Zorra remoto é mais uma importante experiência em época de pandemia

Atração tenta driblar dificuldades com criatividade

Publicado há 3 meses
Por André Santana
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É louvável o esforço que a direção da Globo vem fazendo neste período de pandemia. Impossibilitada de produzir dramaturgia do “modo tradicional”, a emissora está testando vários formatos para não parar de produzir. Depois de Diário de um Confinado, o canal deu mais um passo neste sentido com a nova temporada de Zorra.

O humorístico, caracterizado pela crônica cotidiana bem-humorada e crítica, tem muito o que dizer do atual contexto social e político. Portanto, o esforço de trazê-lo de volta, mesmo em condições adversas, faz sentido. Porém, é um passo ousado produzi-lo de maneira remota, com atores gravando esquetes de suas casas.

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É inegável que o programa perde em qualidade técnica. Zorra sempre teve um trabalho de cenografia, fotografia e caracterização impecáveis. Agora, com cenas “caseiras”, o espectador atento é capaz de perceber alguma diferença, seja na captação de som ou na ambientação em si.

Entretanto, isso não é um problema diante de soluções criativas, que tornam a experiência válida. Na estreia, por exemplo, vimos Welder Rodrigues contracenando com atores que formam a sua família, no esquete “família mascarada”. Claramente, cada ator gravou de sua casa, e a “união” de todos foi mágica da edição. E que funcionou muito bem.

Falta agora driblar a tentação de insistir demais em piadas sobre o isolamento social. Isso porque a situação atual se arrasta há meses, e várias destas piadas já foram feitas, inclusive em Diário de um Confinado. Como o Zorra é um programa “quente”, esquetes sobre isso são inevitáveis. Mas variar o leque pode ser uma saída para a nova temporada já não nascer “cansada”.

Reforço no elenco

Nesta estreia, o Zorra mesclou cenas gravadas em estúdio, antes da pandemia, com cenas caseiras, feitas nas casas dos atores. Além disso, a outra novidade foi a inclusão de bons reforços no elenco, que vem ficando cada vez mais variado e forte.

Três novos nomes se destacam: Robson Nunes, Marisa Orth e Diogo Vilela. Nunes, humorista desta nova geração do improviso, injeta sangue novo. Já os veteranos Marisa e Diogo trazem sua expertise no humor para um programa que vem se apoiando, basicamente, em texto e atuação.

Em suma, esta não parece ser a mais inspirada temporada de Zorra. A atração já teve momentos bem melhores que a estreia desta semana. Por outro lado, o formato caseiro abre novas possibilidades. Conforme roteiristas e técnica forem absorvendo esta nova realidade, são boas as chances de o formato se azeitar e funcionar bem.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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