The Voice Brasil passa em branco e reafirma desgaste do formato

Mesmo com o desinteresse evidente do público, Globo insiste com formato

Publicado há um mês
Por André Santana
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A temporada 2020 do The Voice Brasil passou em brancas nuvens. A disputa entre Izrra, Ana Canhoto, Victor Alves e Douglas Ramalho não empolgou. Não mobilizou grandes torcidas e não obteve ampla repercussão. O formato, que há tempos mostra dificuldades em se reinventar, nunca pareceu tão esgarçado quanto nesta temporada.

Foi um ano de concorrência mais forte e problemas na grade da Globo, é verdade. Além de entrar no ar depois de A Força do Querer, cuja reprise não vem correspondendo às expectativas de audiência, a atração ainda encontrou pela frente uma edição de A Fazenda que foi muito bem-sucedida.

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Entretanto, o desgaste é mais antigo do que tudo isso. O cansaço da fórmula ficou mais evidente em 2020 porque The Voice Brasil encontrou pela frente um concorrente à altura. Porém, nos anos anteriores, a disputa musical da Globo já vinha perdendo fôlego. Em seus primeiros anos, era comum a reta final repercutir e mobilizar o público. Formavam-se torcidas. Há quanto tempo isso não acontece?

Além disso, o cenário da televisão brasileira mudou de 2012 para cá. Quando foi ao ar a primeira edição, nas tardes de domingo, os talent shows musicais eram experiências pontuais das emissoras. Popstars, Fama e Ídolos foram os primeiros a desembarcar por aqui. Tiveram seus momentos, mas nenhum deles fez o público torcer de verdade.

O The Voice Brasil, neste contexto, foi um divisor de águas. Foi o primeiro musical nestes moldes a verdadeiramente empolgar e envolver o público. Mesmo que seus vencedores não tenham se tornado grandes ídolos, os programas dos quais vieram mexeram, sim, com a plateia. Tanto que The Voice estreou nas tardes de domingo, mas em sua segunda edição já havia sido “promovido” para o horário nobre da Globo.

Com o sucesso do programa, outros vieram na esteira. A própria Globo tentou emplacar Superstar, enquanto a Band investiu no X Factor Brasil, e a Record TV atacou com Canta Comigo e The Four Brasil. Ou seja, outros formatos surgiram, ao mesmo tempo em que a Globo seguia apostando em duas edições anuais do The Voice.

Depois de muito explorar o formato, a conta chegou. Uma disputa musical nestes moldes já não é mais novidade para ninguém. Assim, sempre que uma nova competição começa, a sensação de mais do mesmo se torna inevitável. São sempre os mesmos candidatos abusando de suas potências vocais, sendo avaliados por jurados/técnicos empolgados e/ou carrascos. Não muda. E nem tem como mudar muito.

Talvez uma mudança no elenco desse alguma sobrevida ao The Voice Brasil. A direção do programa tem sérios temores em mexer no time de técnicos, e se especializou em “revezar” nomes da versão adulta com a versão infantil. Mas, mesmo assim, uma mudança mais radical neste sentido também não seria garantia de nada. Isso porque o formato já não surpreende mais.

Porém, apesar das péssimas perspectivas, a Globo segue apostando suas fichas no programa. No ano que vem, haverá o The Voice +, com competidores acima de 60 anos, além da versão tradicional no segundo semestre. E, segundo o colunista Flavio Ricco, uma nova edição do The Voice Kids também está confirmada. Ou seja, em 2021, o público poderá dar de cara com nada menos que três versões do programa.

Insistência que só parece fazer sentido do ponto de vista comercial, tendo em vista que se trata de um formato atrativo para o mercado. Mas, para o público, a saturação será ainda mais evidente. Quanto tempo mais The Voice resistirá a este claro desinteresse do público? Ao que tudo indica, não muito.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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