Profissão Repórter toca nas feridas ao abordar temas delicados na pandemia

Programa desta semana mostrou que o auxílio emergencial do governo é pouco para quem mais precisa

Publicado em 5/21/2021
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Praticamente escondido na programação da TV Globo, o Profissão Repórter tem feito edições de muita relevância, especialmente neste período da pandemia da Covid. Na última terça-feira (18), foi a vez de tratar com a devida importância a questão do baixo valor do auxílio emergencial e o efeito na vida prática de quem só tem esse dinheiro a recorrer em tempos de desemprego e extrema necessidade.

Após mais de um ano de enfrentamento ao coronavírus, notamos em todos os programas jornalísticos certa fadiga de temas incômodos ligados ao coronavírus e às suas dificuldades. Sabemos que o público de televisão anda estafado e esgotado com tantas más notícias, porém existe uma máxima que vale para todo o trabalho e conteúdo jornalístico: não existe notícia boa ou ruim, existem notícias.

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E é nessa linha de que não se pode fugir aos fatos, por mais desgastantes e pessimistas que eles sejam, que a turma de Caco Barcellos vem há 15 anos desempenhando um papel de muito destaque na TV Globo. Sem vícios anteriores ou necessidade de querer agradar, os novatos da equipe, obviamente orientados e acompanhados por uma equipe experiente com Barcellos à frente, tem dado uma excelente contribuição.

Foi assim num episódio do mês passado, quando o Profissão Repórter adentrou um hospital público paulistano totalmente dedicado a cuidar de pacientes com covid-19. Foram imagens e depoimentos captados entre equipe médica, pacientes e familiares merecedoras de prêmios internacionais.

Nesta semana, com o episódio dedicado a ouvir pessoas que dependem do auxilio emergencial do governo federal, o Profissão Repórter foi às ruas atrás de quem sofre para obter esse montante. Diferentemente da maioria dos telejornais, que quase sempre tratam a questão sob a ótica dos economistas, como uma dádiva do governo, os repórteres novatos da equipe de Caco Barcellos foram conferir in loco as dificuldades de quem enfrenta horas de fila.

É gente que muitas vezes sai da agência bancária sem nada ou ainda com um valor que tem de enfrentar a difícil escolha: ou compra um botijão de gás ou se faz uma compra de supermercado. “Eu convido qualquer pessoa a entrar num supermercado com R$ 150 pra ver o que compra”, bradou no microfone uma corajosa cidadã. O convite  deveria ser feito aos nossos governantes, que aumentam seus próprios salários num momento destes.

Os repórteres também abordaram de perto pessoas que, sem emprego e dinheiro para pagar o aluguel, tiveram de ir morar nas ruas com suas famílias, em barracas doadas.

Pessoas passam a viver nas ruas. Foto: Reprodução/TV Globo

Além de receberem um valor financeiro insuficiente para os gastos mais básicos, os mais necessitados ainda enfrentam dificuldades com a tecnologia para ter acesso à renda. Pessoas simples e pobres são obrigadas a terem um smartphone e aceso a internet para conseguir operar o aplicativo da Caixa necessário para acesso ao benefício.

Não à toa, o programa desta semana, apesar do horário avançado (foi exibido após o final do No Limite), teve grande audiência. Os telespectadores merecem e precisam, sim, ver reportagens com histórias verdadeiras, doa a quem doer. Parabéns aos jovens e talentosos jornalistas do Profissão Repórter!

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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