Repetindo o sucesso da exibição original, Êta Mundo Bom! é o “suprassumo” da obra de Walcyr Carrasco

Trama marcou o retorno do novelista às seis, faixa onde emplacou seus melhores trabalhos

Publicado há um mês
Por André Santana
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A Globo nem teve tempo para lamentar o fim da reprise de Avenida Brasil no Vale a Pena Ver de Novo. Sua sucessora, Êta Mundo Bom!, vem mantendo em alta a tradicional faixa de reprises, ao resgatar mais uma obra de Walcyr Carrasco. E o sucesso não é por acaso: a trama de 2016 reúne todos os ingredientes que consagraram o autor, sobretudo nas suas incursões no horário das seis.

É fato que Walcyr Carrasco é um novelista que divide opiniões. Sua obra é caracterizada por viradas rocambolescas, diálogos infantis como “jogral”, incoerências e muito didatismo. Entretanto, se no horário das nove estas características incomodam a crítica e parte do público (embora funcionem, vide o sucesso de todas as suas tramas), na faixa das seis elas caem como uma luva. Isso porque o autor se propõe a narrar uma comédia romântica de época, com um tom ingênuo, mas alguma dose de pimenta, que casam perfeitamente com o horário.

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Foi esta fórmula que consagrou Carrasco na Globo, principalmente nas novelas O Cravo e a Rosa e Chocolate com Pimenta (A Padroeira e Alma Gêmea também, mas estas duas tinham um lado dramático mais acentuado). Com o sucesso de suas novelas das seis, Carrasco foi credenciado a outros horários, abrindo uma lacuna na faixa. Assim, Êta Mundo Bom! promoveu um bom resgate desta fórmula eficaz e deliciosa que o autor impôs ao horário quando chegou à Globo. Fazia falta.

Trama simples e divertida

Êta Mundo Bom! tem muito de O Cravo e a Rosa e Chocolate com Pimenta. O autor aposta numa trama principal simples e certeira, sem fugir do folhetim tradicional. Mas a tempera com uma gama de personagens carismáticos, que sustentam os capítulos mesmo quando a história não anda muito. No caso específico de Êta Mundo Bom!, seu grande acerto foi o protagonista Candinho, um tipo adorável, ingênuo e divertido, que encontrou em Sergio Guizé um intérprete à altura. O otimismo exacerbado de Candinho, que poderia aborrecer, não o prejudica porque Guizé imprimiu-lhe uma humanidade interessante.

Ao redor dele, claro, um núcleo cômico “caipira”, com uma história que anda em círculos, mas de grande apelo. Cunegundes (Elizabeth Savalla) e Quinzinho (Ary Fontoura) ficam às voltas com a venda de uma fazenda caindo aos pedaços, com situações que divertem justamente pela repetição. Besteiróis como Eponina (Rosi Campos) e Mafalda (Camila Queiroz) tentando desvendar os segredos do “cegonho” dão aquela dose de inocente malícia que se mostra irresistível. E são apenas alguns exemplos de personagens que conseguem segurar os capítulos e manter o público ligado.

Por essas e outras, Êta Mundo Bom! marcou um retorno bem-vindo de Carrasco ao horário das seis, faixa onde emplaca seus melhores trabalhos. Sempre muito requisitado para levantar a audiência de horários mais nobres, o autor poderia encontrar uma brechinha em sua agenda para voltar à faixa que conhece tão bem. Afinal, se às nove os seus diálogos “tatibitate” irritam, às seis eles divertem horrores.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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