Aguinaldo Silva fala sobre o universo fantástico de O Sétimo Guardião: “O mundo pode não ser assim, mas deveria ser”

Publicado há 2 anos
Por Henrique Carlos
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Aguinaldo Silva está prestes a estrear mais uma de suas tramas na tela da TV Globo. Dessa vez, ele volta com suas histórias de realismo fantástico, após diversas novelas urbanas. Em um bate papo com jornalistas, o autor contou alguns detalhes de O Sétimo Guardião e revelou que além de a trama ser cheia de efeitos especiais. Também terá a maior cidade cenográfica já construída nos Estúdios Globo. Confira:

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Você fez uma aproximação entre o realismo mágico, o realismo fantástico e alguns aspectos religiosos. Isso também tenta aproximar um público religioso da trama, não é?

“Não. Acho que não. Todas as minhas novelas, pelo menos nessas cidadezinhas tem uma igreja, e tem um padre. Mas é um padre sempre muito fora do convencional, essa coisa toda, ou seja, e a irmandade que é uma seita, é uma coisa que não é bem aceita pela igreja. Acho que não tem uma preocupação não”.

Com relação ao gato, que é o personagem central e é interpretado pelo Eduardo Moscovis. Ele já começa no início?

“Ele começa como um gato e você descobre que esse gato tem poderes, porque ele amanhece na cidade e anoitece a 400km de distância. Essa é a distância que separa a cidade de São Paulo de Serro Azul. Ele é um gato, que não é bem um gato e a gente fica sabendo disso desde o começo. Mas que ele é o Du Moscovis a gente só vai ficar sabendo muito tempo depois”.

Serão gatos verdadeiros?

“São 4 gatos verdadeiros, para fazer essa simulação das ações dele, um animatronic, computação gráfica também e a gente conjuga isso para chegar nas ações que estão escritas”.

Inspirações

Qual foi a sua inspiração e de onde você tirou toda essa trama?

“Inclusive tem personagens de novelas antigas minhas que voltam e aparecem nessa. E é sempre no mesmo território. Eu tenho essa mania de achar que eu tenho um território ficcional, que é Greenville, Tubiacanga, e Serro Azul que era sempre citada e nunca aparecia. Dessa vez a história se passa em Serro Azul, algumas cenas acontecem em Greenville também. Eu vou buscar essas histórias na minha infância. Eu nasci em uma cidade assim. A mulher de branco por exemplo não é invenção minha, eu vi a mulher de branco e eu tinha 7 anos de idade. Essas histórias são meio recorrentes nas minhas novelas, a trama é que muda, mas as histórias são recorrentes”.

Incluir essas cidades já famosas em outras novelas, é uma forma de trazer esse público mais antigo?

“Pelo contrário! Eu acho que essa novela tem elementos que vão atrair, vão manter esse público que sempre sabe o que esperar das minhas novelas, mas vão atrair um público mais jovem. Ela tem um lado lúdico que é muito forte, essa história do gato por exemplo, certamente vai cair no gosto de um público mais jovem, vai ser o assunto do dia, eu espero”.

Um mundo mágico de Aguinaldo Silva

O Sétimo Guardião está mais para o Fantástico ou Mágico?

“Está mais para o mágico. É a janela que a gente abre e vê o mundo como a gente quer, sem Freud, sem nada disso. Eu sempre digo que nas minhas novelas, tudo pode acontecer e realmente acontece. Eu tenho uma história que é muito ilustrativa disso. Toda novela minha tem um bordel, uma igreja e uma vez em uma entrevista, um jornalista falou para mim que os bordeis não eram assim e eu respondi para ele que não são, mas deveriam ser. Esse é o clima da minha novela, o mundo pode não ser assim, mas deveria ser”.

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O Sétimo Guardião tem influência de autores que você leu? Por exemplo essa questão do gato, ao longo da história da literatura você tem a presença do gato em obras de Gabriel García Márquez, H.P. Lovecraft, Edgar Allan Poe?

“Isso, e eu tenho uma certa fixação em gatos. Eu tive gatos a vida inteira, mas sempre um de cada vez, porque eu acho que gatos você tem que ter um de cada vez. E eu conheço muito a personalidade. Eu me inspirei também nessa coisa do fato de o gato ser um animal mágico, sempre ter sido perseguido, acusado de ser um espirito do mal e eu fiz questão de o gato ser preto. Existe essa história de que o gato preto dá azar e é uma coisa idiota. Não dá azar coisa nenhuma. A novela provavelmente vai ajudar a quebrar um pouco esse preconceito contra o gato preto”.

Léon, o gato

O que o Léon representa na história?

“Nós temos sete guardiões, eu posso dizer que o Léon é um guardião que cometeu um certo tipo de infração e por isso ele foi castigado. Ele tem um período de vida em que ele será um gato e ele depende de um acontecimento da novela, para deixar de ser gato”.

A novela tem a Nany People no elenco. Como será retratada a diversidade na novela?

“Eu não acho que esses assuntos devem ser tratados com a seriedade que beira a tristeza. Acho que essas pessoas para chegar onde chegaram, elas têm um senso de sobrevivência e de bom humor em relação a vida, que a gente tem que mostrar esse lado delas. Então a minha trans, será uma trans que bota para quebrar. Ela não vai chorar por ser vitima de preconceito. Se alguém for preconceituoso com ela, ela vai responder a altura. É aquilo que eu disse, não é assim, mas deveria ser, chega de vitimismo”.

O personagem Olavo interpretado pelo Tony Ramos, será um vilão?

“Ele é um vilão porque ele é o famoso milionário das novelas que é sempre uma pessoa vista com maus olhos. É de bom tom isso. Ele é também um personagem muito bem-humorado e faz uma série de bobagens na novela”.

Efeitos especiais

Vão ter muitos efeitos especiais na novela?

“Tem muitos efeitos especiais. Quando a gente fez Fera Ferida, se você me perguntar como é que eles fizeram a cena das borboletas, eu não sei, porque não tinha digitalização e nem nada disso”.

Você fez uma sequência de novelas de realismo fantástico, parou e fez uma sequência de novelas urbanas. Você falou recentemente que havia passado para as novelas urbanas, porque sentiu que estava se repetindo muito nas novelas de realismo fantástico. Qual foi o motivo para voltar agora?

“Eu achei que o realismo das novelas está perdendo para a realidade. A realidade está muito mais interessante no mau sentido, então chegou a hora da gente disparar a imaginação outra vez, porque não dá para competir com o que está acontecendo”.

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Como foi a seleção desses personagens de outras obras que vão retornar agora?

“Alguns só aparecem o nome, por exemplo o grupo escolar Altiva Pedreira, mas eu queria trazer de volta o personagem do Paulo Betti, que é o Ypiranga. O Ypiranga e a Scarlet”.

Castigo aos guardiões

A Valentina vai se tornar uma mulher má depois de ser abandonada no altar?

“Todas as minhas vilãs têm uma característica. Elas são super bem-humoradas, eu não faço vilã amarga ou má por simplesmente ser má e a Valentina não foge disso. Ela tem um senso de humor terrivelmente cruel”.

Por que a proibição do casamento para os guardiões?

“Porque imagina, eles guardam um segredo importantíssimo para a humanidade, uma coisa que não pode ser revelada. E aí o cara se casa, tem filhos, briga com a mulher, aí de repente a mulher solta o famoso ‘ou me dá o que eu quero, ou eu vou contar para todo mundo’. Não pode, é como um padre”.

Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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