Órfãos da Terra foi uma boa novela, mas prometeu mais do que poderia cumprir

Publicado há um ano
Por André Santana
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O grande pecado de Órfãos da Terra, novela das seis da Globo finalizada nesta sexta-feira (27), foi ter tido uma primeira fase acima da média. A trama de Duca Rachid e Thelma Guedes teve primeiros capítulos primorosos, com texto, direção e atuações impecáveis. Porém, na segunda fase, ao cair no folhetim mais tradicional, a trama decepcionou quem esperava mais.

A primeira fase de Órfãos da Terra foi épica. Ao explorar um atual e urgente tema, o drama dos refugiados de guerra, a novela começou pretensiosa. O início teve sequências absolutamente dramáticas, quando a família de Laila (Julia Dalávia) passou por maus bocados ao deixar seu país de origem. Além de fugir da guerra, a mocinha ainda precisou fugir de um vilão terrível, o sheik Aziz (Herson Capri), obcecado por ela.

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Assim, ao mesmo tempo em que Órfãos da Terra mostrava um casal gracioso cheio de empecilhos para viverem um amor, a trama mostrou também as trágicas consequências do conflito armado. Foram belos momentos que exploravam toda a dificuldade dos refugiados precisando recomeçar longe de suas terras. Com isso, Órfãos da Terra ganhou um tom documental e relevante. Por isso mesmo, muitos consideravam que a novela deveria ser exibida às 21 horas, e não às 18.

Segunda fase

Tantas qualidades fizeram com que Órfãos da Terra criasse expectativas demais por parte do público. No entanto, o que ficou claro é que o tom épico era restrito à primeira fase. Em seu segundo ato, quando Laila e Jamil (Renato Góes) já estavam devidamente adaptados à vida no Brasil, Órfãos da Terra se tornou uma trama menos pretensiosa. Era, “apenas”, uma novela das seis. Que não foi ruim. Mas a diferença gritante entre as fases fez com que parte do público se decepcionasse.

Até porque a primeira fase tinha conflitos muito mais envolventes. Aziz era um vilão da melhor qualidade, do tipo que desperta medo. Sua relação com a sofrida Soraia (Letícia Sabatella) fazia com que o público torcesse por ela e por seu amor proibido, Hussein (Bruno Cabrerizo). Matá-los no final da primeira fase era necessário para que a história andasse, mas a trama acabou perdendo dois de seus melhores personagens.

Deste modo, no ato seguinte, Dalila (Alice Wegmann) assumiu as vilanias da novela. Uma vilã bem eficiente, sem dúvidas, mas sem a profundidade de um sheik Aziz. Com ela, Órfãos da Terra se tornou uma novela das seis “tradicional”. Focou basicamente nas tentativas da vilã de separar os mocinhos.

Vingança cega

Mas a saga de Dalila teve seus problemas. O principal deles foi a sua vingança um tanto estranha. Certa de que Laila era a responsável pela morte de seu pai Aziz, a vilã fez de tudo para prejudicá-la. Porém, preferiu começar seus planos prejudicando Miguel (Paulo Betti), que era marido da prima de segundo grau de Laila (!). Pois é…

Mais adiante, Dalila criou planos ainda mais mirabolantes. A malvada caiu na armadilha da obsessão, com atitudes cada vez mais escancaradas e pouco inteligentes. Assim, dá-lhe disfarces, tiros e sequestros. A vilã era boa, mas se perdeu ao longo da obra.

Tramas paralelas

Mas, como já foi dito, Órfãos da Terra não foi uma novela ruim. A trama se segurou nas histórias paralelas, a maioria bem interessante e envolvente. Personagens como Missade (Ana Cecília Costa), Camila (Anaju Dorigon), Almeida (Danton Mello), Zuleika (Emanuelle Araújo), Rania (Eliane Giardini), Norberto (Guilherme Fontes), Teresa (Leona Cavalli), Sara (Verônica Debom), Ali (Mouhamed Harfouch), Abner (Marcelo Médici), Latifa (Luana Martau), Boris (Osmar Prado) e Mamede (Flavio Migliaccio), entre outros, ofereceram bons momentos.

Tanto estas e outras tramas secundárias seguraram a história que Órfãos da Terra conseguiu se manter num bom patamar de audiência. Ou seja, o problema não foi que a novela se perdeu. O problema maior foi o imenso abismo entre as fases. A primeira fase renderia uma grande novela das onze. Já a segunda fase foi uma boa novela das seis. Um arroz com feijão bem temperado.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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