Reapresentação de Império deve expor buracos na trama

A revelação do grande vilão, que acontece no último capítulo, tem falhas

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Com a necessidade de sacar mais uma novela de seu arquivo para exibir no horário nobre, a Globo optou pela reapresentação de Império. Uma escolha que faz total sentido, tendo em vista a boa audiência e repercussão da novela de Aguinaldo Silva, exibida entre 2014 e 2015. No entanto, a trama tem falhas, que ficarão expostas nesta reapresentação.

Império, no geral, é uma boa novela. Após abraçar o absurdo em Fina Estampa (2011), o autor Aguinaldo Silva propôs uma trama mais pretensiosa, narrada em tom épico, como uma saga familiar bem armada. Com um excelente protagonista em mãos e uma história com elementos infalíveis, Império é uma novela atrativa.

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Sua principal atração, e também seu trunfo, é o protagonista, o Comendador José Alfredo. Numa era de novelas marcadas por protagonistas mulheres fortes, centrar a história num personagem masculino se mostrou um diferencial importante, ao menos naquele contexto. Fazia tempo que a dramaturgia brasileira não apresentava um homem herói tão rico.

O Comendador não é apenas um personagem bem escrito, como também contou com intérpretes à altura. Na primeira fase, o protagonista alçou Chay Suede ao estrelato, mostrando toda a sensibilidade do jovem ator. E, na segunda fase, Alexandre Nero convenceu como um homem maduro, cheio de cacoetes, de personalidade marcante. Um dos melhores trabalhos do ator na TV, sem sombra de dúvidas.

Dramalhão familiar

Outra boa sacada de Aguinaldo Silva foi resgatar elementos que ele já havia trabalhado numa outra novela sua, que não foi tão bem-sucedida. Império repete situações de Suave Veneno (1999), ao mostrar a saga de um homem rico, dono de um império (!), mas que enfrenta na própria família uma disputa pelo poder. As duas novelas bebem de Rei Lear, clássico de Shakespeare.

Entretanto, apesar da trama bem amarrada, o desenrolar da trama teve alguns buracos graves, que ficarão bastante expostos nesta reprise. Na época, o afastamento da atriz Drica Moraes, que vivia a vilã Cora, fez o autor mudar os rumos da narrativa, o que deixou a novela meio perdida.

O primeiro problema neste sentido foi a mudança de perfil de Cora. Inicialmente mais perigosa, ela acabou descambando para uma comicidade meio estranha. O autor chegou a justificar que mudou os rumos da vilã para poupar a atriz, que enfrentava problemas de saúde. Mesmo assim, Drica Moraes precisou deixar o elenco, e a solução foi escalar Marjorie Estiano para reassumir a personagem, que ela viveu na primeira fase.

Mesmo com a troca de atrizes, Cora acabou ficando na superfície da narrativa. A personagem foi subutilizada. E, sem a grande vilã, Aguinaldo acabou criando a figura de Fabrício Melgaço, um vilão oculto que queria destruir o Comendador.

Cuidado com o spoiler!

Para quem não se lembra, no último capítulo, é revelado que Fabrício Melgaço foi uma criação de José Pedro (Caio Blat), o filho mais velho do Comendador, aliado a Maurílio (Carmo Dalla Vecchia) e o mordomo Silviano (Othon Bastos).

A “cooperativa de vilões” ficou forçada, já que todos estes personagens já haviam interagido antes, sozinhos, e não falaram nada sobre o plano maléfico deles. Estavam fingindo para quem? Ou seja, a trama deixou pontas soltas, o que deixou claro que nem o autor sabia exatamente qual rumo seguir. A reprise vai mostrar isso.

Mas, apesar do buraco na trama central, Império tem qualidades que a credencia para uma nova apresentação. Das mais recentes, é a melhor trama de Aguinaldo Silva, figura que parece mais presente na Globo atualmente do que nos tempos em que batia cartão na casa.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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