Theodoro Cochrane fala sobre sexualidade e defende seu personagem em O Sétimo Guardião: “Ele não leva desaforo para casa”

Publicado há 2 anos
Por Henrique Carlos
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Theodoro Cochrane está bastante empolgado com a repercussão do seu personagem em O Sétimo Guardião. O ator acredita que Adamastor Crawford será um divisor de águas em sua carreira. Ele espera que o personagem possa ajudar pessoas que passam por problemas por serem diferentes. Em entrevista exclusiva ao jornalista André Romano do Observatório da Televisão, Theodoro contou um pouco mais sobre o seu personagem e também falou sobre a sua sexualidade.

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Nos conte mais sobre o seu personagem? 

Ele é o braço direito da Ondina (Ana Beatriz Nogueira). Ela é dona e eu sou o administrador da pousada durante o dia e durante a noite eu sou o administrador do cabaré. Sou um confidente da Stefânia, personagem interpretada pela Carol Duarte, que é uma das prostitutas/camareiras. Ele é um homem que o Aguinaldo fez inspirado no João do Rio. No drácula do Gary Oldman e na Cruella dos 101 dálmatas. É um homem muito elegante, por vezes encarado como afetado. Ele é questionado o tempo inteiro sobre a sexualidade dele, mas não leva desaforo para casa. Se alguém chama ele de viado ele sai na porrada, por mais que ele seja viado. Isso nós não sabemos, mas logo de cara vamos saber. Mas não é o que importa, o que importa é a aceitação da diferença e do bullying que todo mundo sofre ou já sofreu.

Orientação sexual do personagem

Ele vai mostrar que o fato dele ser homossexual não é uma escolha?  

Vai mostrar isso sim. Ele é uma pessoa que, como Serro Azul é uma cidade pequena do interior, sofre mais ainda. Porque todo mundo se conhece. Ele é um dos diferentes da cidade e tudo que é diferente é sempre levado de uma maneira estranha. Ele sofre, mas como a gente nasce, nós nunca vamos escolher sofrer. A gente vai escolher sempre um caminho de aceitação, de amor… E todo mundo quer ser amado na vida. A partir do momento que você não tem isso e tem que batalhar para conseguir ser amado e ser aceito, é complicado.  

Como vai ser esse embate que o seu personagem vai ter com o Junior (José Loreto)? Parece que tem um amor escondido ali, não é? 

É um amor escondido mais ou menos. É bem uma coisa platônica. O personagem do Bruno Gagliasso meio que rouba o amor da vida do Junior, que é a Luz da Lua, personagem da Marina Ruy Barbosa. E ele vai afogar as magoas no cabaré. Mas ele nunca pega nenhuma das garotas e vai lá basicamente para fazer bullying com o Adamastor. O Adamastor não leva desaforo para casa, mas ao mesmo tempo ele deixa o pior de todos, o que mais crítica e é o mais terrível com ele. Mas que devem ter crescido juntos, são todos da mesma geração nessa cidade pequena, porém foram para caminhos opostos. Ele deixa, mas você nunca sabe se eles vão sair na porrada ou se vão se beijar.

Vida pessoal

Você como um homem da comunicação, filho da Marília Gabriela, teve há três anos uma foto vazada beijando um rapaz. Você tem convicção que você ajudou muita gente a se aceitar e ter a certeza que não é uma opção, mas uma orientação?

Eu tenho certeza absoluta que ajudei. Primeiramente aquela foto foi a força, foi sem autorização. Mas no fim eu vejo o resultado de uma forma positiva. Eu recebi mensagens muito carinhosas, mas também muito ódio. Porque a gente vive num país muito patriarcal, machista, misógino e careta. Mas logo depois, recebi muito carinho de gente dizendo que era bombeiro, policial e nunca teve coragem de falar sobre a sexualidade com os pais. Mas é isso, se mostrar por quem eu sinto afeição vai ajudar as pessoas a se aceitarem, porque não?

Porque a gente tem que falar de uma sexualidade que não é necessariamente a padrão, quando a gente já não exerce essa sexualidade? Quando a gente é mais velho e tem que sair do armário? Porque não quando a gente está sendo ainda sexualmente ativo e amando, a gente não pode expressar o nosso amor da maneira que eles se expressam?!

A arte imita a vida

Mas você é pé no chão, certo? Você nunca se escondeu e isso é bacana. Mas você recebeu amor e agora está em uma novela das nove retratando isso.  

É maravilhoso. Foi um presente do Aguinaldo nesse sentido. É a primeira novela que eu faço desde esse episódio em Salvador, que foi há três anos. Eu fui comemorar o final de Geração Brasil e aconteceu isso logo depois. Eu desisti um pouco e fiquei muito traumatizado mesmo, por causa dos ‘haters’. Eles são muito odiosos e aí eu fiquei um pouco em São Paulo, me dediquei a minha vida de diretor de arte e figurinista. Eu dirigi meu curta metragem e agora consegui me fortalecer com o apoio dos amigos e familiares. 

E para você não pirar teve o apoio da sua mãe, né? 

Sim, foi o apoio dessa grande mulher que é minha mãe, foi o apoio da minha família inteira, o apoio dos meus amigos e é isso aí.

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