Sem surpresas, O Outro Lado do Paraíso estreia com belas imagens e boas atuações

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Como já é de praxe na obra do diretor artístico Mauro Mendonça Filho, o primeiro capítulo da novela O Outro Lado do Paraíso chamou a atenção, principalmente, pela bela fotografia. Ao explorar a paisagem peculiar do Jalapão, no Tocantins, abusando do tom bucólico, a trama apresentou um primeiro capítulo com cores cinematográficas, impressão que foi reforçada com os créditos rolando nas imagens que abriram a história, expediente que o diretor já havia impresso em Verdades Secretas.

Além das belas imagens, o espectador de O Outro Lado do Paraíso foi brindado, também, pela presença marcante de dois medalhões da teledramaturgia: Fernanda Montenegro e Lima Duarte. Ela é a figura um tanto mística que ajuda a mocinha Clara (Bianca Bin) a seguir o seu caminho após a trágica morte de seu pai, enquanto ele é o avô que também dá suporte à heroína.

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Já Bianca Bin, do alto de sua já ampla experiência em mocinhas, surge bem segura como a protagonista da vez. Rafael Cardoso, também já bem experiente em mocinhos, segue correto como mais um deles, enquanto Sergio Guizé dá aquele ar meio desajustado ao antagonista Gael. Nem de longe lembra o ingênuo Candinho. O primeiro bloco explorou esta trinca principal e as conexões entre eles.

Já o segundo bloco apresentou Gloria Pires como a mocinha madura do enredo. Saltando do ambiente rural para o urbano, a trama mostrou Elizabeth , seu marido Henrique (Emílio de Melo) e seu sogro, Natanael (Juca de Oliveira). Em pouco tempo, entendemos que Elizabeth sofre com as ausências do marido, enquanto o sogro deixou claro que não a aceita como nora e já arma para separar o casal. Aqui, outras boas atuações, sobretudo Gloria, com sua sempre espantosa naturalidade em cena.

Por fim, no terceiro bloco, fomos apresentados à grande vilã da história, Sophia, outra personagem de alta voltagem de Marieta Severo. Mãe de Gael, que, a esta altura já está enamorado de Clara, a ricaça falida quer que o filho se arranje com uma mulher rica e já se coloca contra a mocinha, mas foi só sacar que as terras da moça podem estar cheias de esmeraldas que a coisa mudou de figura. Foi neste núcleo que o autor Walcyr Carrasco começou a colocar em prática seu arsenal de diálogos de mau gosto, com a tola discussão sobre a vida sexual da empregada.

No entanto, no geral, o primeiro capítulo de O Outro Lado do Paraíso foi ágil sem ser muito apressado, e foi eficiente na missão de apresentar seus principais personagens e sua espinha dorsal, sem ser excessivamente didático. O que é até uma surpresa em se tratando de Walcyr Carrasco, famoso pela sua total falta de sutileza. A trama, sabe-se, descambará para uma história de vingança. Mas as peças são boas, e conhecendo a habilidade de Carrasco de agradar à audiência, é bem provável que O Outro Lado do Paraíso seja mais um sucesso em seu currículo. O autor está muito bem servido de diretor e atores.

A Força do Querer marcou ao apresentar histórias de mulheres fortes

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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