Reprisada pela segunda vez, Chiquititas 2013 é a melhor adaptação de novela infantil do SBT

Adaptação de Íris Abravanel amarrou várias pontas soltas da primeira versão

Publicado há 5 meses
Por André Santana
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O hiato entre As Aventuras de Poliana e Poliana Moça, causado pela pandemia do novo coronavírus, obrigou o SBT a partir para a terceira exibição de Chiquititas, a versão 2013. A reapresentação da trama de Íris Abravanel, baseada no original de Cris Morena, reafirma que se trata da melhor dentre as versões de novelas infantis produzidas pela emissora.

Em 2013, Chiquititas substituiu Carrossel, também adaptada por Íris Abravanel. Apesar do imenso sucesso, a versão escrita pela mulher de Silvio Santos do clássico mexicano perde em alguns pontos na comparação. A versão brasuca é mais lúdica e foge de polêmicas, ao contrário da versão exibida em 1991, que era mais dramática e colocava o dedo na ferida em questões sérias, como o racismo.

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No entanto, quando a autora adaptou Chiquititas, o know-how adquirido na trama anterior lhe deu a segurança necessária para corrigir vários dos pontos negativos da primeira versão, exibida entre 1997 e 2001. A primeira versão é um clássico incontestável, mas, sem dúvidas, tem escorregões sérios no enredo.

Por ser dividida em temporadas e promover uma rotatividade no elenco, a primeira versão de Chiquititas deixa várias histórias pelo caminho. O conflito de Mili (Fernanda Souza), por exemplo, dura apenas duas temporadas e deixa várias pontas soltas. Os segredos da origem da órfã dão a tônica da primeira temporada, mas perdem força na segunda. Depois, são retomados às pressas, apenas para que Mili saia da história. E Chiquititas segue sem sua protagonista mirim nas temporadas seguintes.

Além disso, o troca-troca de elenco fez com que vários personagens ficassem sem despedidas convincentes. O caso mais emblemático é de Dani (Gisele Medeiros), que vive muitos dramas, já que fica órfã, perde o movimento das pernas e passa por muitos perrengues para poder ser adotada pela madrinha, Carol (Flavia Monteiro). Mas, no fim, seu pai aparece do nada e a leva embora, numa situação que apenas é citada no enredo.

Para piorar, ele leva Binho (Luan Ferreira) junto, sem motivo aparente, apenas para justificar a ausência do personagem. E repito: tudo isso foi apenas citado na novela. Não houve qualquer cena de despedida. E estes são apenas alguns exemplos das várias falhas da primeira versão de Chiquititas.

Segunda versão

Já na versão escrita por Íris Abravanel, houve a preocupação de não dividir a história em temporadas. Assim, apesar de ser uma novela longa, Chiquititas conta apenas uma grande história. Somente esta decisão já fez com que o conflito de Mili (Giovanna Grigio) fosse mais bem explorado, com vários acontecimentos que a levam ao seu final feliz ao lado da mãe.

Paralelamente, Íris Abravanel vai injetando personagens que, na versão anterior, apareciam nas temporadas seguintes. Isso foi possível porque a autora explorou melhor o cenário escolar, onde os internos do orfanato estudavam. Isso fez com que eles tivessem contato com outras crianças, ampliando o universo da novela. Na versão original, isso acontecia apenas em meados da segunda temporada, quando o orfanato se muda para uma rua mais movimentada e os vizinhos passam a fazer parte do enredo.

Além disso, a versão original apresentava um pretendente diferente para Carolina a cada temporada. Já a versão de 2013 explorou melhor o relacionamento de Carol (Manuela do Monte) e Junior (Guilherme Boury).

E assim, Fernando, que na versão original era o “mocinho” da segunda temporada (vivido por Nelson Freitas), aparece como antagonista em Chiquititas 2013 (na pele de Paulo Leal). Com isso, Andrea, que na versão original era ex-namorada de Fernando (vivida por Bianca Rinaldi), agora ressurge como ex de Junior (interpretada por Thais Pacholek).

Por promover estas correções de rota, a adaptação de Chiquititas assinada por Íris Abravanel se mostra como a melhor das adaptações infantis realizadas pelo SBT. Carinha de Anjo, de 2015, foi outra boa produção, mas não teve grandes diferenças com relação ao original. Já Chiquititas corrigiu falhas e se mostrou um folhetim por inteiro. Funcionou direitinho.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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