Malhação Sonhos teve o mérito de reinventar triângulo amoroso clássico

Trama dá menos ênfase à batida fórmula "casal e vilãzinha"

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Depois da bem-vinda reapresentação de Viva a Diferença, Malhação Sonhos também ganhou a oportunidade de um repeteco. A trama de Paulo Halm e Rosane Svartman, apesar de muito querida pelo público da faixa, não é exatamente um grande sucesso, embora tenha conseguido fugir da fórmula clássica que tanto desgastava a trama teen.

Quando foi ao ar, em 2014, Malhação Sonhos foi numa direção diferente do que a novela costumava apresentar até ali. Uma destas diferenças foi o cenário: saiu a tradicional escola, e entrou uma escola de artes “vizinha” de uma academia de luta. A Ribalta e a Academia do Gael revelaram-se cenários eficientes para propor novas situações.

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Mas foi na estrutura básica do texto que Malhação Sonhos acabou encontrando um diferencial. Enquanto as temporadas anteriores não conseguiam fugir do esquema “casal apaixonado é atrapalhado por uma vilãzinha que também gosta do mocinho”, Sonhos focou um triângulo entre duas irmãs. Bianca (Bruna Hamú) e Karina (Isabella Santoni) gostavam do mesmo Duca (Arthur Aguiar).

Ou seja, inicialmente, Malhação Sonhos apostou num conflito familiar sem “culpados”. O fato de Bianca e Karina gostarem do mesmo rapaz não as colocava como inimigas, mas como duas irmãs lidando com uma questão delicada. Com isso, o texto de Paulo Halm e Rosane Svartman conseguiu fugir do maniqueísmo rasteiro que sempre caracterizou Malhação.

Mesmo assim, a dupla de autores acabou por mirar no que viu e acertar no que não viu. Afinal, a trama só decola mesmo quando Karina desiste de Duca e passa a formar um casal “cão e gato” com Pedro (Rafael Vitti). Deste modo, o enredo mais uma vez fugiu do triângulo clássico, preferindo apostar numa versão adolescente de A Megera Domada, o que funcionou bem. Ao ponto de ofuscar Bianca e Duca, que perdem importância no decorrer da obra.

Projetando novelistas

Além disso, outro grande mérito de Malhação Sonhos foi projetar a dupla Rosane Svartman e Paulo Halm, que, a partir dali, se instalaria no horário das 19 horas com duas boas histórias. Pode-se dizer que não haveria Totalmente Demais (2016) e Bom Sucesso (2019), se não houvesse Malhação Sonhos.

Isso porque Sonhos já mostrava a grande capacidade da dupla de autores de incluir alguma sofisticação em seu texto, mas sem perder o apelo popular. Ao ter uma escola de artes como centro da ação, Malhação Sonhos introduziu elementos de teatro, dança e música a um público amplo. E o fez com muita delicadeza, sem parecer panfletagem.

Trata-se de uma característica que seguiu nas novelas posteriores da dupla. Totalmente Demais reverenciava o cinema, por meio de falas e situações que remetiam à sétima arte. Já Bom Sucesso era toda focada na literatura, na qual os personagens vivenciavam grandes obras literárias.

Malhação Sonhos está longe de ser um clássico. Mas é um produto que serviu como alicerce para outras produções da dramaturgia que, posteriormente, se tornariam novos clássicos.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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