Protagonistas apagados e excesso de tramas comprometem A Lei do Amor

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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No ar há um mês, A Lei do Amor ainda não decolou. Pior, vem perdendo terreno a cada semana. A trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari está encontrando dificuldades em envolver a audiência, que se mostra, até aqui, bastante apática diante do folhetim. Novelão clássico, celebrada como a volta das “novelas com cara de novela” na faixa das 21 horas, a história ainda não disse a que veio. Por que será que isso acontece, ainda mais depois de uma primeira fase que arrancou elogios do público e da crítica?

A explicação para a indiferença do público em relação à A Lei do Amor pode estar justamente nesta troca de fases. E não pela substituição duvidosa de atores (como Gabriela Duarte virar Regina Duarte e Vera Holtz seguir Vera Holtz), pois este tipo de estranheza costuma arrefecer após alguns dias. E sim porque, até aqui, o prólogo de A Lei do Amor ficou parecendo uma trama à parte, bastante desconexa da história que vemos atualmente no ar. Em seus primeiros capítulos, a novela foi toda centrada no casal principal, Pedro (Chay Suede) e Helô (Isabelle Drummond), e nas armações da vilã Magnólia (Vera Holtz) para separá-los. Quando saltou 20 anos no tempo, o enredo, inexplicavelmente, alterou o seu rumo. Pedro (agora Reynaldo Gianecchinni) e Helô (Claudia Abreu) ficaram diluídos diante de tantas novas histórias que foram despejadas, de uma vez, no público.

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Assim que aconteceu o atentado contra Fausto Leitão (Tarcísio Meira) e Suzana (Regina Duarte), deixando o primeiro em coma e matando a segunda, A Lei do Amor ganhou cores de trama policial. A história passou a girar em torno dos mistérios do atentado. Pedro até tenta descobrir o que aconteceu com o pai, e foi preso nos últimos capítulos suspeito de ser o mandante, mas não é figura central em torno deste eixo. Mais distante ainda está Helô, que vive a dar patadas no marido mau-caráter Tião Bezerra (José Mayer) e aturando Letícia (Isabella Santoni), sua filha voluntariosa (para não dizer chata). Pedro e Helô mal se encontram. Já descobriram a verdade sobre a armação que os separou, concluindo em definitivo os acontecimentos da primeira fase.

Enquanto isso, o público acompanha boa parte das investigações acerca do atentado contra Fausto Leitão pelos olhos do jornalista Élio Bataglia (João Campos). Élio é a criança que ajudou, sem querer, na aproximação entre Pedro e Suzana na primeira fase. Agora é um adulto, jornalista idealista, que se dedica a desmascarar os desmandos da família Leitão. Até aqui, Élio e sua busca pela verdade dominam boa parte dos capítulos, fazendo do personagem praticamente o protagonista deste momento da novela. Ou seja, um personagem que apareceu sem grande importância na primeira fase ganha, agora, status de herói da obra. E vivido por João Campos, uma cara praticamente desconhecida do público. Nada contra o trabalho do ator, que está indo muito bem, mas parece muito peso para um novato carregar, ainda mais em meio a um elenco lotado de medalhões.

Para piorar, Élio também faz parte de uma ciranda juvenil que ocupa a maior parte dos capítulos de A Lei do Amor, fazendo da trama praticamente uma Malhação em horário nobre. Nesta salada há Analu (Bianca Müller), Camila (Bruna Hamu), Aline (Arianne Botelho), Jéssica (Marcella Rica), Edu (Matheus Fagundes), Wesley (Gil Coelho), Marcão (Paulo Lessa), Antônio (Pierre Baitelli), Xanaia (Bella Piero)… e mais uma porção! Rostos ainda pouco conhecidos do público, o que causa certa dificuldade de assimilação. E, além destes, há ainda figuras mais conhecidas, como a própria Isabella Santoni, que vive Letícia, e também Maria Flor (Flavinha), Humberto Carrão (Tiago) e Alice Wegmann (Isabela). Os dois últimos, aliás, já “roubaram” de Pedro e Helô a função romântica da trama, e vivem um casal fofo que encontra sérias dificuldades em ficar juntos. Esta história vem ocupando boa parte dos capítulos. Isso sem falar de outros núcleos desconexos, como a pensão de Zuza (Ana Rosa) e a casa de Mileide (Heloisa Périssé).

Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari são adeptos de lançar mão de diversos personagens e tramas variadas em suas novelas. Foi assim em Ti Ti Ti e Sangue Bom, no horário das sete, com muitos atores e núcleos jovens fortes, caracterizados por diferentes histórias de amor. Mas em A Lei do Amor parece que pesaram a mão na criação, acrescentando muitas tramas paralelas que acabaram por desviar a atenção do que seria a trama central do enredo. Assim, quem comprou todo o romantismo e as intrigas da primeira semana da novela acabou ficando a ver navios, pois nada daquilo se mostrou verdadeiramente importante para a continuidade da narrativa.

A Lei do Amor não é uma novela ruim. Longe disso. Tem uma boa história para contar e é muito bem escrita. Um novelão despudorado, que lança mãos dos mais diversos artifícios e intrigas para manter o movimento da história. Mas ela precisa de ajustes urgentes nas tramas paralelas. Não seria ruim se a trama jovem fosse enxugada e os protagonistas voltassem ao centro do enredo. Fica difícil para o público se envolver nos mistérios que permeiam o atentado contra Fausto se nem os personagens da novela parecem muito preocupados com isso.

André Santana é autor do livro “Tele-Visão: A Televisão Brasileira em 10 Anos”, uma publicação da Editora E. B. Ações Culturais, impressa e distribuída pelo site Clube de Autores, e está à venda em versão impressa e e-book, apenas pela internet. É possível adquiri-lo clicando AQUI .

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