Na comparação com Sassaricando, Haja Coração acaba levando a pior

A trama de Daniel Ortiz tem um tom exagerado, diferente do clássico de 1987

Publicado há 19 dias
Por André Santana
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Haja Coração foi a novela escolhida pela direção da Globo para ganhar uma “edição especial”, enquanto Salve-se Quem Puder ainda não pode voltar ao ar. Foi uma escolha que chamou a atenção, já que o canal Viva já havia anunciado a estreia de Sassaricando, atualmente em exibição. Como se sabe, a novela de 2016 é uma versão assinada por Daniel Ortiz do clássico de Silvio de Abreu, de 1987.

A troca de nomes já sinalizava que as duas tramas seriam diferentes. E realmente foram. Ortiz foi esperto ao deslocar o eixo do protagonismo da novela: enquanto Sassaricando contava a história de Aparício Varela (Paulo Autran), Haja Coração é centrada em Tancinha (Mariana Ximenes). Isso permitiu alterações que deram uma identidade própria à novela de Ortiz.

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Tornando-se mocinha, Tancinha ficou menos cômica e mais romântica. Isso aliviou o peso da responsabilidade de Mariana Ximenes, que tinha em mãos o tipo que projetou Cláudia Raia. E a atriz foi feliz na composição, mantendo os maneirismos da personagem original, mas com um tom mais ingênuo e humano. Assim, ela fez uma nova Tancinha.

Já o núcleo de Varela se tornou coadjuvante, o que permitiu uma maior dose de non sense. Apesar da escalação duvidosa de Alexandre Borges para o papel, tendo em vista que ele acaba repetindo seu tipo cafajeste “a la Cadinho”, o núcleo teve surpresas positivas.

Grace Gianoukas como Teodora Abdala foi um grande acerto, assim como o trio formado por Rebeca (Malu Mader), Penélope (Carolina Ferraz) e Leonora (Ellen Rocche). As três mulheres de Aparício Varela funcionaram muito bem juntas, e formaram um time e tanto com a presença de Dinalda (Renata Augusto).

Haja Coração x Sassaricando

Beto (Marcos Frota), Tancinha (Claudia Raia) e Apolo (Alexandre Frota) em Sassaricando (Banco de dados/TV Globo)

No entanto, a reprise de Sassaricando no Viva permite uma comparação mais atenta. E Haja Coração sai perdendo na briga. E o problema não é a mudança narrativa, já que se trata de uma atualização natural. O que pega é o tom das duas tramas.

Sassaricando tem um tom sofisticado muito particular. O humor de Silvio de Abreu é mais refinado, conta com referências cinematográficas aos baldes, e é, para aquele tempo, algo muito moderno. A interpretação de Paulo Autran, meio irônica, traduz bem o clima do texto.

Haja Coração tem um humor mais infantil, que soa até meio bobinho. A novela carrega demais nas tintas e na histeria. A comicidade é mais explícita, como num Zorra Total, o que deixa a trama exagerada. Além disso, ela perde o tom moderno de Sassaricando, e ganha um ar de novela “velha”.

Mas o tom popularesco de Haja Coração foi bem-aceito na época de sua primeira exibição, e a novela foi um dos grandes sucessos do horário das sete da última década. Por isso, sua escolha para um repeteco foi até natural.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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