Tempo de Amar é folhetim requintado, mas terá desafios pela frente

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Tempo de Amar, nova novela das seis da Globo que estreou hoje (26), passou a melhor das impressões em seu primeiro capítulo. Folhetim clássico da melhor qualidade, a trama fez uma estreia sem pressa, e seguindo à risca a cartilha de um capítulo de apresentação. O público conheceu os mocinhos, Maria Vitória (Vitória Strada) e Inácio (Bruno Cabrerizo), passeou por belos cenários divididos entre Brasil e Portugal, e foi apresentado à uma série de personagens que já disseram a que vieram, todos vivendo nos anos 1920.

Apaixonados à primeira vista, Maria Vitória e Inácio terão vários desafios pela frente, empecilhos que só uma boa novela de época pode proporcionar. Ele é pobre, ela é rica; ele, em Portugal, pretende fazer a vida no Brasil, enquanto ela está prometida desde sempre a Fernão (Jayme Matarazzo), que não aceitará a aproximação do casal. Outra personagem que, em poucas cenas, já disse a que veio é Lucinda (Andreia Horta), que sofre por carregar uma marca no rosto e que surgiu já maltratando todo mundo.

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Ou seja, Tempo de Amar é um folhetim assumido, que usa sem pudores de todos os recursos da fórmula para contar uma história de amor ao espectador. E o faz com muito requinte, seja pelos diálogos e situações muito bem armados pelo autor Alcides Nogueira, ou seja pela belíssima fotografia, impressão digital do diretor Jayme Monjardim. Os enquadramentos que valorizam as paisagens das cenas externas proporcionam um espetáculo visual de grande deslumbramento, enquanto os cenários criam com perfeição o ambiente da época. Baseada em argumento de Rubem Fonseca e escrita em parceria com a filha dele, Bia Corrêa do Lago, Tempo de Amar retoma, em boa hora, os grandes romances.

O elenco, cheio de estrelas, imprime ainda mais qualidades à obra. Tony Ramos (José Augusto), Nívea Maria (Henriqueta), Deborah Evelyn (Alzira), Marisa Orth (Celeste Hermínia), Werner Schünemann (Coronel Francisco) e tantos outros tiveram presenças marcantes. Regina Duarte apareceu no finalzinho e surpreendendo como a francesa Madame Lucerne, o que já a coloca como uma das principais promessas da trama. Além disso, Tempo de Amar tem o trunfo de lançar atores como protagonistas, algo não raro na obra televisiva de Jayme Monjardim. As apostas em Vitória Strada e Bruno Cabrerizo mostraram-se, neste primeiro capítulo, certeiras.

No entanto, Tempo de Amar terá o grande desafio de conquistar o público. Missão aparentemente tranquila, se considerarmos que a trama é cheia de qualidades, mas que a história da TV já mostrou ser mais complicada do que parece. Basta lembrar de Força de um Desejo, outra obra requintada do horário das seis em 1999 (cujo argumento era do mesmíssimo Alcides Nogueira, diga-se) que teve desempenho mediano na audiência. Outra obra de época de Nogueira, o remake de Ciranda de Pedra de 2008, também não foi o sucesso esperado e até interrompeu a linha de novelas de época das seis que vinha de anos. Mais recentemente, Lado a Lado, de 2012, registrou um dos piores índices de audiência da faixa das seis, mesmo sendo aplaudida pela crítica e até ganhado um Emmy. Além disso, há o horário de verão por vir, e o forte calor pode não combinar com os suntuosos figurinos da história.

Se conseguir driblar tal empecilho, Tempo de Amar pode conseguir conquistar o público. Qualidades para isso, o primeiro capítulo já deixou claro que a novela tem.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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