Nos Tempos do Imperador é mais romance do que História do Brasil

Nova trama das 18h da Globo é puro entretenimento e não substitui aulas ou livros da disciplina

Publicado em 14/8/2021
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As novelas de época, em especial as da TV Globo, são um deslumbre para os olhos com a cidade cenográfica, cenários e figurinos, e também agradam nossos ouvidos com as falas e expressões que não se usam mais. Tudo isso ajudou a consolidar esse tipo de trama na faixa das 18h na emissora e está de volta com o novo folhetim do horário, Nos Tempos Do Imperador.

Passada a primeira semana de exibição, o que temos é uma trama com episódios e figuras históricas e ficcionais com todos os elementos para um bom entretenimento, cheio de personagens já bem delineados para absorver nossa atenção ao longo de mais de 150 capítulos.

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Mas a novela não substitui as aulas de História, nem deve servir para ajudar a responder às questões do Enem. Trata-se de uma visão romanceada sobre o período histórico que envolve a maior parte do segundo Império no Brasil. A novela começa em 1856, indo até 1870, com o Imperador Dom Pedro II já adulto e casado, pai de duas filhas, e que logo nos primeiros episódios conhece sua futura amante.

Selton Mello, como o Imperador Dom Pedro II; Letícia Sabatella, como a Imperatriz Thereza Cristina e Mariana Ximenes, como Luísa, a Condessa de Barral, formam o principal triângulo amoroso, que promete bons momentos ao longo da novela.

Muito bem encaixado no papel do filho de Dom Pedro I, Selton Mello vive o nobre que, desde os cinco anos de idade, viu-se sem pai ou mãe, criado por tutores e com a responsabilidade de estudar muito para assumir o seu reino ainda na adolescência. Ao incorporar o rei meio introspectivo, contido e extremamente culto, até por uma relativa semelhança física, o ator foi um nome acertado para o papel.

Letícia Sabatella, Selton Mello, Mariana Ximenes e Thierry Tremouroux em cena de Nos Tempos do Imperador. Foto: Paulo Belote/TV Globo

O mesmo se pode dizer sobre Letícia Sabatella, que assumiu o ar de austeridade digna – ainda que conste que a imperatriz nem de longe tinha a beleza da atriz. Mariana Ximenes está bem à vontade no seu papel, como a mulher empoderada e influenciada pelos costumes da França e que se tornou a grande paixão do imperador. A história da Condessa de Barral está contada num livro próprio, escrito pela historiadora Mary del Priori  Condessa de Barral: A paixão do imperador (editora Objetiva, 264 págs.).

Ambientada no Rio de Janeiro, com algumas cenas iniciais referenciadas na Bahia, o tema da escravidão é também bastante abordado, com um dos personagens principais, Jorge/Samuel (Michel Gomes), lutando tanto pela sua alforria quanto pelo seu amor proibido.  A mocinha, Pilar (Gabriela Medvedovski), aliás, é uma figura representativa de luta feminista bastante improvável para a época. Ela fugiu de um casamento arranjado pelo pai, Eudoro (José Dumont), e viu frustrado um sonho, contra todas as regras e costumes de então, de se dedicar à medicina.

Ambos os atores jovens formaram desde o primeiro episódio o casal romântico da trama, cujo amor terá sempre a oposição do vilão Tonico Rocha (Alexandre Nero), rejeitado por Pilar. Ele, aliás, já despontou nos primeiros capítulos como a melhor interpretação de personagem ficcional da trama.

Na primeira semana houve alusão à rebelião conhecida como revolta dos Malês, que aconteceu na Bahia. O mocinho Jorge/Samuel conseguiu migrar em fuga para o Rio de Janeiro, onde vai viver com o grupo de escravos libertos que formam a comunidade Pequena África, na região do cais do porto na capital do Brasil Império.

Escrita pela dupla de autores Alessandro Marson e Thereza Falcão – com colaboração de Julio Fischer, Duba Elia, Wendell Bendelack e Lalo Homrich –, Nos Tempos do Imperador tem direção artística de Vinícius Coimbra.

Guerra do Paraguai

Os autores já revelaram que a parte mais aguardada da produção, os capítulos referentes à Guerra do Paraguai, ficarão para a terceira parte da história, após o centésimo episódio, com o conflito propriamente dito reservado para a reta final da novela.

Nesta primeira semana de exibição, já houve uma dica do que pode vir por aí, com a aparição do general paraguaio Solano López.  Ali, houve uma improvável conversa com alguma animosidade entre o Imperador e o general, que adentrou terras brasileiras em passeio sem aviso prévio e muito anos antes de ser decretada a guerra. Curiosamente, o militar López é interpretado pelo ator Roberto Birindelli, nascido no Uruguai, país que se uniu ao Brasil mais Argentina na Tríplice Aliança, para enfrentar as tropas expansionistas comandadas por López na Guerra do Paraguai.

Como em todas as novelas da TV Globo, também os núcleos secundários de Nos Tempos do Imperador rendem bons momentos e cenas interessantes num Rio de Janeiro imperial.

Também no núcleo fora do principal, destaque para a dupla Germana (Vivianne Pasmanter) e Licurgo (Guilherme Piva), que se passam por malucos para se aproveitar dos vizinhos.

Outros personagens históricos ao longo dos episódios são o Barão de Mauá (Charles Fricks) e o escritor José de Alencar (Alcemar Vieira).

Como os primeiros episódios de Nos Tempos do Imperador tinham sido gravados no período pré-pandemia, ficam para os próximos capítulos verificarmos se os efeitos dos protocolos de segurança nas gravações podem ter causado alguma mudança no seu ritmo. De qualquer forma, vale olhar para esta trama, a primeira totalmente inédita da TV Globo após 18 meses, mais como novela e menos como História.

* As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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