Repetindo vícios de novela, Z4 tem estreia fraca

Publicado há 2 anos
Por André Santana
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Com uma dramaturgia infanto-juvenil cada vez mais sólida, o SBT faz mais uma investida no filão com a série Z4. Coprodução com a Disney, a atração aposta em música e atores jovens e bonitos para atrair crianças e adolescentes. Uma mistura que tem tudo para agradar. No entanto, ao menos nesta estreia, Z4 não foi muito feliz. Com ritmo de novela, a série teve um início truncado.

Apesar de se vender como uma série juvenil, Z4 tem estrutura e jeito de novela, trazendo muitos personagens espalhados em núcleos variados. Ao narrar a formação de uma boy band por um famoso produtor musical, a trama da série enfoca quatro jovens diferentes. Luca (Pedro Rezende), Paulo (Gabriel Santana), Rafa (Matheus Lustosa) e Enzo (Apollo Costa) são os integrantes da boy band, liderados pelo produtor Zé Toledo (Werner Schünemann) e sua filha, a coreógrafa Pâmela (Manu Gavassi).

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O problema é que o episódio de estreia tentou emular um primeiro capítulo de novela, com todo o ônus que esta decisão carrega. Deste modo, para mostrar os quatro meninos, a estreia de Z4 focou em cada um deles e suas respectivas famílias. Assim, vimos Luca em ação como “digital influencer” e conhecemos sua família hippie. Vimos também a casa de Paulo, onde vive com sua mãe Fátima (Negra Li) e sua irmã. Enzo também apareceu em cena conversando com os pais, Maria Lúcia (Patrícia de Sabrit) e Humberto (Flavio Faustinoni). Depois, Enzo já surgiu numa escola de artes, onde fez uma amizade apressada e improvável com Alfredo (César Pezzuoli), que toca a lanchonete do lugar. Logo em seguida, ele já conhece a esposa dele, Emília (Bárbara Bruno), e Rafa, filho deles. Mal se cumprimentam e Rafa já entrega a Enzo um caderno com suas composições. Ufa!

Z4: muita informação para pouco tempo

Como o episódio tem apenas 30 minutos de duração, toda esta sequência foi mostrada de maneira apressada, com muitos personagens desfilando pela tela. E em cenas bem curtas, que pouco ajudaram o espectador a entender quem é quem. E, para piorar, o roteiro se viu na obrigação de mostrar a boy band que dá nome à série ainda no primeiro episódio. Zé Toledo, então, apenas bate o olho em cada um dos quatro garotos e já os escolhe para seu projeto. Fim do episódio.

Cada um dos quatro integrantes da Z4 acaba liderando um núcleo diferente. E todos eles tiveram espaço nesta estreia. Com isso, Z4 teve pouco tempo para apresentá-los adequadamente, o que levou ao surgimento de várias situações que soaram forçadas. Ao final do episódio, ficou a sensação de que nada aconteceu direito. Isso porque Z4 tem uma estrutura mais folhetinesca, bebendo muito pouco da narrativa seriada. Com isso, o episódio não conseguiu comportar tal estrutura eficientemente.

No entanto, Z4 tem grife. Além do know-how do SBT e da Disney na produção de dramaturgia juvenil, a série conta com direção de Márcio Trigo, experiente no filão. Além disso, conta com nomes de peso no elenco, como Werner Schünemann e Bárbara Bruno, que imprimem credibilidade à obra. E também resgata nomes conhecidos, como Negra Li e Patrícia de Sabrit. Mas falta desacelerar um tanto. Vamos ver se, nos próximos episódios, Z4 consegue se tornar mais harmônica.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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