Tais Araújo brinca com técnicas de dança e canto em Mister Brau: “Eu dou truque em tudo”

Publicado há 3 anos
Por Greicehelen Santana
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Nesta terça-feira (24), a série Mister Brau retorna às telinhas da Globo. Diferente das temporadas anteriores, Michele Brau, personagem da Tais Araújo, aparecerá como uma grande cantora internacional, lotando estádios e encantando fãs por onde passa. Já Brau (Lázaro Ramos), viverá no ostracismo e precisará correr atrás para reencontrar sua identidade artística.

Revelando alguns detalhes da temporada 2018 da série, Taís Araújo conversou com o Observatório da Televisão e descreveu a emoção de viajar para Angola para gravar um episódio especial, os desafios e responsabilidade de interpretar por tanto tempo a mesma personagem, e como é estar longe das novelas.

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A atriz também detalhou como foi o processo criativo para tornar a Michele Brau uma diva da música e quais foram as suas inspirações. “Beyoncé, Anitta, Ludmilla, eu ficava vendo todas elas o tempo inteiro. Cher, Tina Turner, Rihanna. A Michele é maravilhosa! ”. Confira o bate papo completo:

Como foi a passagem do elenco pela Angola?

Foi lindo! A Angola foi muito especial. Eles gostam muito da série, na verdade, eles gostam muito do Brasil como um todo e eles receberam a gente com muito carinho, com muito amor. A gente chegava nos lugares e, de repente, multidões chegavam também. Era a coisa mais linda do mundo, é um povo muito apaixonado. A gente trabalhou o tempo inteiro para que no episódio 08 conseguíssemos retribuir todo carinho que recebemos lá. É um episódio que, de fato, é uma declaração de amor ao continente africano e a gente escolheu a Angola para representar o continente inteiro, que é um continente enorme, super variado, muito plural.

Foi a sua primeira vez nesse país?

Foi a minha quarta vez na Angola, a primeira vez foi em 98. Então, na primeira vez, eu encontrei um país devastado pela guerra. Eu acompanhei o processo todo de Angola pós-guerra. É um país que ainda está se reconstruindo, que cresceu muito desde a primeira vez que eu fui. Na primeira vez que eu fui, era muita gente nas ruas porque as pessoas fugiam das províncias e iam para a capital, que era o lugar mais seguro. De dia era uma multidão na rua porque moravam, sei lá, muitas famílias dentro de um apartamento pequeno para conseguirem se preservar. Da outra vez que eu fui era um país com muitos carros, era um país que você via que estava prosperando. Eu vi muitas mudanças em Angola.

Você tem no currículo diversas novelas e personagens. Como foi sair desse universo para apostar em um formato de série e trabalhar com temporadas?

Eu trabalho no Mister Brau mais do que eu já trabalhei em qualquer novela das oito. Eu achei que seria diferente, que iria fazer o Mister Brau, gravar três vezes por semana, conseguir fazer teatro. Eu não deixei de fazer o teatro, na verdade, eu gravo o Mister Brau de segunda a sábado, e faço teatro sexta, sábado e domingo. Quando o Mister Brau estava sendo conceituado, a ideia do Maurício era sair dos estúdios, ir para as externas, fazer tudo em externa. Com isso, tem uma demanda de tempo muito maior porque a gente tem muito menos controle. Então, eu não senti muita diferença entre fazer uma série ou fazer uma novela, a não ser na questão que a gente grava só três meses do ano, tem o resto do ano livre para fazer teatro e outras coisas.

O Lázaro falou que você se dedica bastante nas coreografias e na parte musical. Você gosta de estar por dentro de todos os detalhes da série?

Eu faço isso para dar menos trabalho para a produção (risos). Porque na verdade é assim, eu não canto, eu não danço, eu dou truque em tudo. Então, quanto melhor for o truque, menos trabalho a produção vai ter, inclusive de pós-produção e edição. Nossa Senhora da Edição que me salva o tempo inteiro, tanto nos áudios cantando quanto dançando. Essa demanda toda é mais para agilizar o nosso processo que já é pesado. Imagina você fazer um show daquele tamanho, não é daquele tamanho porque é aqui no Projac, mas tinha aquela dimensão, aquelas roupas, aquela produção. Tudo é muito trabalhoso, então eu tenho que fazer o máximo para agilizar.

Em Cheias de Charme você também desenvolveu um trabalho de canto e dança com a personagem Penha. Há uma semelhança com esses dois projetos?

Não tem nada a ver. Em Cheias de Charme tinha uma coisa pueril, era o início de uma carreira, era tudo muito cru entre elas (As Empreguetes). Elas aconteceram porque tinham um desejo genuíno, era uma outra história. A Michele é profissional, ela é uma grande dançarina, uma grande cantora.

Quais foram as inspirações da Michele?

Beyoncé, Anitta, Ludmilla, eu ficava vendo todas elas o tempo inteiro. Cher, Tina Turner, Rihanna. A Michele é maravilhosa! Imagina pegar uma sinopse e ver: Michele, turnê mundial, show em Tóquio, Canadá, tudo lotado. Eu falava: “essa mulher é realmente incrível”. Então, eu tive que correr muito atrás. Tem o Zebrinha, nosso coreógrafo, que é um espetáculo e muito maravilhoso, mas que tem uma coreografia muito complexa. O Zebra não faz coreografias simples, ele pega pesado com a gente, mais com as meninas (do ballet) do que comigo. Eu descobri que tinha o microfone e que ele ia me salvar, comecei a ver que não precisava fazer tudo. A Beyoncé, por exemplo, quando está dançando, ela não canta. Eu falei: “olha que esperta” (risos). Claro, porque não dá para cantar e dançar ao mesmo tempo. Só que ela faz tudo de verdade, eu faço tudo de mentira, é tudo truque.

Como é ficar muito tempo fazendo o mesmo personagem? Você sente vontade de trocar?

Sinto, estou sendo bem sincera. Mas assim, eu não queria abrir mão da Michele para fazer outras coisas. Eu queria poder fazer a Michele e fazer outras coisas. Mas aí tem uma coisa boa do Mister Brau de só gravar três meses durante o ano, eu posso fazer cinema e aí eu já vou vendo outros personagens, continuo fazendo a nossa peça (O Topo da Montanha). Tem grandes vantagens em se fazer uma série e fazer uma única personagem tanto tempo. A outra vantagem é ir lapidando, aprimorando e descobrindo muitas coisas, e aí a gente vê que os personagens têm capacidades infinitas. A gente vai descobrindo e isso só vai enriquecendo os nossos personagens.

Você sente falta de fazer novelas?

Eu já estou com saudade de novela, cheia de saudade, até porque eu acho que vou gravar um pouquinho menos se for em novela porque tem mais gente para dividir (risos). A questão é que somos poucos e na novela são muitos atores, são 30, 40, 50, dependendo do elenco, então na divisão fica mais leve para todo mundo.

Nem sempre a cultura africana é representada de forma tão alegre, colorida. Como é a responsabilidade de trazer esse outro lado dessa região? Você sente que está mais próxima das suas raízes?

A série trouxe muito isso para a gente também. Eu já tinha contato com alguns países do continente africano, principalmente os países de língua portuguesa, como Moçambique, Cabo Verde, Angola. Desde a primeira temporada a gente sempre teve alguém da Angola, por exemplo, DJ Falcão, o Yuri, e é claro que o mergulho na sua origem te fortalece. Fortalecendo a minha identidade como atriz, eu vou pegar essa identidade fortalecida e vou imprimir no meu trabalho. A gente tem aí um continente inteiro tão rico culturalmente, tão lindo, tão plural, para a gente explorar e da melhor maneira possível. Eu lembro que quando a gente chegou em Angola, falamos assim: “a necessidade é mostrar o melhor de Angola. O que tem de melhor aqui? Quem são os melhores artistas? Quem vocês querem que a gente mostre para o Brasil? ”. E aí eles foram tão legais! Os artistas foram tão generosos porque eles todos apareceram em massa, voluntariamente, e contribuíram para a gente contar a história do país deles da melhor maneira possível. Isso é bom para eles? Óbvio, mas para a gente é mais importante porque volta uma história que é nossa, uma história que está perdida, que não teve o reconhecimento merecido, e aí a gente fica mais pobre sem essa história. Fortalecer a nossa identidade, fortalece a gente como nação.

Papéis de grandes mulheres na teledramaturgia e no teatro ainda são raros. Você pensa em interpretar uma figura feminina de peso no teatro?

Sim, sim. Eu acho que tenho tanta coisa para fazer ainda. Você está falando do teatro, mas pensa no cinema nacional… a gente não tem. O cinema nacional retrata muito pouco a mulher, e a mulher negra menos ainda. Então, tem muita coisa ainda para fazer, não só personagens históricos. Claro, personagens históricos são sempre bem-vindos porque quando a gente olha para a nossa história nos fortalecemos, até para saber para onde a gente vai, de onde a gente veio. Mas, personagens contemporâneos, personagens que estão aí para contar as narrativas que tem que ser contadas. Realmente, a gente tem esse déficit de personagens femininos, nas novelas não. Nas novelas as mulheres aparecem muito, as mulheres negras menos, mas as mulheres aparecem muito como protagonistas nas novelas. No cinema pouco e no teatro eu nem posso dizer que é pouco porque eu não conheço, os grandes personagens têm sim mais masculinos.

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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