Os erros e acertos do Globo Repórter dos 70 anos da TV brasileira

Atração dedicou mais espaço à própria Globo que aos demais canais

Publicado há um mês
Por André Santana
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Para celebrar os 70 anos da televisão brasileira, completados no último dia 18 de setembro, o Globo Repórter exibiu um especial em duas partes homenageando a TV. Mas resumir uma história tão longa e cheia de nuances em apenas dois programas se mostrou um desafio dos mais espinhosos. Por isso mesmo, o programa teve seus erros e acertos.

A grande falha do Globo Repórter Especial foi o pouco espaço que outras emissoras brasileiras tiveram. O jornalístico, claramente, exaltou a história da própria Globo, e abriu uma ou outra concessão para os demais canais. E, das poucas vezes que “mudou de canal”, as emissoras que foram mais citadas já não existem mais. Manchete e Tupi tiveram mais espaço que SBT e Record TV, por exemplo.

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A teledramaturgia dominou a primeira parte do especial, exibido na sexta, dia 18. Naturalmente, as novelas da Globo dominaram a narrativa. Enquanto isso, o SBT foi lembrado com Éramos Seis (1994), e a Manchete, com Pantanal (1990). A primeira já ganhou um remake na Globo. A segunda vai ganhar um em breve. Ou seja, mesmo quando fala de outro canal, a Globo acaba falando dela mesma.

E mesmo quando fala de si mesma, a Globo falha. Ainda na semana passada, o Globo Repórter dedicou um bom espaço aos humorísticos. Os veteranos, como Chico Anysio e Jô Soares, foram lembrados. Depois, um grande salto mostrou os humorísticos de hoje. Faltou o Casseta & Planeta, que abriu espaço a esta turma nova. A trupe, com razão, reclamou da ausência.

Ausência que foi corrigida no programa desta sexta (25), quando o Casseta foi citado em meio a uma matéria sobre os programas de auditório (?). Fora de contexto, mas ao menos corrigiram uma falha grave.

Acertos

Por outro lado, o Globo Repórter foi feliz ao organizar sua narrativa pelos gêneros televisivos. Na primeira semana, teledramaturgia, jornalismo e humor ganharam espaço. Na segunda parte, o programa lembrou dos infantis, dos auditórios, da música e do esporte. O resultado foi um resumo eficiente para o pouco tempo disponível.

Houve falhas e esquecimentos, mas há de se convir que abraçar um tema tão abrangente quanto este é se sujeitar a isso. E, justamente por isso, só a ideia de celebrar os 70 anos da televisão brasileira já é algo louvável.

A televisão brasileira é carente de memória. Revisitar a história e reverenciar os personagens que a construíram é necessário. Ainda mais no atual contexto, no qual a pandemia obrigou os canais a se reinventarem. Refletir sobre a história da TV é o primeiro passo para pensar no futuro da mesma.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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