O Outro Lado do Paraíso: autor erra ao transformar a história de Samuel em pastelão

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Nos mais recentes capítulos de O Outro Lado do Paraíso, Clara (Bianca Bin) mirou seu canhão vingativo em Samuel (Eriberto Leão), o psiquiatra responsável pela sua internação num hospício. A mocinha descobriu a vida dupla do médico, que era casado com Suzy (Ellen Rocche), mas mantinha um caso com Cido (Rafael Zulu), e tratou de desmascará-lo. E, agora que sua mãe Adnéia (Ana Lucia Torre) e sua esposa sabem da verdade, Samuel decide assumir Cido publicamente.

Com a mudança de rumo, o autor Walcyr Carrasco muda, também, o tom dado à trama. Inicialmente, a vida dupla de Samuel era contada em tom dramático, pois o médico sofria com a falta de coragem de viver sua real natureza, e transformava suas frustrações em comportamentos homofóbicos. Agora assumido, o tom de seu núcleo começa a adotar o humor, de uma maneira bem esquisita.

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Isso porque o autor joga por terra uma temática muito interessante e pouco abordada na teledramaturgia: homossexuais que se escondem em relacionamento de fachada e que usam de atitudes homofóbicas para esconder sua real condição. Isso não tem graça. É um assunto sério, cuja problemática pode ganhar contornos violentos. Uma abordagem séria do tema serviria para que esta situação fosse colocada em debate e, quem sabe, ajudasse pessoas a compreenderem a si mesmas e também os outros.

Carrasco, no entanto, preferiu seguir o caminho mais fácil e tratou de pisar fundo na caricatura. A cena em que Suzy descobre a verdade, por exemplo, já foi de um pastiche constrangedor, da “forçação de barra” vista no flagra, passando pelo diálogo infantiloide que beirava o ridículo. Até um “cala a boca já morreu” foi disparado por Suzy, para se ter uma ideia do nível de maturidade do texto.

E a tendência é que a trama descambe ladeira abaixo. Samuel e Cido vão morar juntos, na companhia de Adnéia. E Suzy, ao se descobrir grávida, também voltará a viver com Samuel. Os quatro vivendo sob o mesmo tempo transformarão o núcleo numa espécie de “novela paralela”, onde o humor raso característico de Carrasco será usado à exaustão. Assim, O Outro Lado do Paraíso terá seu próprio “núcleo Cadinho”, em referência ao núcleo de humor capitaneado por Alexandre Borges em Avenida Brasil. Uma pena.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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