Pautas frias e afobação marcam estreia de Vem pra Cá

Mas o programa acertou na cenografia e ao reverenciar a história do SBT

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Nova aposta das manhãs do SBT, Vem pra Cá teve uma estreia irregular. A atração comandada por Patrícia Abravanel e Gabriel Cartolano debutou bastante marcada pela afobação, com Patrícia acima do tom, e os dois apresentadores interrompendo os convidados todo o tempo. Além disso, a escolha das pautas da primeira edição não foi muito feliz.

Curiosamente, Patrícia Abravanel mostrou segurança no ao vivo, que é uma novidade em sua carreira como apresentadora. No entanto, talvez pelo hábito de comandar programas de auditório, sua energia estava um tanto acima da média. A apresentadora demonstrou afobação e um excesso de “alegria” que não combina muito com o horário ou o estilo do programa.

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Gabriel Cartolano também demostrou segurança e foi mais contido que a colega de palco. No entanto, os dois repetiram o mesmo erro: interrompiam os convidados todo o tempo. Patrícia recebeu uma especialista em moda, e praticamente ela mesma respondeu as perguntas que fazia.

Na sequência, Patrícia e Cartolano conversaram com uma médica sobre as consequências do isolamento social às crianças. E foi a vez de Cartolano atravessar a especialista por diversas vezes, interrompendo o raciocínio da médica e não deixando a pauta fluir. A conversa acabou virando um “frankenstein” cheio de clichês e pouco esclarecedora. Além disso, a pauta durou além da conta.

Assuntos frios

Além disso, a escolha dos assuntos do programa de estreia não foi muito feliz. Não foi uma boa ideia abrir o Vem pra Cá com uma pauta de moda, sendo que o programa sucede o Primeiro Impacto na grade. O mais lógico seria abrir com jornalismo para segurar o público.

E o jornalismo teve uma presença controversa. Vem pra Cá exibiu um pequeno segmento com as “principais” notícias do dia, mas nada verdadeiramente relevante foi noticiado. Mais adiante, chegaram a exibir uma matéria da TV Jangadeiro, afiliada da emissora, feita em 2019. Complicado.

Acertos

Por outro lado, Vem pra Cá mostrou ter uma produção caprichada e competente. A cenografia, em meio aos jardins do SBT, funcionou muito bem, dando um ar de “Casa de Cristal” de Ana Maria Braga na Globo, ou ainda do É de Casa, com segmentos feitos na área externa. Visualmente, Vem pra Cá é um programa bonito.

Outro acerto foi o quadro sobre os 40 anos do SBT. A emissora, com seus altos e baixos, tem uma história rica, e que toca o coração do espectador nostálgico. Explorar isso pode dar ao programa um diferencial, ajudando-o a destacá-lo dos concorrentes. Foi boa a estreia com os vídeos do TikTok dos famosos homenageando A Usurpadora.

Potencial

E, apesar dos erros do início, Vem pra Cá demonstrou potencial. A afobação e o erro nas pautas podem ser colocados na conta do nervosismo da estreia, o que é natural. O programa, se Silvio Santos deixar, poderá se corrigir no ar e encontrar um rumo interessante. Os erros iniciais são de fácil resolução.

Além disso, se a ideia é aumentar o faturamento da emissora, o programa também pode se dar bem. Os assuntos tratados são de forte apelo comercial. Apesar de ter sido uma estreia sem merchandising, é possível que o programa consiga atrair anunciantes.

O maior problema do programa é, justamente, a falta de tradição do SBT neste tipo de programa. A concorrência já tem seus matinais consolidados, e Vem pra Cá precisa convencer o público a mudar de canal. Será preciso paciência, coisa que nem sempre Silvio Santos tem. Se tiver tempo para ser implantado e corrigir as falhas iniciais, Vem pra Cá pode conquistar seu espaço.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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