Maravilhosamente inconsistente, O Outro Lado do Paraíso é uma ótima novela ruim

Publicado há 3 anos
Por Gabriel Vaquer
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Walcyr Carrasco é um autor catalizador de massa. É inegável sua capacidade de trazer o povo para ver suas novelas. Na Globo, teve apenas dois insucessos, por assim dizer: A Padroeira e Sete Pecados.

De resto, apenas êxitos e a maioria deles fenômenos. Suas duas últimas tramas, Verdades Secretas e Êta Mundo Bom, foram arrasa quarteirões em seus horários. Ao que consta, e se manter o Ibope atual, O Outro Lado do Paraíso vai virar outro – e fenômeno ela já é.

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Veja mais: O Outro Lado do Paraíso: Tomaz aconselha Gael a tentar reconquistar Clara, mas playboy fracassa

Mas não é porque é fenômeno, porque tem audiência e consegue mobilizar o público, que não se tem defeitos. Pelo contrário. O Outro Lado do Paraíso tem defeitos característicos do universo Walcyriano.

O primeiro deles, e está impressionantemente evidente nesta trama, é o texto absolutamente carregado e sem sutilezas. É tiro, porrada e bomba o tempo todo, carregando no que de mais forte pode ser dito naquelas situações.

Nádia (Eliane Giardini) em O Outro Lado do Paraíso

Isso ocorre principalmente com duas personagens, para mim, o retrato perfeito da novela: Sophia (Marieta Severo) e Nádia (Eliane Giardini). A segunda, principalmente, fala as maiores barbaridades, mas não tem um motivo exato. É raso e apenas raso.

Outro grande problema, já conhecido, é o humor de Walcyr Carrasco. O núcleo do doutor Samuel (Eriberto Leão) é um dos mais toscos dos últimos tempos. Vindo depois de uma novela como A Força do Querer, que prestou um grande serviço, vira até um ultraje.

É um humor baixo algumas vezes, que descamba para o preconceito contra os gays – e pelo que vai vir por aí, vai desbancar ainda mais. Existe uma diferença entre rir e ofender. Tem horas que O Outro Lado do Paraíso ofende, mesmo que sem intenção.

Suzy (Ellen Rocche), Samuel (Eriberto Leão) e Cido (Rafael Zulu) em O Outro Lado do Paraíso (Divulgação/Globo)

Mas mesmo com tantos defeitos, ela tem qualidades que atraem até o telespectador mais exigente. O primeiro deles é a direção primorosa de Mauro Mendonça Filho. Esteticamente bonita e muito criativa, Mauro salva e até faz o texto por vezes raso de Walcyr virar um primor.

O segundo é a atuação segura de seus protagonistas, tanto os mais novos, como – e principalmente – os veteranos. Bianca Bin está em estado de graça, na melhor fase de sua carreira e crescendo nas cenas chaves da protagonista Clara.

Já os veteranos estão dando um show. É um deleite ver Marieta Severo, Lima Duarte, Laura Cardoso e Fernanda Montenegro, monstros sagrados, com papéis relevantes e que são ricos.

O terceiro ponto é a trama principal. Mesmo que esteja longe de ser original, o embate de Clara contra Sophia é delicioso de se ver. Carismáticas, a vilã e a mocinha são realmente as verdadeiras atrações do horário nobre.

Clara (Bianca Bin) de O Outro Lado do Paraíso (Divulgação/ TV Globo)

O Outro Lado do Paraíso está longe de ser uma novela ruim, mas também está longe de ser um primor. Pra curtir ela, precisa fechar o olho pra muita coisa – nem entrei no mérito da tal redenção de Gael (Sérgio Guizé) porque quero crer que não irá acontecer…

Mas O Outro Lado do Paraíso é fascinante. Mesmo com muitos defeitos, ela tem uma magia carismática ao seu redor. É uma ótima novela ruim e viciante. É como aquela música chiclete do Carnaval: tem elementos fracos, mas a letra gruda na cabeça e não quer sair nunca mais. O Outro Lado é assim: tem texto fraco e até ofensivo, mas tem carisma e ótima direção.

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