O que o SBT poderia fazer para melhorar sua programação?

Emissora precisa recuperar a atratividade para suas atrações, em tempos de mais audiência para a TV aberta

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Em agosto deste ano, o SBT completa 40 anos no ar. Na verdade já serão 45 em 2021, se considerarmos na contagem que a TVS, Canal 11 do Rio de Janeiro, entrou em operação em 1976 e integra até hoje o Sistema Brasileiro de Televisão.

Nos últimos anos, a competição do SBT com a Record TV pela segunda posição do ranking de audiência se tornou bastante acirrada. A segunda metade dos anos 2000 levou a emissora de Edir Macedo à vice-liderança, mantida pelo canal de Silvio Santos com relativa folga por mais de 20 anos, de sua criação até a referida época.

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Silvio Santos no Troféu Imprensa (Reprodução/SBT)

Elevados investimentos em jornalismo e novelas, com os flancos da TV Globo identificados e atacados, ajudaram a Record TV em seu projeto ‘A caminho da liderança’, como foi chamado. Apresentadores, repórteres, atores, diretores e dramaturgos da TV Globo foram contratados pela Record TV para engrossar suas fileiras e atuar com suas armas na batalha pelo ibope.

De seu lado, o SBT viveu dias difíceis, sem sequer divulgar sua grade de programação para a imprensa e com uma crise que atingiu o Banco Panamericano, empresa do Grupo Silvio Santos, e que ameaçou a própria TV, dada em garantia ao governo para regularização da situação da instituição financeira.

“A concorrência vai tremer de medo”, disse o SBT em chamadas divulgando novidades de sua programação, tentativas de trazer de volta um público que se interessou pelas atrações da Record TV ou mesmo voltou à segurança do que lhe ofereceu sempre a TV Globo.

Nos anos 2010, as duas emissoras tentaram melhorar suas posições com filões muito claros de teledramaturgia, para citar esse setor como exemplo. Silvio Santos investiu em novelas para o público infantojuvenil, e apostou em títulos já conhecidos de seu público em outras versões, como Carrossel e Chiquititas.

Edir Macedo colocou no ar um projeto de novelas bíblicas em 2015, após testar o gênero na primeira metade da década com minisséries – Rei Davi, José do Egito etc. Os Dez Mandamentos foi a novela que abriu o Mar Vermelho da audiência para a Bíblia, com o perdão da imagem.

Fora as histórias seriadas com base no Livro Sagrado dos cristãos, a Record TV também apostou em novelas urbanas, tocando em temas como criminalidade e corrupção, e obteve êxito com produções de época como A Escrava Isaura e Cidadão Brasileiro.

O SBT conseguiu algo tido por impossível, ou ao menos pouco provável, nos anos 1980 e 1990. Com programas de grande sucesso popular, mas que não geravam bom faturamento porque não eram bem vistos pelos anunciantes em potencial, Silvio Santos tratou de contratar figuras bem quistas por público, crítica e mercado para reverter isso.

Hebe Camargo, Carlos Alberto de Nóbrega, Boris Casoy, Walter Avancini, Nilton Travesso e Marília Gabriela foram alguns dos nomes que abrilhantaram a casa nessa época, e mesmo depois. Nóbrega está por lá até hoje com A Praça É Nossa, que completa 34 anos no ar em 2021.

Carlos Alberto de Nóbrega em A Praça é Nossa. (Divulgação: SBT)

O SBT que vemos hoje, nem parece o SBT de outros tempos, que nos convidava a assistir aos programas da casa, populares ou popularescos, mas atrativos, interessantes, ousados, inventivos.

Primeiro Impacto, Fofocalizando, um cansado Programa do Ratinho, novelas infantis intermináveis à noite e outras, adultas, inéditas no Brasil, relegadas à faixa vespertina, filmes repetidos em sessões de faixa nobre, pouco investimento em séries, que garantiram um público cativo ao canal, um jornalismo que não tem feito a diferença num cenário bastante competitivo para a TV e conturbado em meio à crise política e econômica brasileira…

Por mais que os números de audiência pareçam satisfatórios, pelo menos em boa parte do dia, eles poderiam ser ainda mais expressivos se a grade oferecesse opções melhores e mais variadas ao público.

Num momento de aumento do tempo que o brasileiro passa vendo TV, e TV aberta, com alto índice de cancelamento dos pacotes de TV paga, o SBT e a própria Record, por que não?, perdem a chance de aumentar seu ibope e incomodar mais a TV Globo com atrações de apelo.

Um jornalismo mais dosado e distribuído pela programação de maneira mais uniforme, além de mais livre e combativo, seria desejável. Numa praça como São Paulo, não haver um forte SBT São Paulo, que já se tentou fazer e durou pouco, mais de uma vez, deve ser tentado, com as pessoas certas. SBT Rio, SBT Brasília e SBT Rio Grande são exemplos de jornalismo local de êxito.

Novelas para o público adulto, já que uma emissora “para a família” não deveria viver só de histórias infantis em faixa nobre, também seriam válidas. E aqui falo não apenas de produções mexicanas dubladas, como Triunfo do Amor e Amores Verdadeiros, atualmente em cartaz, mas de histórias nacionais, escritas, dirigidas e interpretadas por valores nossos. No SBT já fizeram sucesso vários projetos que fizeram jus ao “B” da sigla.

Patrícia Abravanel e Gabriel Cartolano no Vem Pra Cá (Reprodução / SBT)

Revistas eletrônicas como o recentemente lançado Vem pra Cá são interessantes, mas num horário em que outros concorrentes também têm as suas no ar podem ser produzidas em vão. A propósito, apesar das eventuais adaptações necessárias para que o programa se encontre, é digna da saudação a sua chegada, numa fase sem grandes novidades no SBT.

Filmes e séries atrativos, que enfrentem à altura a concorrência, que sirvam de opção ao espectador, igualmente merecem mais atenção. Se um filme consagrado rende X, um que chame a atenção pode chegar a 2 ou 3X. As sessões de filmes da época da celebrada parceria com Disney e Warner não me deixam mentir.

Se Chaves e Chapolin fazem falta, as crianças de todas as idades não podem perder mais uma das poucas alternativas de entretenimento que lhes sobrou na TV aberta. O SBT pode e deve investir mais em atrações que atendam a esse público, não apenas novelas.

Essas, quando infantis, não precisam ser extintas da programação, mas podem ficar no ar por um período que não faça o público celebrar o fato de terminarem. Não é demais lembrar que As Aventuras de Poliana saiu do ar após 564 capítulos exibidos ao longo de 26 meses. E ainda existe a possibilidade de uma segunda temporada, não descartada totalmente.

Certa feita Silvio Santos declarou que “a Globo é um supermercado, eu sou uma quitanda”. Pois é na quitanda que por vezes encontramos mais à mão e em conta gêneros de primeira necessidade no dia a dia e que o supermercado não nos oferece…

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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