Os Dias Eram Assim – O que esperar da supersérie que estreia esta noite na Globo?

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Já ficou provado que de nada adianta um elenco estelar se o enredo da história não for minimamente atrativo: isso vale para filmes, séries, novelas ou qualquer outro produto teledramatúrgico.

Os Dias Eram Assim além de contar com um elenco escolhido a dedo, promete levar o telespectador a uma experiência de emoção e reconstrução de um dos períodos históricos mais difíceis do Brasil: a ditadura militar, que servirá de pano de fundo e base de conflitos para o romance entre Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes). A Globo resolveu adotar para o novo produto a nomenclatura de supersérie devido ao número de 88 capítulos superior ao número de capítulos de uma minissérie e inferior ao número de capítulos de uma novela.

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A trama se inicia em junho de 1970 durante a final da copa do mundo (tal qual Boogie Oogie que ambientou seu primeiro capítulo na final da copa de 1978), onde Alice exibe para a família e para o noivo Vitor (Daniel de Oliveira) seu inconformismo com os costumes impostos pela sociedade da época. Admiradora do pensamento libertário, é a mocinha corajosa que encara a todos para fazer valer seus objetivos e conhece o médico Renato. Ele, o filho mais velho de Vera (Cássia Kiss), e irmão de Gustavo (Gabriel Leone) e Maria (Carla Salle) e trabalha no atendimento emergencial de um hospital público. É ele quem socorre Monique (Letícia Spiller) no primeiro capítulo após problemas devido a gestação, e desperta a ira de Arnaldo (Antonio Calloni), um poderoso dono de construtora, apoiador da ditadura e coincidentemente pai de Alice.

A espinha dorsal da história tem um quê de Romeu e Julieta mas ao invés de uma rixa familiar, veremos valores políticos desiguais, e sendo amplamente questionados por Alice que não aceita o conservadorismo dos seus.

Os Dias Eram Assim não explorará a nudez tal qual outras produções do horário como Verdades Secretas mas abusará das cenas de violência ao reproduzir quase fielmente torturas físicas e psicológicas sofridas pelos estudantes que protestavam contra o regime político vigente. Caio Blat terá uma rápida participação nos dois capítulos iniciais da trama na pele de Túlio, um jovem que será pego pela polícia e torturado sob os olhos de Arnaldo.

A qualidade técnica das cenas é visível e reforça a competência do diretor Carlos Araújo, e o texto preciso de Angela Chaves e Alessandra Poggi mostra que ao contrário de outras produções que retrataram o período de forma superficial, a série veio para colocar o dedo na ferida e fazer com que o público que não vivenciou aqueles tempos tome conhecimento de como era o contexto do país. A trilha sonora caprichada com sucessos da década de 70 casa-se perfeitamente com as cenas que veremos todos os dias à partir das 23 horas na tela da Globo.

A supersérie não será dividida em fases, mas terá passagens de tempo necessárias aos personagens desde o início da repressão até as diretas.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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