Promissora, O Tempo Não Para diverte em estreia

Publicado há 2 anos
Por André Santana
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O Tempo Não Para, nova novela das sete da Globo, tem uma proposta muito interessante. A ideia de trazer personagens de outras épocas para um contexto atual não é exatamente original, claro. Mas ela é pouco usual e cheia de possibilidades. E o que foi visto no capítulo de estreia foi exatamente isso. O confronto entre épocas distintas deve render situações cômicas e trágicas. E, de quebra, terá um espaço para uma crítica social contundente.

Em O Tempo Não Para, uma família do século 19 vai despertar em pleno 2018, tendo que se acostumar com as “novidades” da vida moderna. Portanto, o primeiro capítulo explorou o contexto histórico destes personagens. Conhecemos toda a família Sabino Machado, encabeçada por Dom Sabino (Edson Celulari) e Agustina (Rosi Campos). Também seus filhos, empregados e escravos. Com humor e leveza, o primeiro episódio explorou muito bem a diferença dos costumes do ano de 1886.

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Marocas (Juliana Paiva), a indefectível mocinha à frente do seu tempo, mostrou a que veio. Envolvida num escândalo por se deixar ser vista com as roupas de baixo, ela provoca uma reação intempestiva do pai. Ele, por sua vez, tenta regatar a honra da família. Com esta situação até banal, o autor Mário Teixeira conseguiu explicar ao público, de maneira ágil e envolvente, como funciona a cabeça do clã. Trata-se de uma informação fundamental para que, a partir do segundo capítulo, as diferenças temporais criem as situações que darão o tempero à trama.

Capítulo enxuto e eficiente

O primeiro capítulo de O Tempo Não Para não caiu na armadilha de querer apresentar todos os personagens de uma vez. Praticamente todo o episódio se passou em 1886, e teve como protagonistas apenas os Sabino Machado. Somente quando eles partem no navio que se choca com um iceberg e todos eles são congelados, a trama chegou aos dias de hoje.

E apenas o mocinho Samuca (Nicolas Prattes) foi apresentado no “presente”. Sua família e o universo que o rodeia ficará para o segundo capítulo. Uma boa decisão. Além disso, o encontro entre Samuca e Marocas rendeu um poderoso gancho. Em suma, foi uma boa estreia.

O Tempo Não Para resgata o humor das sete, mas foge do óbvio

O mais interessante da proposta de O Tempo Não Para é que a novela resgata elementos comuns ao horário das sete, como a leveza e o humor. Depois da soturna Deus Salve o Rei, trata-se de uma mudança bem-vinda. Porém, apesar de ser uma típica comédia das sete, O Tempo Não Para parece querer fugir do humor infantil e da superficialidade característicos dos últimos sucessos do horário.

Novelas como Alto Astral, Totalmente Demais, Haja Coração e Pega Pega fizeram sucesso, mas foram tramas praticamente à prova de erros. Humor fácil e trama sem grandes arroubos de criatividade, estas novelas foram passatempos eficientes, mas sem pretensões. Dos últimos sucessos do horário, apenas Rock Story fugiu da regra, com um texto mais maduro e humor mais sutil. O Tempo Não Para, portanto, resgata a comédia, mas o faz com classe e com certa pretensão. Há um subtexto interessante na proposta da trama, que permite escancarar onde a humanidade evoluiu e onde regrediu com o passar dos anos. Promete.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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