São Paulo feia, suja e malvada embala Manhãs de Setembro

Série protagonizada por Liniker é drama não convencional e uma grata surpresa na Amazon Prime Video

Publicado em 9/7/2021
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Pessoas pobres que moram dentro de carros velhos embaixo de viadutos, pessoas pobres que conseguem alugar uma quitinete num prédio antigo do centro velho da cidade, pessoas que trabalham e se divertem no centro velho e sujo. O Amazon Prime Video encomendou uma produção original brasileira filmada num lado nada glamouroso do Centro de São Paulo, mas que é também uma parte importante dessa metrópole de tantas nuances e diferenças sociais.

O tom cinza predomina em toda a fotografia, as noites são escuras ou de chuva e a protagonista é uma personagem transexual, vivida lindamente pela cantora Liniker. Numa motocicleta velha, ela trabalha e se sustenta como entregadora de produtos via aplicativos. À noite, faz cover da cantora Vanusa, numa boate decadente da região.

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São cinco episódios de meia hora cada, o que poderia resultar num longa-metragem um pouco maior que o habitual, mas que valem ser assistidos em partes mesmo, de modo a se assimilar as marretadas que vêm a cada episódio.

O ponto de partida de Manhãs de Setembro não é original. Bebe na fonte de Pedro Almodóvar, o diretor espanhol que desde o início dos anos 90 tanto inovou com seus filmes cheios de histórias de diversidade de gênero.

Mas Espanha não é Brasil e as questões por aqui quase sempre também esbarram em elementos de pobreza e falta de proteção social.

Cassandra, a personagem de Liniker, carrega em si várias facetas: a amante apaixonada do garçom casado Ivaldo (Thomás Aquino), trabalhadora precarizada, artista que não consegue viver de sua arte, mas que não se vitimiza e vai à luta.

Leide (a excelente Karine Teles) surge um belo dia apresentando o garoto Gersinho (Gustavo Coelho) como filho de Cassandra, fruto de uma noite de bebedeira anos atrás, fazendo a vida de todos virar de cabeça pra baixo.

O filho é teu

Cassandra, ao se deparar com um filho que nunca desejou, torna-se anti-heroína, exibindo uma faceta de egoísmo e indiferença. Retrata pelo lado do avesso um sistema de abandono parental que traz tantas consequências trágicas na sociedade.

Mas a frieza de Cassandra diante da criança é só um sinal de defesa diante de um mundo que sempre lhe foi hostil. O olhar de naturalidade e aceitação do garoto para o pai que é mulher é um dos lances mais encantadores da trama.

A história flui, com lances de leveza em meio a tanto cinza de uma cidade feia e suja. Os desdobramentos na vida desses membros de uma família tão desestruturada encaixam-se no ritmo de uma vida louca que corre no centro. Desemprego, falta de perspectivas mas também solidariedade e esperança se alternam na vida dos personagens.  

Ainda, vale destacar a presença de Paulo Miklos, do Titãs, e do ator Gero Camilo, que formam um casal de muito respeito.  

Fica a expectativa de que venha uma nova  temporada desta série, que é produzida pela O2 Filmes, tem direção de Luis Pinheiro e Dainara Toffoli. A ideia original é de Miguel de Almeida.

As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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