho que dentro desse ambiente, a teledramaturgia no cenário brasileiro sempre vai ser importante. Porque culturalmente o brasileiro é da teledramaturgia. Isso faz parte da cultura do povo brasileiro. De uma maneira um pouco maior ou menor, a gente viu a pouco o sucesso de Avenida Brasil, um sucesso que dizem os estúdios, a cada dez anos a gente vai ver algo parecido. Malhação quando eu fiz era um sucesso e dava quase quarenta pontos de audiência, hoje o sucesso talvez não seja tão ligado a aqueles quarenta pontos, mas talvez seja tão impactante quanto.”

Novos tempos

Recentemente vimos algo inovador que foi Espelho da Vida, a audiência não foi muito boa, mas nas redes sociais e no Globoplay era um fenômeno. Isso mostra que as pessoas ainda assistem à TV, mas de uma outra forma, não é?

“Exatamente, é isso que a gente estava comentando dessa transformação. Naquela época a gente recebia cartas e mais cartas, caixas de cartas. Ainda tem muitas, eu guardei até um período, mas tinha umas cartas rolo, não sei se vocês lembram, eram umas coisas enormes e hoje já é tudo digital. Mas hoje você vê o que o público pensa e o público mudou, tudo mudou. A gente está fazendo um produto para esse público.”

Como é voltar mais maduro?

“Eu acho que dá uma pacificada no sentido energético. Mas eu também gosto de uma frase de um filósofo que diz: ‘Eu só sei, que nada sei’, isso significa que a gente tem que estar sempre disposto a aprender. Para mim, por mais maduro, eu já ter trilhado esses anos de carreira… e a partir de Malhação eu já fiz muita coisa. Aqui continua sendo um lugar novo, por isso eu digo que a Malhação agora é outra.”

Volta

Você voltou a trabalhar e se surpreendeu porque agora existe uma preparação e a empresa também mudou completamente?

“Naquela época, acho que era um embrião disso. Não existia tanto, mas existia umas leituras e a gente tinha, mas muito mais rápido, realmente. Mas esse processo de preparação que eu encontrei aqui, é uma parte riquíssima do trabalho, porque deu toda uma formação do grupo do amor, do respeito, de você se sentir pertencente a esse grupo. É um estudo muito importante que você faz. Porque eu já tinha, no teatro a gente faz muito, na televisão é menor e cinema também.”

A sua passagem pela Record te agregou muito?

“Muito! Eu tenho muita gratidão por toda a trajetória, tenho que lembrar que lá atrás quando eu deixei a Globo, eu fui para a Band fazer Floribella. Que era uma novela infantil e fez um sucesso enorme. Esses dias estavam me perguntando da diferença do público. Mas o mesmo público que assistia Floribella, claro que não vai ser o mesmo público que vai assistir uma minissérie como Quinto dos Infernos que eu fiz. Que bom que a gente tem esse público todo assistindo. E essa gama toda de produto, mais ainda os streamings da vida.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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