Texto, direção e cenografia fazem de Orgulho e Paixão uma obra-prima de nossa dramaturgia 

Publicado há 3 anos
Por André Romano
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Quando fui informado que Orgulho e Paixão, seria uma novela inspirada nas obras de Jane Austen, juro que fiquei receoso em relação ao produto final. Uma obra que já está fundamentada e alicerçada na memória dos fãs e leitores fiéis da renomada autora inglesa, que viveu entre 1775 e 1817, não poderia ser adaptada por qualquer um. Ainda mais tendo como base um dos livros mais famosos da artista, intitulado Orgulho e Preconceito.

Mas uma coisa me tranquilizou ao descobrir os envolvidos nessa novela tratavam-se de grandes nomes que temos no mercado do audiovisual: Marcos Bernstein (autor), Fred Mayrink (diretor), Juliana Carneiro (cenografia), Eliane Heringer (cenografia), entre outros profissionais incríveis.

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Autor inovador

O texto preciso de Marcos Bernstein, humanizou os personagens criados por Jane. Ele ‘abrasileirou’ essas pessoas de maneira, que já acreditamos que os personagens originais viveram no Brasil. Já no primeiro capítulo, o público pôde assistir a diálogos inteligentes e enxutos. O autor não faz rodeios, entrega de bandeja o que o público quer ver: emoção, humor, paixão, além dos encontros e desencontros, que são praxe em um folhetim.

Um diretor peculiar 

Fernanda Montenegro comentou em uma entrevista que o segredo do sucesso (êxito profissional), começa com uma coxia (bastidor) harmoniosa. E, nessa novela percebi, que todos estão unidos. Mérito de Fred Mayrink, um dos diretores mais queridos da Rede Globo. Todos falam bem do profissional. Além de humilde, Fred dirige com a alma, o que deixa perceptível a cada tomada cheia de emoção. No ar, a gente percebe que o trabalho foi feito com amor à arte.

Em Haja Coração, ele mostrou isso. Fred tem um pouco de Woody Allen em suas tomadas, buscando sempre a humanização dos personagens. E poucos diretores conseguem fazer o ator falar com o olhar. No embate de Elisabeta (Nathalia Dill) e Darcy (Thiago Lacerda), o público comprou de imediato esse casal, porque o diretor humanizou esses personagens, e isso ficou claro nas sequências. Mesmo no início da trama, percebemos que o êxito será imediato, pois além de bons  atores, a trama tem um diretor que sabe como ninguém dirigir seres humanos. O nome disso é humanidade, e Fred faz isso como poucos.

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Amor à arte! 

Texto, direção, mas não podemos esquecer do esqueleto de uma novela, que é a cenografia. Juliana Carneiro e Eliane Heringer são duas feras! Elas parecem ter uma máquina do tempo escondida em casa, pois as suas criações parecem idênticas à realidade. Conheci no início de março, uma das cidades cenográficas, que serão utilizadas na trama. Fiquei impressionado com o cuidado e com os detalhes do projeto. Além de ótimas profissionais, as duas são grandes anfitriãs. Conduziram a imprensa pelo espaço e mostraram um pouco de seu trabalho. Em uma novela que fala da força da mulher, ver duas grandes profissionais à frente de um projeto como esse, é de encher o coração de orgulho. Parecia que estávamos na década de 1800. A cidade cenográfica está magnífica! Meninas, obrigado pelo carinho. Vou aos Estúdios Globo com certa frequência para fazer algumas pautas, mas, comentei com os coleguinhas, nunca fui tão bem tratado na minha vida. Vocês mostraram que realmente amam o que fazem, e, isso ficou nítido naquele dia. Muito Obrigado! Sem dúvida nenhuma, Orgulho e Paixão, vai aguçar cada vez mais a curiosidade do telespectador em relação às histórias criadas por Jane Austen. Que novelão!

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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