Pesadelo na Cozinha salva o empreendedorismo que não deu certo

Em tempos de novos negócios no mundo das refeições, é bom ver na TV os casos de empresários que merecem as broncas do chef Erick Jacquin

Publicadohá pouco tempo
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Num mundo onde tanta gente partiu para o ramo de pães, bolo de pote e preparo de refeições e marmitas, a volta do programa Pesadelo na Cozinha (terças-feiras, às 22h45, na Band) acontece em boa hora, fazendo-nos lembrar dos desafios do empreendedorismo.

Coaches sempre nos aconselham a ter o nosso próprio negócio. Mas, num País onde impera a burocracia e com o crédito tão caro, é muito educativo ver casos reais de gente que administra seu empreendimento de uma forma tão torta que só pode ter conserto com ajuda de um programa de TV.

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Seja na crise ou na bonança, ser dono de um restaurante requer muito mais suor e trabalho do que simplesmente talento e essa é a lição que passa o host do programa, o chef Erick Jacquin, com seu carisma e espontaneidade ainda maiores do que ele mostra no Masterchef.

O programa será reexibido toda semana e é a versão brasileira do formato britânico Kitchen Nightmares, coprodução entre a Band com o Discovery Home & Health. A partir de 30 de março, serão quatro episódios inéditos, que foram gravados antes da pandemia.

O ônus e o bônus

Corre a versão de que o próprio Jacquin nunca foi um administrador exemplar dos próprios negócios, o que aqui importa pouco. O chef comanda a atração com maestria, num misto de bronca e solidariedade diante de donos de restaurantes populares ou com cardápios um pouco mais elaborados. Em geral, as pequenas empresas são sempre negócios familiares que estão fadados ao fracasso em quase todos os episódios.  

Numa espécie de versão do Lar Doce Lar ou Lata Velha (ambos do programa Caldeirão do Huck) para os restaurantes, a produção patrocina a reforma e recuperação dos estabelecimentos inscritos, quase sempre instalados em ambientes feios, ultrapassados, cheios de gordura e à beira da falência.

O bônus do participante é ganhar reforma e um novo menu assinado e orientado pelo chef. O ônus é a exposição do empreendimento, com microfones abertos e câmeras filmando as pessoas e todo o processo.

Num reality show sem ensaio, mas com muito choro e discussões em meio a fogão, panelas e salão de clientes, é na exposição de conflitos que reside a parte mais interessante do programa.

O Pé de Fava

Nada mais ilustrativo do Pesadelo na Cozinha em si que o episódio inicial deste retorno ao ar.  O programa sobre o restaurante de comida nordestina Pé de Fava é icônico e de longe é o mais elucidativo para ilustrar um Brasil que teima em não dar certo.

O dono do estabelecimento de Guarulhos, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, desligava o freezer carregado de alimentos durante a noite para poder economizar na conta de energia elétrica. O episódio teve grande repercussão quando foi exibido, em 2019.  

Ao mesmo tempo em que o caso representa o sonho de ascensão do homem trabalhador e ambicioso que migra para a região mais rica do País em busca de realização, também choca pela falta de cuidado com o seu principal produto: a comida.

Muito mais que um caso de saúde pública e polícia, o episódio escancara o quanto a televisão é importante nesse País, onde infelizmente não se pode confiar nem em órgãos de vigilância sanitária.

Que bom que pelo menos temos um reality show que, além de divertir, faz a gente ficar de olho nos vários Pé de Fava que ainda podem proliferar pelo País. Ou seja: não recuse o convite, visite a cozinha.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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