Novo Mundo acertou em cheio ao usar História para falar do Brasil de hoje

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Novo Mundo foi uma das grandes surpresas da programação da Globo neste ano. A trama teve o trunfo de revelar mais dois novos autores de novelas, em meio a uma intensa safra de renovação de novelistas que a emissora tem realizado. Com um texto maduro, inteligente e cheio de boas sacadas, Thereza Falcão e Alessandro Marson fizeram de Novo Mundo uma grande novela, conseguindo manter o interesse do público sempre em alta e fazendo uma história de aventuras, redonda e muito divertida. E contaram ainda com a direção precisa de Vinícius Coimbra, que, com Novo Mundo e Liberdade, Liberdade, mostrou ter a mão boa para reconstituições históricas.

A trama foi uma sucessão de acertos. A saga de Anna Millman (Isabelle Drummond) seguiu a cartilha do folhetim básico, e a mocinha, apesar de clássica, tinha uma porção aventureira que a livrava da chatice. Ela até teve seus momentos de cárcere e de apuros, mas nada que diminuísse sua força. Ao seu lado, outro herói idealizado, mas bem eficiente. Joaquim (Chay Suede) era quase um super-herói onipresente, mas funcionava, graças ao bom texto e ao carisma impresso pelo ator ao personagem.

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Mas foi o casal que andou ao lado dos heróis que concentrou os olhares do público que curte uma boa história de amor. Os personagens históricos Dom Pedro I (Caio Castro) e sua primeira esposa, Leopoldina (Letícia Colin) caíram nas graças da audiência, sobretudo em razão do trabalho da atriz, que deu humanidade à princesa. Assim, valeu a “licença poética” da trama, que aproveitou do recorte da época retratada para dar um final feliz ao casal, ao mesmo tempo em que conferiu ares de vilã à amante de Pedro, Domitila (Agatha Moreira).

Além do folhetim tradicional, os autores foram felizes ao usar a temática histórica para fazer um paralelo com o Brasil atual. Com muita sagacidade, Thereza Falcão e Alessandro Marson colocaram na boca de seus personagens diálogos de duplo sentido, que encaixavam perfeitamente no contexto atual do país. O resultado foi uma novela com diversas camadas, que não saía de seu objetivo principal, o entretenimento, mas que também era capaz de provocar o público e despertar a reflexão. O diálogo final de Pedro e Leopoldina, falando sobre os desafios do Brasil, disse muito sobre o país de hoje.

Além disso, Novo Mundo tinha uma galeria de personagens simpáticos, carismáticos e muitos divertidos, que sempre protagonizavam ótimas cenas e situações. Uma delas é a atriz Elvira Matamouros, sem dúvidas o melhor trabalho de Ingrid Guimarães na TV. A personagem começou como uma vilã, que fazia de tudo por amor a Joaquim, atrapalhando o romance dele com Anna. Quando cumpriu sua missão nesta trama, caminhava para a morte, mas o público tratou de “salvá-la”. A solução encontrada pelos autores, então, foi armar uma falsa morte para Elvira, fazendo sua trama andar, mas colocando-a como uma carta na manga, para ser sacada num momento oportuno. E, quando voltou, Elvira assumiu de vez sua porção cômica, em novas situações.

Elvira formou uma equipe e tanto com Germana (Vivianne Pasmanter) e Licurgo (Guilherme Piva), tipos impagáveis donos de uma pavorosa estalagem. Intrometidos, sem asseio e com muita cara-de-pau, o casal roubou todas as cenas com muito humor e até alguma crítica social. Elvira, Germana e Licurgo, juntos, foram os responsáveis pelos melhores momentos da trama.

Outro destaque foi o interessante triângulo amoroso formado por Wolfgang (Jonas Bloch), Diara (Sheron Menezzes) e Ferdinando (Ricardo Pereira). Os três personagens eram muito simpáticos, e ficou difícil tomar partido na situação. E o núcleo ganhou um tempero e tanto com a entrada da terrível Greta, mais um trabalho brilhante de Julia Lemmertz. Outro acerto foi a presença dos piratas que, embora pontual, teve trajetória sempre marcante. Fred Sem Alma (Leopoldo Pacheco) foi um vilão e tanto. Já Thomas foi o clássico vilão obcecado pela mocinha. Teve Gabriel Braga Nunes no piloto automático, mas não chegou a comprometer.

Por estas e outras, Novo Mundo fez por merecer o sucesso que alcançou. A faixa das seis da Globo, assim, volta ao trilho de acertos que vem seguindo há alguns anos, interrompida apenas pela derrapada de Sol Nascente.

Em março de 2020, a TV Globo escolheu Novo Mundo para ser reprisada na faixa das 18 horas, substituindo Éramos Seis. A decisão de trazer de volta a novela, no lugar da estreia de Nos Tempo do Imperador, foi motivada por conta do cancelamento das gravações em virtude da pandemia do Coronavírus.

Com os cancelamentos das gravações a emissora alterou toda a sua grade priorizando o jornalismo e mantendo novelas reprisadas no horário das inéditas, para garantir entretenimento ao telespectador.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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