Nos Tempos do Imperador precisa recuperar fôlego em nova fase

Trama de Alessandro Marson e Thereza Falcão teve um primeiro ato longo demais

Publicado em 23/09/2021 18:30
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Nesta semana, a novela Nos Tempos do Imperador deu um salto de alguns anos e iniciou uma nova fase. O enredo que mostra o Brasil Império de Dom Pedro II (Selton Mello) trouxe seus personagens para um novo contexto, inseriu novas figuras e promete novas emoções. Com isso, a promessa é que a trama de Thereza Falcão e Alessandro Marson recupere o fôlego.

Os primeiros capítulos de Nos Tempos do Imperador prometeram uma novela clássica, cheia de bons ingredientes. O protagonismo, dividido entre a história de Pedro e a trajetória de Pilar (Gabriela Medvedovski), repetia a boa fórmula de Novo Mundo (2017), uma novela cheia de atrativos.

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Entretanto, curiosamente, a primeira fase pareceu maior do que sua trama rendia verdadeiramente. A trama focou demais no ramerrame imperial, com toda a trama envolvendo Pedro, Luísa (Mariana Ximenes) e Teresa Cristina (Letícia Sabatella). Além disso, Pilar se revelou uma mocinha cansativa, com seu discurso repetido de que “quer ser a primeira médica do Brasil”.

É interessante ter uma mocinha determinada, mas o ímpeto do sonho da jovem passou como um trator, não dando a chance do público de embarcar neste objetivo junto com ela. Por mais que Pilar tinha intenções nobres, a maneira como ela levou tudo isso a tornou chata.

Enquanto isso, Tonico (Alexandre Nero), o melhor personagem da novela, começava uma trajetória marcada por golpes, arranjos e negociatas para a construção de sua carreira política. É uma baita história, muito calcada no paralelo traçado pelos autores entre o Brasil Império e o Brasil atual. No entanto, nem mesmo Tonico precisava de tanto tempo assim para chegar à Câmara dos Deputados.

Além do ritmo que pareceu devagar, Nos Tempos do Imperador ainda precisou lidar com problemáticas sérias, como insistir em tratar a escravidão por meio de olhos de “brancos benevolentes”, diminuindo a importância de lideranças negras que lutavam pela liberdade. É um problema crônico da dramaturgia nacional, muito calcado nos livros de História. Porém, trata-se de uma abordagem que não cabe mais nos dias de hoje.

Assim, a expetativa é a de que Nos Tempos do Imperador recupere o fôlego inicial neste reinício. A entrada de novos personagens deve trazer mais vigor à narrativa. Além disso, a trama deve ganhar mais atenção na edição (no texto fica mais difícil, já que ela está praticamente toda escrita e gravada), para que erros na abordagem sejam evitados.

Nos Tempos do Imperador não é uma novela ruim. Há bons personagens, uma história bem armada e personagens carismáticos, que garantem o interesse. Só é preciso uma mudança de ritmo para que ela entre nos trilhos.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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