Felipe Titto fala do sucesso de Odair, de O Outro Lado do Paraíso, e relembra quando foi despejado: “Guardo é a minha humildade, minha raiz”

Publicado há 3 anos
Por Bárbara Saryne
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Uma das celebridades mais queridas e populares da atualidade, Felipe Titto tem feito muito sucesso com o seu mais recente papel em novelas. O ator interpreta o Odair em O Outro Lado do Paraíso, na Globo. O personagem começou devagar e, hoje, é um dos que mais chamam a atenção no elenco secundário.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Titto revelou detalhes sobre o personagem, falou sobre o assédio de mulheres e homens e explicou por que que prefere a cabeça raspada. Ainda no bate-papo, ele contou como enfrenta o preconceito com tatuagem na sociedade e relembrou as dificuldades no início de carreira, quando tinha que sustentar a família.

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Veja também: Ator Felipe Titto fala sobre viver personagens sarados nas novelas

Na época, ele se tornou responsável por sustentar os pais e os irmãos, com um salário de R$ 1500 por mês. Estava todo mundo desempregado e a família havia sido despejada pela segunda vez. Esse pode ser considerado um ponto marcante da trajetória de Titto, que garante que tirou uma lição desses momentos difíceis. Confira.

Como é que está sendo lidar com o assédio nas ruas?

“O Odair é muito bom, o Felipe que é devagar (risos). O que eu senti mais foi a diferença de idade nesse assédio, sabe? Antes desse lance com a personagem da Nádia (Eliane Giardini), eu tinha contato com o público mais velho, mas era só aquela coisa de ‘te vejo na novela’ e, agora, eu tenho recebido muitas cantadas de mulheres mais velhas. Eu acho isso muito engraçado. O público gay também sempre foi forte e a gente tem uma relação muito maneira porque sempre foi uma bandeira que eu levantei, a história do respeito… eu já fiz vários personagens voltados para o segmento, então o público LGBTQ+ é fiel e, por incrível que pareça, o assédio deles é muito mais respeitoso que o assédio das mulheres.”

Você já se relacionou com mulheres muito mais velhas?

“Muito mais velhas, não. Já me relacionei com mulheres mais velhas, mas não muito mais velhas.”

O que você acha do desempenho do Odair no salão?

“Ele não sabe fazer nada, na verdade. Ele entrou lá por outras qualidades. Eu tenho um salão em São Paulo, uma barbearia, mas eu não corto cabelo. E para interpretar ele, eu nem precisei fazer laboratório porque eu não preciso ter intimidade nenhuma com o universo do salão. O Odair, de fato, é um intruso ali (no salão da Nádia).”

E essa história com a Nádia, vai dar continuidade?

“Eu não posso falar muita coisa porque eu nem sei, mas como já estamos na reta final da novela, que acaba em maio, não tem tempo para criar um embasamento de história para eles terminarem juntos. Eu não sei se eles seguem como casal, mas o Odair está aproveitando ali e a Nádia também está tirando uma casquinha.”

Você sabia que teria esse encontro com a personagem da Eliane Giardini?

“Não, eu não fazia ideia. O que eu sabia é que eu iria me envolver com uma mulher, mas eu não sabia que seria mais velha e nem que seria a Nádia.”

A Nádia fica com o Odair para se vingar do marido. Você já ficou com alguém por vingança?

“Eu nunca fiz isso, mas eu já descobri que fui objeto de vingança depois, que uma mulher ficou comigo só para provar ciúme.”

O Odair estranha esse fogo dela (Nádia). O Odair é mais tranquilão…

“É, a Nádia é solta igual arroz de vó (risos). Ela tem a história das fantasias dela e o Odair vem de uma família específica, é um cara tradicional. O negócio dele é papai com mamãe. Eu, particularmente, não tenho essas fantasias de enfermeira… toda as vezes que tentaram fazer algo parecido, eu dei risada e virou algo mais engraçado que erótico. Eu acho que, enfim, vamos lá, tira a roupa e vai (risos). Essa coisa de dançar, sensualizar, eu não consigo achar muito sensual. Eu sinto um pouco de vergonha alheia, dou risada.”

No início da novela, todo mundo achava estranho o Odair ser um hétero trabalhando no salão. Você acha que também existe profissão para homem, mulher, gay?

“Eu acho que existem limitações. Eu não posso colocar uma mulher para ser pedreira, talvez ela faça um trabalho de acabamento, mas você não vai colocar uma mulher para carregar saco de cimento. Por mais que existam mulheres fortes, é uma coisa física. Mas, tirando isso, eu acho que não existe. Se você chegar lá para fazer a unha com um cara gigantão você vai falar ‘ai, caramba, ele vai fazer minha mão e arrancar um dedo’ (risos). Enfim, se não existe uma limitação física, da força, eu acho que não tem uma profissão certa.”

E esse visual, você curte?

“A barba, eu gosto, mas o cabelo grande não tem nada a ver comigo. Meu cabelo é muito crespo, duro. Aqui está com uns 200 alisamentos. Antes, eu lavava a cabeça com sabonete, velho. O cabelo era raspado, já emendava tudo. E agora eu tiro o chapéu para as mulheres cada vez que faço essa coisa específica de unha para o personagem e vejo o quanto é difícil ser mulher, cara. Acabando a novela eu vou fazer um filme e o meu personagem vai ter o cabelo raspado, vai ser uma coisa meio de luta, mas eu não posso contar ainda.

Você já sofreu algum tipo de preconceito por ter muitas tatuagens?

“Se eu falar que não tem mais, é mentira, muita hipocrisia. Não quero que pareça arrogante da minha parte, mas eu empurrei isso goela abaixo, fiz as pessoas entenderem que não existe essa distinção pela forma que você se veste, pela sua condição sexual ou pelas suas tatuagens. É a minha quarta novela das 21h e todas que eu fiz deixei as minhas tatuagens expostas. Eu mostrei que a gente tem o nosso valor e ninguém tem que se limitar. Eu fiz isso no ramo do business também. Eu já estou indo para a minha décima empresa, uma fábrica de bolinhos de bacalhau, e eu faço reuniões com um monte de ‘gente coxinha’, que veste camisa e gravata, e eu vou de camiseta e boné (risos). Eu não estudei, parei na sétima série, e as coisas aconteceram. Eu fui atrás do que me interessava: falo inglês, português, espanhol, um pouco de hebraico e não faço a menor ideia de quantas tatuagens tenho, fiz a primeira com 15 anos.”

O que tem de diferente no Felipe de hoje e o que estreou em ‘Malhação’ (2005), quase sem tatuagem nenhuma?

“Eu já tinha umas 10 tatuagens ali, só que escondidas. O que eu guardo desse garoto, que tinha 17 anos, foi uma das fases mais difíceis da minha vida. Eu tinha acabado de ser despejado pela segunda vez com a minha família e eu tinha um salário de R$ 1500 por mês para bancar meu pai, minha mãe e meus irmãos porque todo mundo estava desempregado. Graças a Deus essa história mudou. O que eu guardo dessa etapa é a minha humildade, minha raiz, onde eu pisava e fazia meus corres. Eu já era contratado aqui na Globo, mas eu morava numa vila em São Paulo e pintava portão com a galera para complementar a renda. Eu nunca tive esse negócio de ‘sou celebridade’. Continuo sendo a mesma coisa, mas com melhor estrutura.”

Você tem uma história muito bonita. Acha que chegou onde sempre sonhou?

“Eu cheguei perto, faltam algumas coisas que eu quero conquistar, mas são detalhes.”

Como é a sua relação com o seu filho? Ele fala de você para os amigos?

“Ele fala, eu vou buscar ele na escola e ele adora. Agora, decidiu ser ator também, está entrando no curso de teatro. Mas ele tem esse pé atrás com as pessoas, viu? Quando ele era menor e a gente ia passear no shopping, ele ficava bravo, falava que não podia falar nada, que as pessoas estavam sempre tirando fotos. Agora ele já sabe, já tem 14 anos, é um ‘aborrecente’ insuportável, quer dar opinião em tudo (risos).”

Você já passou por um problema sério, teve um princípio de infarto. Como foi isso?

“O que aconteceu foi o seguinte: eu acordei 6h da manhã, um horário que eu odeio acordar. Aí eu acordei com uma dor no peito esquerdo e com o braço tremendo. Aí eu fiz duas séries de quinze flexões para abrir o peito. Começou a pegar mais, então fui tomar banho e, na hora que eu liguei o chuveiro, meu braço falhou. Tomei banho e fui dirigindo para o hospital, respirando fundo porque estava doendo. Quando chegou lá, a recepção estava lotada e eu falei o que estava acontecendo e disseram que eram sintomas de princípio de infarto. Em vinte minutos, isso estava publicado em tudo quanto é lugar. Eu tenho mãe, filho, pai, e eu não tinha avisado ninguém. Minha mãe me ligou chorando e, na verdade, o que eu tive foi uma inflamação no miocárdio, por causa de uma dengue que eu estava e não sabia. Foi isso.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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