Sob Pressão e Carcereiros são exemplos da evolução das séries da Globo

Publicado há 2 anos
Por André Santana
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Com experiência de sobra no ramo das novelas, a Globo sempre penou para buscar sua própria identidade no segmento das séries de televisão. Durante anos, o que se via eram tentativas vãs. Normalmente, uma série da Globo era um produto com cara e jeito de novela, apresentado em episódios semanais isolados e sem muita inventividade. Mas isso mudou. As séries Sob Pressão e Carcereiros, atualmente em exibição, deixam isso bem claro.

Sob Pressão retornou após o sucesso de público e crítica de sua primeira temporada, exibida no ano passado. A série médica é um acerto em vários sentidos. Afinal, ela utiliza um formato consagrado mundialmente, o do drama hospitalar, e o adapta à realidade brasileira. Assim, ao narrar a saga de um médico idealista lidando com as dificuldades da saúde pública do país, o programa não só conta boas histórias. Mas também tem um caráter de denúncia e prestação de serviço. É entretenimento que provoca reflexão.

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Além disso, sua estética nada tem a ver com as novelas da Globo. A locação e a iluminação emulam a realidade, os takes são cinematográficos e a atuação é extremamente naturalista. E ainda, o roteiro é muito bem construído, sobretudo no que se refere ao desenho dos personagens. Evandro (Julio Andrade) poderia ser um chato por conta de seu idealismo, mas ele é um homem de carne e osso, que erra e se contradiz. Carolina (Marjorie Estiano), sua parceira e namorada, também é alguém reconhecível. Tudo isso dá à Sob Pressão um vasto material, que pode fazer com que a série tenha vida longa. Histórias não faltam.

Carcereiros alia dramaturgia e documentário

Carcereiros também mostra a evolução da Globo no campo das séries. A trama trata de um assunto da realidade brasileira, e também é focada num herói que é, ao mesmo tempo, um anti-herói. Adriano (Rodrigo Lombardi) é um homem de carne e osso, que sofre na pele o duro cotidiano do precário sistema carcerário brasileiro. Paralelamente, depoimentos de personagens da série se fundem a personagens “reais”, aprofundando a questão.

Assim como Sob Pressão, Carcereiros conseguiu criar um universo particular, que não tem a ver com as novelas da Globo, e nem com as outras séries. O drama conta ainda com um roteiro redondo, e que vai se aprofundando no decorrer dos episódios. Nesta “segunda parte da temporada”, Adriano vê seus conflitos irem além dos muros da prisão quando sua profissão começa a afetar seu casamento de maneira significativa.

Deste modo, a Globo vem fazendo apostas certeiras no nicho das séries. A emissora vem aperfeiçoando suas produções em busca de novas linguagens e, principalmente, de olho no mercado internacional. Afinal, as séries são uma tendência audiovisual mundial. E a Globo, uma das maiores produtoras de entretenimento do mundo, quer sua fatia deste bolo.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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