Professor Polvo encanta pela beleza e poesia submersas

Documentário vencedor do Oscar deste ano cruza uma história humana com a vida selvagem

Publicado em 5/24/2021
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O tempo está para ver um filme sensível, delicado e repleto de poesia visual. Não por acaso, Professor Polvo (My Octopus Teacher/2020) ganhou o Oscar de melhor documentário neste ano. O longa-metragem pode ser assistido no catálogo da Netflix.

Certamente, o tema universal, a natureza e a beleza da paisagem natural sensibilizaram os membros da Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood tanto quanto tocam os espectadores de todas as idades. Mas é a história humana ali permeando a vida selvagem que desperta mais emoção na produção.

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É uma fita para ser curtida em família. Com os avós que viam filmes documentais com o mergulhador Jacques Cousteau nos anos 1980 e 1990, ou na companhia dos pais que viam no Domingão do Faustão as aventuras do mergulhador Lawrence Wahba passeando entre tubarões nas profundezas.

Cena do documentário Professor Polvo, ganhador do Oscar 2021. Foto: Reprodução/Netflix

O cenário é todo no Cabo das Tormentas, também conhecido como Cabo da Boa Esperança, no extremo Sul da África do Sul, passagem de tantos navios da esquadra portuguesa no período das grandes navegações nas suas investidas para as Índias. É nessa região, acometida por ventos e ondas marítimas que tanto influenciaram na história mundial da colonização, que Craig Foster passava férias na casa de praia da família.

Já adulto, trabalhando com produção audiovisual e em busca de cura para um burnout (esgotamento, estresse), ele se voltou para o seu refúgio, quando passou a frequentar o quintal marítimo onde uma barreira natural de algas forma um verdadeiro aquário particular para mergulhos feitos sem equipamento. Sim, porque ele apenas utiliza uma máscara simples de mergulho com cano curto (o snorkel) e nadadeiras para mergulhar só com o ar preso nos pulmões. è o fruto de treinos que vêm da infância.

E é a partir desses mergulhos diários que ele narra sua história de uma amizade improvável com um polvo fêmea, com a qual ele passa a ter contato diariamente neste paraíso. O próprio narrador promove muitas filmagens e, ao longo da história que vai contando, e ele se aproxima também do filho adolescente, a quem apresenta esse mundo subaquático cheio de belezas.

Cena do documentário Professor Polvo, ganhador do Oscar 2021. Foto: Reprodução/Netflix

Dez anos de produção

Foram dez anos até que o filme ficasse pronto. O longa-metragem é simples, bem fotografado e bem narrado — Pippa Ehrlich e James Reed são os diretores dessa produção original da Netflix, a primeira feita na África do Sul. Há contribuição do cinegrafista subaquático Roger Horrocks, ao lado do próprio Craig Foster, que é um ativista de uma ONG, o Sea Change Project. Ele é casado com uma jornalista ambiental. A luz e cores naturais são estonteantes.

O documentário conta como foram os 300 dias de uma convivência impensável porém infinita na sua simplicidade e singeleza. O Professor Polvo do título, astro principal do filme, demonstra uma inteligência incapaz de ser explicada para os não biólogos; ela apenas pode ser vista.

Mergulhamos junto na floresta submersa de Craig com uma certa cumplicidade para dividir os seus momentos solitários no fundo do mar. Seus olhos e os da câmera são também os do telespectador, curioso por aquele mundo inebriante. É um privilégio passar pouco mais de uma hora nesse deleite que chega a ser terapêutico. Não deixe de ver.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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