Record acerta com reprise de Ribeirão do Tempo

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Uma das coisas boas da queda da classificação indicativa vinculada a horários é o fato de, agora, as emissoras se sentirem mais livres para promover reprises de produtos cuja classificação etária não se enquadraria no período da tarde. Claro, com os devidos cortes e adaptações, mas as reprises se tornaram possíveis, coisa que antes não era. Celebridade, uma das novelas mais pedidas para o Vale a Pena Ver de Novo, finalmente sairá da gaveta da Globo em razão deste fato.

A Record também se beneficia disso. A emissora produziu ótimas novelas na faixa das dez entre os anos de 2006 e 2011, mas sempre foi impedida de reapresentá-las mais cedo, já que todas tinham classificação 14 anos e, portanto, só poderiam ir ao ar depois das 21h. Agora, o canal vem reapresentando algumas de suas boas novelas das dez no período vespertino, como Vidas em Jogo, e o atual cartaz, Ribeirão do Tempo.

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Ribeirão do Tempo, exibida originalmente em 2010, não foi um dos maiores sucessos da emissora, mas, sem dúvidas, foi uma de suas novelas mais inteligentes. Escrita por Marcílio Moraes, a trama se passava numa cidadezinha que dava nome à história, povoada por uma série de personagens peculiares. Com uma trama política bem forte, Ribeirão do Tempo começa quando a protagonista Arminda (Bianca Rinaldi) quer construir um resort na cidade, dividindo a população. Em pouco tempo, o imbróglio faz surgir o “Comando Invisível”, um movimento via internet criado pelo professor Flores (Antonio Grassi) que manda mensagens aos seus seguidores com intuito de incentivá-los a lutar contra a construção do resort.

Ao mesmo tempo, Flores e o mau-caráter senador Nicolau (Heitor Martinez) se unem para manipular a população de Ribeirão do Tempo, tentando dominar a prefeitura. Para isso, eles lançam um candidato de grande apelo popular, o bêbado Querêncio (Taumaturgo Ferreira), que bate de frente com o prefeito Ari Jumento (André de Biase). Todo este movimento, na verdade, esconde um plano ainda maior de Flores: ele quer fazer uma nova revolução no país!

Com um texto recheado de humor e ironias acerca da política nacional, Ribeirão do Tempo fazia uma alegoria ao país por meio de uma galeria de tipos reconhecíveis. Ao mesmo tempo, flertava com o realismo fantástico, remetendo às boas tramas de Dias Gomes, um mestre em fazer crítica política por meio da fantasia. Além disso, se revelou como uma novela “diferentona”: Arminda era uma heroína com ares de vilã, que fazia um par romântico com um detetive atrapalhado, Joca, vivido por Caio Junqueira, um galã nada óbvio.

Bem dirigida por Edgard Miranda, Ribeirão do Tempo acabou passando sem grande repercussão, o que foi uma pena, já que era uma obra de grandes qualidades (mas não chegou a decepcionar no Ibope). Por isso mesmo, a Record acertou neste repeteco, dando a chance de a novela ser redescoberta. Bons tempos em que a emissora se permitia ser mais ousada com suas produções das 22 horas. Revê-las à tarde é a oportunidade de conferir que o canal produziu boas pérolas na teledramaturgia. E Marcílio Moraes tem outra grande novela das dez no currículo: Vidas Opostas (2006). Mais um clássico que vale a pena ver de novo.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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