Mistura bizarra entre temática bíblica e ficção científica é um dos erros de Apocalipse

Batalha entre homens e robôs acontecem no "fim do mundo" da novela

Publicado há 15 dias
Por André Santana
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Na Bíblia, o Apocalipse é um livro que dá margem a muitas interpretações. Por isso, sua adaptação em formato de telenovela permite um exercício criativo muito interessante. E foi isso que a autora Vivian de Oliveira propôs na novela Apocalipse, da Record TV, ao criar um mundo de um futuro próximo e dar uma visão bastante particular dos eventos que culminam com o “juízo final”.

Os relatos bíblicos dão conta da vinda de um anticristo que governará o mundo. Em qualquer ficção apocalíptica, esta figura é sempre representada por um líder firme e carismático. Na novela Apocalipse não é diferente. O anticristo é Ricardo Montana (Sergio Marone), um poderoso empresário da tecnologia.

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Ao apostar num anticristo que domina a tecnologia, Apocalipse conseguiu construir um personagem crível na atualidade. Afinal, num momento em que a expansão tecnológica dita a vida de qualquer cidadão, dominar o mundo por meio dela parece algo minimamente coerente. Entretanto, Apocalipse escolheu a pior maneira de fazer esta abordagem: por meio de ficção científica.

Na trama, Ricardo Montana cria a “Cidade do Futuro”, uma espécie de comunidade urbana altamente tecnológica. Porém, ele também aposta na criação de um exército de robôs. E é por meio dele que o anticristo avança pela Terceira Guerra Mundial. Assim, o que não faltam são cenas de batalhas entre homens e máquinas típicas de O Exterminador do Futuro.

Fantasia

Claro, novela é ficção, é fantasia, e é preciso “saber voar”, como ensina Gloria Perez. Entretanto, ao buscar fazer uma abordagem de um livro bíblico tão complexo quanto o Apocalipse, os autores da novela poderiam ter optado por um viés um pouco menos drástico.

O fato de o anticristo ser um poderoso empresário da tecnologia poderia render tramas menos fantasiosas, o que contribuiria com uma melhor assimilação da mensagem que a novela pretendia passar. Ricardo poderia ter manipulado a humanidade por meio de computadores ou celulares. Mas robôs?

Ficção científica é interessante, e pode funcionar em novelas, se bem-feita. Mas como a ideia de Apocalipse é transmitir uma mensagem bíblica, a reprodução de batalhas entre homens e máquinas parece não funcionar muito bem. Esta mistura entre Bíblia e ficção científica fez com que nem o público das novelas bíblicas da emissora, e nem os fãs de fantasia, se interessassem pela novela.

Este não é o único problema de Apocalipse. A novela é muito ruim, seja pela trama confusa, pelo fato de atacar religiões, ou por ser uma grande propaganda da Igreja Universal. Mas a maneira como os autores conceberam esta guerra, com robôs correndo e atacando humanos, também ajuda a explicar o fiasco desta produção da Record TV.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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