Sucesso da reprise de Avenida Brasil mostra que a trama não envelheceu

Oito anos depois, a vingança de Nina (Débora Falabella) segue irresistível

Publicado há 4 meses
Por André Santana
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Na reta final, a reapresentação de Avenida Brasil no Vale a Pena Ver de Novo mobilizou a audiência mais uma vez. A trama de João Emanuel Carneiro demonstrou o mesmo poder magnético de sua exibição original, em 2012. O que não deixa de ser curioso. Afinal, a trama da vingança de Nina (Débora Falabella) tem como pano de fundo um momento do Brasil que já não condiz com a realidade, o que poderia deixar a trama datada.

Todo o contexto de Avenida Brasil está baseado na dita “ascensão da classe C”, um momento econômico do país no qual houve um aumento do poder aquisitivo das classes mais populares. Isso guia a trajetória de Tufão (Murilo Benício), um homem simples que enriquece por conta do futebol, mas não abandona as origens. Enquanto isso, Avenida Brasil foca seu núcleo de humor na Zona Sul carioca. Ou seja, há uma subversão do que comumente se via nas novelas, que trazia dramas da classe média alta no centro do enredo e relegava aos menos abastados as cenas cômicas.

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Assim, Avenida Brasil se tornou um reflexo de seu tempo, e muitos críticos apontaram este como um dos fatores que levaram ao sucesso retumbante. Mas, como se vê na reprise, esta não é a única explicação. Afinal, hoje vivemos uma crise econômica que mudou todo este cenário. Mesmo assim, a história de Carminha (Adriana Esteves) segue encantando. Ou seja, há mais ingredientes na novela que sustentam o seu sucesso.

Trama clássica

Na realidade, o grande “segredo” de Avenida Brasil é que sua trama principal é bem simples e facilmente assimilada pelo público. Nina e Carminha protagonizam uma rivalidade clássica, a da mocinha que quer se vingar de uma vilã que fez muito mal a ela no passado. Com este enredo básico, o autor brinca com elementos da fórmula, invertendo uma coisa aqui ou ali. A maior subversão proposta foi o fato de Nina, a mocinha, enganar Carminha, a vilã, durante boa parte da novela. Normalmente, é o contrário.

Esta trama básica, mas bem temperada, somada ao carisma irresistível das personagens principais, torna Avenida Brasil uma novela com alto poder de sedução. Além disso, há que se valorizar o excelente texto, com frases mordazes e cheias de referências e ironias. Também há sacadas inteligentes, como o fato de Nina soltar pistas para Tufão sobre a traição de Carminha lhe indicando leituras diversas. Por fim, a arquitetura do folhetim, com ganchos muito bem armados, ajudam a manter a atenção, além do ritmo ágil e cheio de reviravoltas.

Ou seja, foi uma trama em que tudo funcionou harmonicamente. Texto inspirado, ótimas interpretações, uma direção criativa e muita emoção fazem de Avenida Brasil um clássico recente. E clássicos, como se sabe, não envelhecem.

E no dia 1º de maio, substituindo Avenida Brasil, está de volta no Vale a Pena Ver de Novo a reprise de Êta Mundo Bom!

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo. 

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