Pega Pega tem boa trama central, mas derrapa nas histórias paralelas

Publicado em 06/06/2017

O primeiro capítulo de Pega Pega, nova novela das sete da Globo que estreou hoje (06) pode ser dividido em duas partes: o núcleo central, passado no Hotel Carioca Palace; e as tramas paralelas, que foram apresentadas, num primeiro momento, de forma bem confusa. Foram o dono e os funcionários do estabelecimento os protagonistas das melhores cenas da obra, que marca a estreia da roteirista Claudia Souto como novelista titular.

Neste primeiro episódio, todos os personagens que rodeiam o hotel foram apresentados, de maneira harmônica, ágil e com momentos de pura diversão. Conhecemos Pedrinho Guimarães (Marcos Caruso), o bon vivant e boa praça proprietário do Carioca Palace. Também fomos apresentados ao quarteto de funcionários do local: o “espertinho” Malagueta (Marcelo Serrado), que já apareceu envolvido num “esquema” com um motorista de táxi; o casal sexy e envolvente Agnaldo (João Baldasserini) e Sandra Helena (Nanda Costa); e o correto Júlio (Thiago Martins). Este último descobre que o hotel está prestes a ser vendido, e os funcionários passam a temer uma provável demissão.

Júlio também teve direito a cenas com sua família, duas tias idosas e um tanto atrapalhadas, as divertidas Elza (Nicette Bruno) e Prazeres (Cristina Pereira) que, desde já, roubaram a cena nesta estreia. As duas apareceram atarantadas diante de uma ameaça de despejo, para desespero do sobrinho, que mantém as duas. O jovem, ainda, teve um primeiro encontro rápido com a investigadora Antônia (Vanessa Giácomo). Uma cena simpática, e que já adiantou uma história de amor que promete.

Foram estes personagens que encerraram o capítulo de maneira digna: Malagueta, Agnaldo, Sandra Helena e Júlio se encontraram numa praça, onde o primeiro propõe aos outros um plano para roubar o dinheiro da venda do hotel. Excelente gancho para uma história central muito bem sacada, onde tudo funcionou direitinho: direção correta, bons atores no tom certo e um conflito envolvente.

Uma pena que as demais tramas de Pega Pega apresentadas nesta introdução não foram tão felizes assim. Uma parte da história passada em Foz do Iguaçu, onde estão os outros protagonistas da obra, Eric (Mateus Solano) e Luiza (Camila Queiroz), não funcionou muito bem nesta estreia. Eric é o comprador do hotel, e conhece Luiza quando a jovem vai lhe entregar uns papéis a mando do avô, Pedrinho. Os dois se aproximaram rapidamente, sem muita sutileza, e o casal, a princípio, não convenceu. De bom mesmo nesta trama, apenas a presença de Maria Pia (Mariana Santos). Gordinha, desajeitada e com baixa autoestima, a personagem marcou presença ao deixar clara sua paixão platônica por Eric.

Além disso, Eric está às voltas com o sumiço de sua filha Bebeth (Valentina Herszage), que fugiu dele. Nesta fuga, a garota conhece Márcio (Jaffar Bambirra), que faz parte de uma companhia de teatro de bonecos com sua família. O jovem casal também não convenceu muito: os atores parecem inexperientes e o entrecho da menina rebelde fugindo do pai rico soa cansativo. Bebeth, também, “contracena” com um canguru de pelúcia. O bicho feito em computação gráfica é extremamente bem-feito, mas a cena em que aparece pareceu um tanto deslocada.

Assim, sempre que saía o foco da trama principal, Pega Pega perdia fôlego neste primeiro capítulo. No entanto, ainda é cedo para maiores conclusões, afinal, é apenas o episódio de estreia. O que já se pode afirmar, desde já, é que Pega Pega traz de volta a comédia romântica simples e de fácil digestão que consagrou os últimos sucessos do horário, Totalmente Demais e Haja Coração. Claudia Souto é dona de um texto limpo e um humor familiar interessante, e tem uma boa história nas mãos para desenvolver. A estreia não foi perfeita, mas Pega Pega tem potencial. Além disso, tem uma abertura muito simpática, com identidade, algo cada vez mais raro nas novelas da Globo.

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