Ricardo Boechat morre aos 66 anos e deixa lacuna no jornalismo

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Pegou a todos de surpresa a notícia da morte do jornalista Ricardo Boechat, no início da tarde desta segunda-feira, 11 de fevereiro, aos 66 anos. O âncora do Jornal da Band havia ido à cidade de Campinas para uma palestra pela manhã. Na volta, o helicóptero no qual se encontrava caiu em plena Rodovia Anhanguera, onde chocou-se com um caminhão. O piloto Ronaldo Quattrucci também faleceu no acidente.

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Ricardo Boechat vivia um bom momento na carreira. Além de ancorar o Jornal da Band, o jornalista também fazia comentários sobre a cena política brasileira na Rádio Band News FM. Todas as manhãs, ia ao ar o programa A Notícia Com Ricardo Boechat. Os comentários eram transmitidos no matutino Café Com Jornal, da emissora de TV. A revista Istoé trazia a seus leitores uma coluna assinada pelo jornalista. Na década de 1990, Boechat era comentarista do Bom Dia Brasil, na Rede Globo.

A consternação foi tamanha entre os colegas de Ricardo Boechat na Rádio Band News FM que, pouco após a confirmação de sua morte, ficou alguns minutos tocando apenas a vinheta da emissora. De fato, como no dito popular, para morrer basta estar vivo. Pela manhã tudo correu normalmente, com a participação de Boechat na rádio. Posteriormente ele seguiu para um evento com representantes da indústria farmacêutica. Era esperado na sede do Grupo Bandeirantes de regresso por volta do meio-dia.

A carreira de Ricardo Boechat no jornalismo brasileiro

Ricardo Boechat iniciou sua carreira no jornalismo na década de 1970, no jornal Diário de Notícias. Numa coluna de notas sociais, aplicou o que aprendeu na juventude com um mestre do setor, Ibrahim Sued. No ano de 1983, entrou para O Globo. Durante a gestão de Moreira Franco no estado do Rio de Janeiro (1987-1991), Boechat ocupou a Secretaria de Comunicação Social por seis meses. Voltou para O Globo em 1989, assinando a coluna “Swann” (posteriormente rebatizada com seu nome), e de 1997 a 2001 fez comentários no Bom Dia Brasil. Já nos anos 1990 o estilo “doa a quem doer” do profissional incomodava muita gente.

O Dia, Jornal do Brasil e O Estado de S. Paulo foram outros veículos que contaram com Boechat em seus quadros. Além disso, o jornalista publicou em 1998 o livro Copacabana Palace – Um Hotel e Sua História (DBA), na celebração dos 75 anos deste que é um símbolo carioca.

Desde os anos 2000, Ricardo Boechat integrava a equipe do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Inicialmente, no cargo de diretor de Jornalismo do Rio de Janeiro. Com a saída de Carlos Nascimento para o SBT, Boechat foi alçado à posição de âncora do Jornal da Band, em 2006. Ademais, no Prêmio Comunique-se, foi um dos recordistas de vitórias e o único a vencer em três categorias diferentes. A saber: Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de Televisão.

Veja também: Band atinge audiência histórica com cobertura sobre a morte do jornalista Ricardo Boechat

Uma triste coincidência no último comentário de Ricardo Boechat

O tema de sua última participação no rádio, ironicamente, foi a sucessão de tragédias ocorridas no Brasil nos últimos dias. Brumadinho, chuvas no Rio de Janeiro, incêndio no alojamento do Flamengo… E agora uma tragédia para o jornalismo, e para o pensamento brasileiro, com a morte de uma figura respeitada pela ausência de papas na língua. Além do talento, claro. Um dos casos que marcaram, com toda a certeza, foi uma resposta de Boechat a Silas Malafaia, em 2015. Ao ser criticado por este em relação a um comentário seu a respeito do comportamento intolerante de algumas pessoas ditas evangélicas, o jornalista perdeu a linha. Na ocasião, uma menina de 11 anos havia levado uma pedrada na cabeça por ser praticante de candomblé.

Ainda que eventualmente discordassem, Boechat e os ouvintes, telespectadores e leitores sempre se respeitaram mutuamente. E se prestigiaram com a mesma consideração. Com efeito, fará falta uma voz como a de Ricardo Boechat. Afinal, ele desagradava em geral somente àqueles atingidos por sua crítica ferina, sem pedantismo nem partidarismo, compreensível pelo povo e que o alertava para o descalabro que assola o País. Que ele descanse em paz.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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