Há 10 anos, Elizabeth Jhin estreava como novelista solo com Eterna Magia

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No dia 14 de maio de 2007, a Globo estreava a novela Eterna Magia, na faixa das 18 horas. A trama marcou a estreia da novelista Elizabeth Jhin como autora solo. A novelista já havia assinado uma novela como titular, Começar de Novo, com Antonio Calmon e, antes disso, já havia colaborado em diversas outras obras. Mas foi com Eterna Magia que ela estreou sozinha na autoria e deu início a uma bem-sucedida carreira assinando novelas das seis, emplacando sucessos como Escrito nas Estrelas e Além do Tempo.

No entanto, Eterna Magia não foi considerada um sucesso na época. Com media geral de 25 pontos no Ibope, a trama derrubou a audiência da faixa, que vinha acima dos 30 pontos com O Profeta. Por isso, a novela passou por mudanças entre a primeira e a segunda fase, tentando reverter a queda dos índices. Acusada de ser excessivamente sombria e escura, a trama acabou ganhando mais luz e cor no decorrer de sua trajetória.

Mas o visual sombrio era proposital, afinal, o tema central de Eterna Magia era a bruxaria, mais especificamente a Wicca. A história se passava nos anos 1930, na fictícia Serranias, interior de Minas Gerais, uma colônia irlandesa, e girava em torno de duas irmãs, Eva Sullivan (Malu Mader), uma famosa pianista, e Nina (Maria Flor), sua doce irmã mais nova. Prepotente e arrogante, Eva vivia em Dublin, onde fazia uma bela carreira internacional. Ao retornar a Serranias, ela se apaixona por Conrado (Thiago Lacerda), noivo de sua irmã, e decide conquistá-lo. Para tanto, ela conta com a ajuda de Zilda (Cássia Kiss), uma “rasputina”, como eram chamadas as bruxas que usavam seus poderes para o mal. As duas realizam um sortilégio e Eva consegue roubar o namorado da irmã. Eva e Conrado se casam, enquanto Nina, desiludida, decide estudar e trabalhar, e não mais se apaixonar.

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Anos depois, Eva e Conrado vivem em Dublin com a filha Clara, quando Eva descobre um tumor no cérebro. A pianista conclui que se trata de um castigo pelo que fez com sua irmã, e decide voltar a Serranias em busca do perdão dela. Já Nina, que se tornou uma mulher forte e está à frente dos negócios da família, decide finalmente dar uma chance ao amigo Lucas (Cauã Reymond), que sempre foi apaixonado por ela. Mas o retorno de Eva e Conrado provoca uma reviravolta. Ao mesmo tempo, Nina é sempre incentivada pela tia Pérola (Eliane Giardini) a desenvolver sua magia, já que a mocinha é uma poderosa “valentina”, como são chamadas as “bruxas do bem”. A rivalidade entre Pérola e Zilda mostrava a luta entre as valentinas e as rasputinas.

A trama de Eterna Magia não caiu nas graças da audiência, e as tentativas para levantar os números não surtiram muitos efeitos. Como já dito, a trama ficou mais clara e alguns personagens mudaram, como Loreta (Irene Ravache), mãe de Conrado. No início, Loreta era triste e amarga, por ter sido abandonada pelo marido. Depois da passagem de tempo, ela ressurge mais “solar”. Nesta fase, eram bem bonitas as cenas dela com Joyce (Marcella Valente), uma espécie de filha de criação. Também era bonita a redescoberta de amor de Loreta, que se apaixona por Rafael (Luís Mello), marido de Zilda. Outra mudança foi vista na abertura. A primeira versão, belíssima, era embalada pelo “Concerto n° 2 in C minor for piano and orchestra”, tocada por Cláudio Abbado e Alberto Rosenblit., e mostrava um sapateado através do símbolo da magia. Bem impactante, a primeira abertura chamava a atenção. Depois, ficou mais clean, perdeu o sapateado, e passou a ser embalada por “Nada Além”, com Sidney Magal.

Mesmo não sendo considerada um sucesso, Eterna Magia foi uma novela com muitas qualidades. Entre elas o elenco, no qual se destacava a vilã Zilda, mais uma personagem extremamente bem realizada por Cássia Kiss. Uma das melhores vilãs de novelas, embora não seja muito lembrada. Outra qualidade foi a ousadia da autora de colocar Eva e Nina como protagonistas que “revezavam” como mocinha e vilã. No início, Eva era ruim e fazia mal à irmã. Depois da passagem de tempo, uma endurecida Nina tentava dar o troco numa arrependida Eva. A maior surpresa se deu quando foi revelado que o tumor de Eva, na verdade, não existia, e havia sido uma invenção de Peter Gallagher (Pierre Kiwitt), seu médico e ex-noivo, que nunca se conformou de ter sido abandonado pela pianista. E Nina, na verdade, era cúmplice de Peter nesta armação. No fim, Peter assume de vez as vilanias da história, enquanto Eva e Nina acabam perdoando uma a outra.

Outra curiosidade de Eterna Magia é que foi a primeira novela de Marco Pigossi, hoje um galã do primeiro time da Globo, um dos protagonistas de A Força do Querer, atual trama das 21h. Ele interpretou Miguel Finnegan, irmão de Lucas. A trama também contou com a participação do escritor Paulo Coelho, que apareceu nos primeiros capítulos como o Mago Simon. Irene Ravache, a Loreta, chegou a ser indicada como melhor atriz no Emmy Internacional pelo seu ótimo desempenho na trama. E Eterna Magia ficou marcada por ser a estreia de Elizabeth Jhin como única autora principal de uma novela, embora sua consagração só tenha vindo mesmo três anos depois, com Escrito nas Estrelas. Hoje, Jhin é uma das principais autoras da faixa das seis da Globo.

Em 2003, Gilberto Barros se tornava “onipresente” na Band com Boa Noite Brasil

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