O que podemos esperar de A Dona do Pedaço, nova novela das 21h da Globo?

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Ufa! Depois de seis meses, O Sétimo Guardião chegou ao fim na faixa nobre da Rede Globo. Dessa vez Aguinaldo Silva não foi feliz e sua novela não apenas não abrilhantou o gênero realismo fantástico, como também não empolgou em seus elementos mais tradicionais como romance e humor. Para cumprir a difícil missão de reerguer a faixa, Walcyr Carrasco está de volta a partir desta segunda com A Dona do Pedaço. Diante do que já se sabe a respeito da nova novela, o que podemos esperar dela?

A Dona do Pedaço, feita para dar certo

Com toda a certeza, A Dona do Pedaço foi uma novela pensada para ter muitos elementos de sucesso praticamente garantido. Não apenas por ter que substituir uma produção criticada e cujo final foi comemorado na internet, mas também pela responsabilidade que a emissora confiou a Walcyr, que com sua nova obra fura a fila do horário mais uma vez. A saber, em 2017 O Outro Lado do Paraíso entrou quando seria a vez de Duca Rachid e Thelma Guedes com O Homem Errado.

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Músicas de grande apelo popular de diversos estilos, como “Evidências” (Chitãozinho & Xororó) e “Cheia de Manias” (Raça Negra), que foram lembradas para a trilha sonora e já embalaram as chamadas de lançamento, além do tema de abertura do Grupo Revelação, “Tá Escrito”, apontam o tom geral da história. Com A Dona do Pedaço a ideia é atingir o público que rejeitou O Sétimo Guardião e que deseja ver especialmente no horário das 21h uma novela mais tradicional. Logo, os clichês e resgates de temáticas e perfis de personagens não são poucos.

Romeu & Julieta uma vez mais; afinal, funciona

A Dona do Pedaço trará de volta mãe e filha que se envolvem com o mesmo homem, filha ambiciosa que renega a origem pobre, homossexual enrustido, entre outros elementos que já fizeram sucesso na obra de Walcyr Carrasco e na teledramaturgia de modo geral. Além disso, esses personagens, embora recorrentes, vêm com algum molho diferente. Maria da Paz (Juliana Paes), por exemplo, é a mãe que se vê alvo do ódio da própria filha, Josiane (Agatha Moreira), fruto de seu grande amor por Amadeu (Marcos Palmeira). Todavia, Maria da Paz não é do tipo mosca morta: batalhadora, ela enfrenta com garra e determinação todas as adversidades e vence na vida com o negócio de confeitarias. Ainda criança ela aprende a fazer bolos com a avó, Dulce (Fernanda Montenegro), no interior do Espírito Santo, onde a história começa.

Maria Da Paz (Juliana Paes) e Amadeu (Marcos Palmeira) em A Dona do Pedaço (Divulgação/ TV Globo)

Aliás, o componente “Romeu & Julieta”, tão comum e eficaz na dramaturgia, tem em A Dona do Pedaço mais um exemplo. As famílias de Maria da Paz e Amadeu, os Ramirez e os Matheus, respectivamente. Embora cheguem a se casar, em virtude de uma trégua que Maria da Paz consegue obter dos dois clãs, o espírito vingativo fala mais alto e Amadeu leva um tiro em pleno altar. Evelina (Nívea Maria) e Nilda (Jussara Freire), mães de Maria da Paz e Amadeu, firmam um pacto e cada uma diz a seu filho que o respectivo amado morreu, na guerra entre as famílias. Serão necessários 20 anos para que a verdade venha à tona e o casal se reúna. Claro que não sem antes padecer bastante.

O humor ao estilo Walcyr: os moradores de rua de A Dona do Pedaço

Um núcleo deve lembrar especialmente os personagens que
representaram o humor em outras novelas de Walcyr Carrasco. Trata-se da família
de moradores de rua, liderada por Eusébio (Marco Nanini). Muitas dificuldades
na vida levaram-no a viver na rua e invadir imóveis desocupados, junto da
esposa Dodô (Rosi Campos) e dos pais, Chico (Tonico Pereira) e Cornélia (Betty
Faria). O improviso das soluções para os problemas do dia a dia e a implicância
da sogra com a nora devem render momentos cômicos que aliviem o grande drama da
história central. Inclusive, Maria da Paz se relaciona com a família em seus
primeiros tempos de São Paulo.

Mais um homossexual que esconde a verdade sobre sua
sexualidade

Depois do Félix (Mateus Solano) em Amor à Vida (2013/14) e do Samuel (Eriberto Leão) em O Outro Lado do Paraíso, Walcyr nos apresenta em A Dona do Pedaço o empresário Agno (Malvino Salvador). Casado com Líris (Deborah Evelyn), ele sustenta toda a família da esposa: a sogra Gladys (Nathalia Timberg) e o cunhado Régis (Reynaldo Gianecchini), um grande vagabundo. Agno não tem um pé na vilania como seus “antecessores” na obra do autor. Sai às escondidas com garotos de programa. E numa dessas fugas furtivas conhece Rock (Caio Castro), um dos filhos de Eusébio e Dodô. O rapaz almeja ser lutador profissional, mas envolvido por Fabiana (Nathália Dill) se dispõe a dar um golpe em Agno conquistando-o pela afetividade. Só que a história promete maiores desdobramentos. Segundo Malvino em entrevista, a intenção é falar de sentimentos.

Mãe e filha dividindo o mesmo homem: mas calma, não é Verdades Secretas

Juliana Paes, Reynaldo Gianecchini e Agatha Moreira em A Dona do Pedaço (Divulgação/TV Globo).

Embora A Dona do Pedaço retome o tema do homem que se relaciona com mãe e filha – no caso, Régis –, a história não é igual à de Verdades Secretas (2015), sucesso de Walcyr às 23h. Josiane se envolve com Régis e o instiga a dar um golpe em Maria da Paz, aproximando-se dela romanticamente. Claro que a mãe não sabe do relacionamento da filha com o bon-vivant. No começo, Régis se anima com a chance de se apossar de tudo que a confeiteira construiu, que não é pouco depois de 20 anos. Todavia, ele se apaixona de verdade pela mãe da antiga amante e deixa de lado seus planos. Só que terá de disputar Maria da Paz com Amadeu, já que o casal se reencontra em São Paulo.

“Vem aí mais um campeão de audiência”

Nos anos 1970 e 1980, a frase acima anunciava todos os programas da Rede Globo. Em boa parte deles, para não dizer que em todos, ela condizia com a verdade. Ao que parece, em A Dona do Pedaço, caso a frase ainda fosse usada, condiria novamente.

O público pode esperar uma novela típica do autor, com a curiosidade que desperta sua nova parceria, com a diretora Amora Mautner. Ela está no ar com a série Assédio, às sextas-feiras, e dirigiu Cordel Encantado (2011), êxito no Vale a Pena Ver de Novo. O Cravo e a Rosa (2000/01), também de Walcyr (com Mário Teixeira), teve Amora entre seus diretores, a saber, mas a direção-geral era de Walter Avancini e Mário Márcio Bandarra.

Boas chances de recuperar uma audiência perdida no horário

A mistura de ingredientes pode até não resultar numa boa novela em termos de narrativa e aproveitamento dos personagens. E isso também não pode ser cravado agora, uma vez que ela nem começou. Mas A Dona do Pedaço, revele-se boa ou ruim, tem tudo para trazer de volta o espectador que deixou a emissora nesse horário. E, com toda a certeza, não apenas com O Sétimo Guardião. Que ninguém estranhe se a combinação de Walcyr alcançar uma audiência que o horário não vê desde… O Outro Lado do Paraíso.

Caso os planos iniciais da Teledramaturgia da emissora tivessem sido seguidos, a estreia seria de Amor de Mãe, novela de Manuela Dias adiada para novembro. Isto é, caso Walcyr não seja levado a ficar no ar por mais algumas semanas e acabe só colocando o ponto final em sua história em janeiro…

*As informações e opiniões
expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou
não refletir a opinião deste veículo.

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