Verdades Secretas 2 causa vertigens e a culpa não é das cenas de sexo

Produção fascina, mas gera desconforto sensorial com fotografia escura, filmagem nas alturas e som ruim

Publicado em 25/10/2021 22:10
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Angel, eu quero casar com você!”. Com essa frase de Cristiano (Rômulo Estrela) para Angel (Camila Queiroz) terminou o décimo episódio de Verdades Secretas 2, novela da Globo feita originalmente para o streaming em cartaz no Globoplay.  

Não deixa de ser curiosa essa declaração um tanto romântica, encerrando uma leva de episódios marcados por cenas ousadas e de forte carga erótica.

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Nada de sexo explícito, mas tudo é sempre muito sugestivo, com casais heterossexuais e homoafetivos transando em todos os capítulos e em vários locais: na cama, no sofá, no estacionamento, no carro, no banheiro, na janela …

Depois da bem-sucedida trajetória de Verdades Secretas, tanto na exibição inicial de 2015 quanto nessa reprise na TV Globo em 2021, a continuidade da telenovela agora no streaming vem causando furor na audiência.

Seja pelas picantes cenas de nudez e sexo, seja pela linguagem estética tão diferente das produções da televisão aberta, a produção fascina em sua ousadia nos temas sexo e drogas.

Há alguns furos no texto do autor Walcyr Carrasco nesta continuidade, especialmente na elucidação do crime do final da temporada passada.

No entanto, não duvide se a superprodução, o glamour, a beleza e a presença dos artistas em cena forem capazes de fazer o público ignorar e de certa forma até perdoar os deslizes do roteiro.

Grande elenco

Cristiano (Rômulo Estrela) e Giovanna (Ágatha Moreira) em Verdades Secretas 2 (Reprodução/Globoplay)

Agatha Moreira (Giovanna) e Camila Queiroz (Angel) estão mais maduras, dando continuidade às suas intepretações na primeira parte da trama.

Frívolas e até robóticas em cena, ambas encarnam um tipo de rivalidade feminina que chega ao ápice quando disputam o mesmo homem.

E o que dizer de Rainer Cadete, que cresceu ainda mais o peso do seu personagem (Visky), o booker da agência? Ele já reúne potencial para ter um spin-off da série só seu.

As chegadas de Deborah Evelyn (Betty) e Sergio Guizé (Ariel) mais Erika Januza (Laila) também dão novo contorno para a história, criando tramas paralelas em núcleos secundários que dão suporte ao mote central.

O entorno é muito verossímil: a agência de modelos abastecer a casa noturna Radar Club com suas beldades em troca de comissão é um lugar comum na noite de uma metrópole.

Sócio capitalista da Radar, Percy (Gabriel Braga Nunes) é um exemplar típico do rico excêntrico com fetiches sexuais diante de mulheres belas e jovens.

Ainda, o novo núcleo de Taubaté, com a revelação Julia Byrro como filha da histérica personagem de Maria Luiza Mendonça e seu padrasto tarado prometem movimentar ainda mais a nova leva de capítulos que virá na sequência.

A grata surpresa da produção é Blanche, a toda poderosa dona da agência.  Quando não se imaginava alguém à altura para substituir a Fanny de Marieta Severo, eis que importaram a excelente Maria de Medeiros, com um quê fashion da Anna Wintour (a mítica diretora da Vogue dos EUA, inspiradora de O Diabo Veste Prada).

Maria subverte seu sotaque português com o toque à francesa para construir sua Blanche.

Que personagem mais canastrona e deliciosamente chique a atriz está fazendo!

Eu teria um caldo caliente de elogios a tecer sobre Verdades Secretas 2, que nessa sua jornada no streaming precisa ter linguagem de série e não de telenovela; afinal, os tempos são outros e a concorrência nas plataformas anda acirrada.

Tudo flui mais rapidamente nesta produção, sem tanta enrolação e as barrigas dos dramalhões e por isso os personagens novos têm menos tempo para nos adaptarmos com suas características.

Estética artística

Angel (Camila Queiroz) e Giovanna (Agatha Moreira) em Verdades Secretas (Reprodução/TV Globo).

Entretanto, a opção estética da produção era para ser um diferencial. A meu ver, reside aí o maior problema da produção.

Com a pretensão de se apresentar muito inovadora na Globo, a direção de fotografia fez uma opção escura demais. Em determinadas cenas, mal conseguimos ver direito os atores. Muita luz vermelha mais confunde do que embeleza.

A ideia de retratar São Paulo pelo alto é bastante interessante, mas o uso excessivo deixa cansativo.

Tudo é captado pela vista de janelas e coberturas, numa panorâmica e contraste de claro e escuro de causar tonturas no público.

Nas redes, muitos espectadores já observaram que a São Paulo noturna está parecendo a cidade dos filmes do Batman.

A diretora artística Amora Mautner declarou que o clima seria de voyeur, mas até uma simples consulta médica no pediatra ou uma parada no boteco de esquina para comer uma coxinha virou tomada de filme noir.

Simplesmente está difícil enxergar algumas cenas.

Para ajudar, o aplicativo do Globoplay, pelo menos nos primeiros dias, não funcionou a contento, dificultando muito a visualização e continuidade das cenas.

Pior, a qualidade do som da transmissão muitas vezes é tão ruim que torna alguns diálogos quase incompreensíveis.

O ponto positivo fica por conta da trilha sonora, altamente cativante.

Verdades Secretas 2 mirou no climão de suspense de Janela Indiscreta (Rear Window, 1954, de Alfred Hitchcock).

Mas, com aposta na altura dos prédios e no jogo claro X escuro, está mais para Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958 de Alfred Hitchcock). Dá vertigens.

** Informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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