Gabriel Fuentes comemora o sucesso em Malhação: “O retorno do público é uma das coisas mais prazerosas do nosso trabalho”

Publicado há 2 anos
Por João Paulo Reis
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Em Malhação: Vidas Brasileiras, Gabriel Fuentes é Érico. Na novela, o rapaz recebeu uma bolsa para estudar na Escola Sapiência, e logo se envolveu em algumas confusões. Incentivado pelo tio, ele chegou a roubar e ir parar numa instituição para menores infratores. Nos atuais capítulos da trama, uma relação entre Érico e Jade (Yara Charry) se estabelece, fazendo com que o casal precise lidar com as diferenças.

Em conversa com o Observatório da Televisão num evento nos Estúdios Globo, o rapaz falou sobre o início de sua carreira em Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais. Além de falar sobre sua trajetória para tornar-se um ator, ele defendeu seu personagem ao afirmar seu desejo para que Érico e Jade permaneçam juntos. Confira o bate-papo completo:

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Como está a repercussão do personagem?

“Está uma delícia. Meu personagem passou por muitas coisas, e agora está vivendo um outro momento da vida dele. Ele está solar, alegre. Acho que o retorno do público é uma das coisas mais prazerosas do nosso trabalho. Quando você faz um trabalho bem feito e que gosta, tudo conspira a seu favor. É gostoso estar na fila de um banco, num ônibus, num metrô, e alguém te dizer com um sorriso: ‘Acho que te conheço de algum lugar’”.

Gabriel Fuentes fala sobre o retorno à sua cidade

E você já voltou na sua cidade natal?

Já voltei. Gravei recentemente uma matéria para o Vídeo Show e pedi sigilo para a minha família. Cheguei na casa da minha avó por volta das 10 da manhã e por volta de 4 da tarde, parecia que a cidade inteira estava na porta da casa da minha avó. A diretora do Vídeo Show ficou até surpresa. É tudo muito novo para mim, mas esse retorno é maravilhoso, sobretudo pessoas da minha cidade porque sei que torcem por mim. Me viram crescer, fazer teatro na rua, vender sanduíche natural de porta em porta. Voltar com parte de um sonho conquistado é gratificante.”

Fale para a gente sobre a história que está rolando entre a Jade e Érico…

Eu acho muito legal e muito real o que acontece entre Jade e Érico, que são pessoas de universos totalmente diferentes. Isso acontece bastante, essa junção de zona sul e comunidade. O Érico é um cara humilde, pobre, já passou por muita coisa, já foi preso, a mãe é ex presidiária também. Se envolver com uma garota de classe alta é muito novo para ele. Imagine, ele que nunca teve nada acaba vendo o motorista da mãe buscar a namorada na escola num carro conversível.

A Jade agora passou a perna nos colegas de banda para tentar carreira solo. Como você vê isso?

“Esse universo da Jade é muito humano porque as pessoas tendem a olhar muito para o próprio umbigo e não ao seu redor. O Érico querendo ou não, está dando uma base e uma mão para ela de que a vida é mais que ela própria, e sim as pessoas ao seu redor também”.

Relação entre Érico e Jade

Você acha que ela não o aceita totalmente pelo passado dele, e também por uma forma de preconceito?

Eu acho que com relação à Jade é uma questão de vergonha por não conhecer esse universo. É uma menina que tem o mundo dela que são somente a escola e a casa. O Érico vai para a rua, anda de ônibus, vê a realidade da cidade, o caos de tudo. Quando ela passou a se permitir, conhecer e se envolver, ela começou também a ver as pessoas com outros olhos”.

Você já se apaixonou por alguém assim que tenha muito mais poder que você?

“Difícil essa pergunta hein (risos). Acho que não. Nesse meio artístico a gente está acostumado a ver e se identificar com o outro. Então não, nunca me relacionei com alguém de mais poder”.

Você acha que é possível ter um relacionamento longo, uma vida feliz mesmo com esse choque social como acontece entre Jade e Érico?

“Acho que esse conflito faz parte. Não teria graça se relacionar com alguém igual a você. Ele tem o universo dele, e ela o dela. Eu lembro da primeira vez que eu gravei em Mangaratiba. Dei uma entrevista para o Gshow, falando da primeira vez que o Érico andou de barco e aquela era também a primeira vez que o Gabriel andou de barco, então é muito doido isso para mim. É bonito ver esse equilíbrio entre pessoas diferentes”.

Você torce para que os dois fiquem juntos?

“É o que eu mais quero. Eu acho muito bonita essa relação cheia de desejo, paixão e altos e baixos. Torço muito”.

Trajetória

Você falou com muito carinho sobre o público do seu estado. Queria que você falasse um pouco sobre sua história lá.

“Sou Pedro Leopoldo, e mesmo sendo jovem – tenho 23 anos – já fiz muita coisa. Desde cedo gostei de brincar de ‘faz de conta’. Na cidade, temos um bloco de carnaval chamado Boi de Manta em que minha família desfilava, e minha avó que é costureira, sempre me fazia fantasias. Como minha mãe já foi balisa, eu tinha isso como referência. O tempo passou e percebi que eu queria mais que aquilo. Fui para Belo Horizonte com uma amiga da minha mãe assistir a uma aula de teatro e fiquei apaixonado. Com ajuda financeira do meu avô, cursei essa aula de teatro por dois anos. Cheguei em Belo Horizonte com medo, por ser muito tímido. É louco como o teatro é libertador. Conheci pessoas no meio artístico mineiro, fiz comerciais, mas sempre sonhei fazer televisão.

Vim para o Rio de Janeiro com dois mil reais achando que daria para me manter por um ano até ter o choque de realidade (risos). Fiquei por lá cinco meses, voltei doente, magro, com início de depressão, estava prestes a desistir e minha mãe me faz não desistir. Comecei a fazer um curso técnico na minha cidade, fui vendedor numa loja de calçados e vendia sanduíche natural. Em seis meses juntei nove mil reais. Comecei a fazer um curso profissional, e não dei continuidade devido à minha condição financeira. Conheci mais pessoas do meio, fazendo contatos, e as coisas foram acontecendo até que vim parar no processo de Malhação que é o sonho de todo ator jovem. Essa é a minha história”.

Glamourização

Como foi quando falaram que você tinha passado no teste para Malhação?

“Eu já fui auxiliar de cozinha. Trabalhei quase 1 ano no Jardim Botânico. Lembro que nos testes eu vinha com minha mão toda pipocada de gordura, de queimadura, e muito cansado do dia. A cozinha e a atuação são coisas que se você não amar, não tem sucesso. Eu fazia aquilo com muito prazer e muita vontade. Quando recebi essa resposta, eu já havia avisado meu chefe que estava fazendo testes para a Malhação. Desde o início eu havia explicado para ele que eu estava ali por uma necessidade, por precisar me manter na cidade. Ele me entendeu e eu tive que dar adeus para ele. Trabalhávamos num projeto social para deficientes visuais e era lindo porque eu chegava lá e eles sabiam que eu era ator. Eles me tocavam, e falavam comigo que eu ainda faria televisão”.

Como você lida com a glamourização da profissão?

“Sou muito pé no chão e muito tranquilo. É um mundo de deslumbre gigantesco, mas isso é uma consequência. Como estamos nesse universo, com pessoas ao lado trabalhando, a gente acaba se achando um pouco, aí logo vem minha mãe e me coloca de novo no chão dizendo pra sempre lembrar das minhas raízes”.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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