Record tentou, mas não conseguiu se livrar da dependência do Cidade Alerta

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Em meados do ano passado, a Record tentou qualificar sua grade, reduzindo o tempo de exibição do policialesco Cidade Alerta e preenchendo o horário com uma reprise (precoce) de Os Dez Mandamentos e o lançamento de jornais locais. Mas a audiência caiu, e o canal, após muito bater cabeça, retomou a grade antiga nesta semana.

Desde a última segunda-feira (29), Cidade Alerta voltou a ter três horas de duração (e retomou sua exibição em rede nacional) e a reprise de Os Dez Mandamentos entrou no horário de Belaventura, que chegou ao fim. A mudança foi positiva: a audiência do canal subiu e a Record retomou a vice-liderança perdida para o SBT durante as exibições de Cidade Alerta e a novela de Moisés (Guilherme Winter). A mudança só não conseguiu alavancar Apocalipse, que foi mesmo rejeitada pelo público.

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Ou seja, o “tira, põe e deixa ficar” expõe a dependência da emissora em relação ao Cidade Alerta. A direção da Record tentou variar e qualificar sua grade, mas o jornal policial ainda é uma de suas principais alavancas, senão a principal. Tanto que o jornal já saiu e voltou à grade por várias vezes, sempre que a emissora mudava sua estratégia de audiência.

E vale lembrar que muito do sucesso desta última versão do Cidade Alerta se deve ao saudoso Marcelo Rezende. Foi o jornalista e apresentador, falecido no ano passado, que catapultou a audiência do programa, ao preencher suas mais de três horas de duração com narrativas intermináveis, brincadeiras com repórteres e gracejos. Surpreendentemente, Rezende conseguiu imprimir humor num formato que, anteriormente, sempre fora conduzido com gritarias e discursos raivosos de seus comandantes, que tomavam para si a missão de serem “paladinos da justiça”. José Luiz Datena segue, até hoje, este estilo no Brasil Urgente, da Band. Rezende foi por um outro caminho e se deu bem.

Sem Marcelo Rezende e nas mãos de Luiz Bacci, Cidade Alerta perdeu muito das “gracinhas”. Bacci costuma comandá-lo com sorrisos e simpatias sempre que possível, mas, acertadamente, não tentou imitar Rezende. No entanto, falta à Bacci o estofo de seu antecessor. Apesar de estar há anos na TV, Luiz Bacci é jovem e ainda falta algum traquejo para comandar um programa tão grande e quase sem roteiro. Assim, o apresentador acaba caindo no óbvio, com comentários cheios de lugares-comuns. “As autoridades precisam fazer alguma coisa”, “o povo que sofre” e outras frases clichês são disparadas constantemente.

Mas a audiência reagiu positivamente ao “enorme” Cidade Alerta e dará chance a Luiz Bacci de adquirir experiência. Cidade Alerta é um produto importante para a Record e a emissora vai pensar mais do que duas vezes antes de tentar reduzi-lo novamente.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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