Salve-se Quem Puder tem premissa original, mas conta a mesma história de sempre

Publicado há 7 meses
Por André Santana
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Salve-se Quem Puder estreou com uma interessante premissa, baseada no programa de proteção à testemunha. Ao colocar suas três protagonistas dentro do programa que as força a trocar de identidade, o autor Daniel Ortiz abriu um leque de possibilidades para trabalhar na novela das sete da Globo. No entanto, o autor não reinventa a roda. A premissa original vem se desdobrando em tramas já bastante conhecidas do público.

Inicialmente, Salve-se Quem Puder remetia a Pé na Jaca. Quando Luna (Juliana Paiva), Alexia (Deborah Secco) e Kyra (Vitória Strada) trocaram de identidade e tiveram que passar uma temporada na roça, a situação lembrava muito a chegada de Arthur (Murilo Benício) e sua família ao sítio do tio José (Leonardo Villar). A casa caindo aos pedaços, as dificuldades em lidar com os animais e a falta de recursos apareceram nas duas tramas.

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No entanto, o momento Pé na Jaca de Salve-se Quem Puder durou pouco. E outra obra de Carlos Lombardi passou a servir de inspiração: Quatro por Quatro. O fato de Kyra e Alexia combinarem “trocar de vida” para ajudar uma a outra remeteu ao plano de vingança das quatro protagonistas da novela de 1994. Assim, as duas deverão passar por situações semelhantes e também se verão profundamente envolvidas nas vidas uma da outra.

Busca pela mãe

Além de ter Carlos Lombardi como inspiração, Daniel Ortiz também se inspira nele mesmo. A saga de Luna em busca da mãe faz o novelista repetir uma trama vista em Alto Astral, sua novela de estreia como autor titular. Nesta trama de 2015, a mocinha Laura (Nathalia Dill) passou a novela toda atrás da mãe que não conhecia. Mas, em Salve-se Quem Puder, a situação se inverteu: Luna já sabe quem é a mãe e tenta se aproximar dela.

Outra história já revisitada algumas vezes é o plot envolvendo Kyra babá. Agora chamada de Cleyde, a jovem foi a única babá capaz de conquistar os filhos de Alan (Thiago Fragoso). E, de quebra, deve conquistar o “patrão”. Ou seja, trata-se de uma trama a la Noviça Rebelde, que rendeu inspirações variadas, como em Era Uma Vez… (1998). Ou a mexicana Meu Coração É Teu, em cartaz atualmente no SBT.

Repetir tramas não é um demérito, pelo contrário. Afinal, há uma máxima que repete que uma novela conta a mesma história de sempre, e o que muda é o jeito de contar. Isso se aplica a Salve-se Quem Puder, que, aliás, está indo muito bem em audiência. Ou seja, o público aprovou o jeito com que Daniel Ortiz conta a mesma história de sempre. Mérito dele.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo. 

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