Narrativa ágil de Paraíso Tropical ofusca mocinhos e valoriza vilões

Trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares apostou em situações episódicas

Publicado em 5/7/2021
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Nova atração do Viva, a novela Paraíso Tropical inaugurou, oficialmente, a parceria entre Gilberto Braga e Ricardo Linhares no horário das 21 horas da Globo. A trama de 2007 demorou um pouco para engrenar na época, mas embalou e fez sucesso com sua galeria de vilões.

14 anos depois, quando se fala em Paraíso Tropical, logo vem à mente o casal Bebel (Camila Pitanga) e Olavo (Wagner Moura). Já os mocinhos, Paula (Alessandra Negrini) e Daniel (Fábio Assunção) são pouco lembrados. Isso porque a trama adotou um formato que não era muito comum naquela época: a narrativa ágil e episódica.

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Paraíso Tropical tinha como espinha dorsal a rivalidade entre Daniel e Olavo dentro do Grupo Cavalcanti. Mas propunha situações que eram resolvidas com agilidade. A narrativa proposta por Gilberto Braga e Ricardo Linhares não tinha pudor em queimar cartuchos, trazendo pequenas tramas que iam se resolvendo rapidamente, mas inserindo outras em seguida. Assim, mantinha a novela sempre em alta voltagem.

Com isso, a trama acabou valorizando seus vilões. Personagens como Olavo, Bebel, Taís (Alessandra Negrini), Ivan (Bruno Gagliasso) e Marion Novaes (Vera Holz) espalhavam diversas armadilhas para conquistarem seus objetivos. Enquanto isso, os mocinhos Paula e Daniel serviam apenas para desarmar tais armadilhas. Acabaram ofuscados.

Boa pedida

Isso não quer dizer que Paraíso Tropical não seja uma boa pedida. A trama tem o DNA de Gilberto Braga, com excelentes diálogos, personagens sofisticados e boas críticas sociais. Além disso, resgata o conflito de gêmeas no folhetim, algo que sempre é irresistível.

A trama que envolve Antenor Cavalcanti (Tony Ramos), o poderoso manda-chuva do Grupo Cavalcanti, também chama a atenção. Se o romance dos mocinhos não é lá tão empolgante, o amor maduro de Antenor e Lúcia (Gloria Pires) funciona muito bem. Inicialmente um homem duro e frio, o empresário se transforma ao se apaixonar pela simples e boa-praça Lúcia.

A luta do casal para superar as diferenças do abismo social que os separa é toda muito bem construída, e Tony Ramos e Gloria Pires entregam a boa parceria que ficaram devendo em Belíssima (afinal, alguém torcia mesmo por Júlia e Nikos?). Por essas e outras, Paraíso Tropical vale uma revisita.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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