Trato Feito é reality roteirizado que une histórias a bons negócios

Atração do History Channel é gravada em loja real, que fechou durante a pandemia de covid-19

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Com uma trajetória de 22 anos e há 11 anos na grade do canal History, o programa Trato Feito é um curioso caso de reality roteirizado que após tantos anos segue contando boas histórias. Algumas delas são curiosas, às vezes improváveis, mas sempre são contadas de forma atraente e explicativa para o telespectador.

O programa é exibido em vários horários ao longo da programação do canal e está com episódios inéditos nas noites de segunda-feira (22h30) no History.  Há também episódios completos no canal no You Tube aqui.

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Tendo como cenário uma loja de verdade, um misto de brechó e casa de penhores na turística Las Vegas (Nevada/EUA), alguns episódios contam também com locações externas em algum ponto da cidade e arredores.

No estabelecimento de administração familiar já trabalharam três gerações dos Harrison – o avô Richard, o filho Rick e o neto Corey – e há ainda o amigo da família, Corey “Chumlee”. Eles se revezam como hosts dos episódios, recebendo os clientes na loja e também consultando os especialistas antes de cada aquisição.

Clientes tentam ofereceritens na Gold &Silver Pawn Shop, em Las Vegas. Foto: Reprodução/History

A Gold & Silver Pawn Shop é uma loja onde as pessoas levam itens raros, objetos de colecionadores, preciosidades pessoais que podem somar algum valor para outra pessoa. Chegam ali desde brinquedos antigos até moedas raras, objetos que fizeram parte da cena de algum filme antigo, coisas diversas que variam de um lance de US$ 100 até milhares de dólares.

O foco dos episódios do Trato Feito é no seu elenco fixo de negociantes, que recebe os vendedores das peças raras ou bugigangas afetivas ávidos por levantar algum dinheiro. A negociação em si vira o fato de maior entretenimento da atração. Segundo declarou Miguel Brailovsky, vice-presidente de conteúdo do canal History, o programa é um fenômeno cultural que transformou a linha do canal do factual para o entretenimento.

A atratividade do programa parece ser obra do acaso, mas o inusitado envolve uma bem bolada logística. Só uma produção eficiente é capaz de agendar pessoas dispostas a obter um bom dinheiro com relíquias pessoais, promovendo diante das câmeras um bem armado encontro com os especialistas que analisam os produtos. À edição cabem os gráficos e animações elucidativas sobre o histórico de alguns itens.

Assim, se alguém tem um álbum de vinil, fotografia, bola ou camiseta esportiva com autógrafo de um astro que já morreu, vem um especialista apto a analisar a autenticidade da assinatura, e haverá uma material de acervo para contar a história de vida daquele ídolo.

Quando chega uma moeda antiga ou selo raro, já aparece outro expert no assunto. O material de apoio sobre cada acervo explicado dentro de um contexto maior vai sendo intercalado ao longo do episódio, que mescla tanto diferentes pessoas quanto peças raras.

Cada especialista no Trato Feito faz uma avaliação do valor sugerido para uma peça e, a partir daí, o balconista da loja oferece uma quantia. Quase sempre o vendedor tenta subir seu preço, o vendedor segue na pechincha, até que a negociação seja fechada. Ou não – essa é a maior graça do programa, já que quase sempre torcemos para o vendedor.

São poucos, mas há casos em que o montante não vale o sacrifício e o vendedor desiste de fazer negócio. Às vezes, parece haver uma grande armação, com tudo sido previamente combinado em termos de dinheiro. Não importa: o que interessa é a história de cada peça que ali é contada e das pessoas por trás dela.

Perda e retomada

O velho Harrison, fundador da loja há 40 anos em Las Vegas e patriarca da família, morreu em junho de 2018, aos 77 anos, em decorrência do Mal de Parkinson. As gravações foram paralisadas por um tempo e logo depois, em 2020, a loja acabou impactada pela pandemia; primeiramente foi fechada e depois reaberta com horário e movimento bem reduzidos.

Nesta volta recente ao ar, os atuais apresentadores do Trato Feito falaram com a imprensa internacional. O herdeiro da loja, Rick Harrison, credita o sucesso do programa familiar ao fato de as pessoas gostarem de aprender e de rir ao mesmo tempo. Segundo ele, nesta nova temporada, a pandemia tornou tudo mais cuidadoso e as filmagens seguiram com os devidos cuidados.

A loja é ponto turístico de Las Vegas e antes recebia mais de três mil pessoas por dia – o movimento em tempos de pandemia é de apenas 20% disso, há menos negócios e quase não há turistas. Mas não nos preocupemos com a saúde financeira da atração: o programa é pra lá de sustentável: atualmente está sendo exibido mais de 150 países e em 38 idiomas.

Embora contemos com lojas de antiguidades e brechós aos montes no Brasil, é uma pena que não tenhamos algo parecido por aqui – nossas casas de penhor são os próprios bancos, que nestes tipos de serviço retêm objetos de valor, como joias, em troca de empréstimos. Ele só poderão ser resgatados mediante pagamento com juros, o  que certamente não nos renderia histórias muito divertidas para ver na TV.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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