Soturna, Rock Story estreia com muita ação e nenhuma comédia

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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Depois de uma sequência de novelas leves, engraçadas e água-com-açúcar, o horário das sete da Globo levou um chacoalhão com a estreia de Rock Story na noite desta quarta-feira (09). A trama da estreante Maria Helena Nascimento, supervisionada por Ricardo Linhares, é bem mais pretensiosa do que os folhetins praticamente a prova de erros exibidos anteriormente. Sai o colorido e a descontração de Haja Coração e entra uma história um tanto mais densa, soturna e, até aqui, sem muito espaço para o riso.

O primeiro capítulo da nova trama foi eficiente ao apresentar os personagens principais. O protagonista Gui Santiago (Vladimir Brichta) já surgiu em cena num show de rock, seguido de uma série de arroubos de (mau) humor. Um tanto grosseiro, já tratou de jogar uma garrafa num fã que cometeu o “crime” de conferir o celular durante a sua apresentação. Na sequência, tascou a mão em Léo Régis (Rafael Vitti), a quem acusou de roubar sua canção, “Sonha Comigo”. Depois, mais brigas: desta vez com a mulher (ou ex-mulher) Diana (Alinne Moraes), tão intempestiva quanto, que não perdoou ver o pai de sua filha esmurrando o ídolo da garota. Pra finalizar este dia movimentado, um filho adolescente que o roqueiro nem se lembrava que existia foi despejado de bandeja em sua casa.

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Na outra ponta da história, a mocinha Júlia (Nathalia Dill) está prestes a viajar aos EUA para visitar a irmã gêmea, mas é usada sem saber pelo namorado para transportar drogas. Presa em flagrante, a jovem consegue fugir da polícia em sequências bem movimentadas, que envolveu um desmaio ainda no aeroporto e um acidente de trânsito que afetou a ambulância que a levava. Logo ela descobre que o namorado não vale nada e acaba perseguida pelos comparsas do moço. Em fuga, resolve se passar pela irmã gêmea e acaba esbarrando em Gui, em quem lança um beijo apaixonado para evitar ser pega pelos bandidos.

Ou seja, não faltaram brigas, ação e muita movimentação no primeiro capítulo de Rock Story. Tudo mostrado com uma fotografia um tanto escura e sombria, uma “câmera nervosa” que parece saída de Babilônia (Dennis Carvalho é o diretor artístico das duas obras), e um universo que, embora esteja envolto num clima musical, não tem nada de sonho ou de fantasia (ao menos até aqui). Um exemplo de que Rock Story é mais “pé no chão” que suas antecessoras é a comunidade onde Zac (Nicolas Prattes), o filho de Gui, vive: bem realista, distante do Borralho, de Cheias de Charme, ou a Paraisópolis de I Love Paraisópolis. Outra novidade é o protagonista explosivo, que apareceu berrando em boa parte do episódio. Será que um herói um tanto grosseiro cairá nas graças do público do horário?

O texto de Maria Helena Nascimento é muito bom. A autora conseguiu fazer um primeiro capítulo redondo, que soube apresentar os personagens e as tramas principais sem ser excessivamente didática. Dinâmico, o episódio apresentou novidades a todo o momento, não dando chances de o espectador piscar. Por fim, terminou com um bom gancho no qual entrelaçou as trajetórias de Gui e Júlia, deixando já um gostinho de uma história de amor. No entanto, o drama e a ação imperaram em Rock Story, e o humor quase não foi visto. Apenas a sequência no qual Léo Régis surge num hospital cuidando dos ferimentos causados pelo soco de Gui conseguiu arrancar um riso da plateia. O cantor apareceu deslumbrado com a fama e preocupado com a aparência, mandando beijos para as fãs afoitas que o aguardavam. Uma divertida e oportuna brincadeira com a afetação de alguns ídolos e hoje.

Ou seja, o primeiro capítulo de Rock Story foi bom. Mostrou que tem uma história a contar, personagens interessantes e boas manobras narrativas. No entanto, ela destoa completamente das comédias e das tramas com cara de fábula vistas até aqui na faixa, o que pode causar certa estranheza entre o público do horário. Superada esta impressão inicial, tem tudo para decolar. E cá entre nós: será uma ironia ou uma coincidência o fato de o protagonista se chamar Guilherme Santiago, um roqueiro com nome de dupla sertaneja?

André Santana é autor do livro “Tele-Visão: A Televisão Brasileira em 10 Anos”, uma publicação da Editora E. B. Ações Culturais, impressa e distribuída pelo site Clube de Autores, e está à venda em versão impressa e e-book, apenas pela internet. É possível adquiri-lo clicando AQUI .

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