Malhação: Pro Dia Nascer Feliz começou bem, mas termina sem deixar saudades

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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Emanuel Jacobina é um autor que tem muita história em Malhação. Ele esteve na equipe criadora do programa, no já longínquo ano de 1995. Foi ele também que promoveu uma das maiores mudanças da atração, quando ela perdeu o formato de seriado diário para assumir características de novela, em 1999, quando a academia Malhação saiu de cena, sendo substituída pelo colégio Múltipla Escolha. Duas temporadas de Malhação Múltipla Escolha depois, Jacobina deixou o texto da novelinha para retornar apenas em 2010, quando assinou a temporada Cidade Partida.

Eis que o autor retornou à Malhação com Seu Lugar no Mundo, em 2015. A trama, centrada no contraste entre estudantes de dois colégios, um público e um particular, não encantou. Protagonistas fracos, abordagens equivocadas sobre temas polêmicos, como a Aids, e muitas situações que pareciam não fazer mais sentido nos dias de hoje foram ao ar. No entanto, a Globo acabou solicitando que o autor emendasse uma nova leva de episódios, surgindo assim Pro Dia Nascer Feliz, uma espécie de “continuação-não-continuação” da temporada anterior, mantendo alguns poucos personagens e cenários da outra trama.

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Mas, na prática mesmo, Malhação: Pro Dia Nascer Feliz era uma nova história. E que começou muito promissora, com uma espinha dorsal bem interessante. Joana (Aline Dias), uma mocinha humilde e, pela primeira vez na história do programa, negra, ia do Nordeste ao Rio de Janeiro em busca do pai. Na nova cidade, ela se hospeda na casa de Tânia (Deborah Secco), uma amiga de sua mãe e as duas vão trabalhar numa academia de ginástica, a Forma. Eis que, logo, Tânia engata um romance com Ricardo (Marcos Pasquim), que vem a ser o dono da academia e, também, o pai de Joana. Ele tem uma outra filha, a esnobe Bárbara (Barbara França), que rivaliza com a mocinha. Ou seja, a nova temporada veio com a promessa de ser, antes de tudo, um bom folhetim, com um bom equilíbrio de tramas jovens e adultas.

No entanto, o desenrolar de Pro Dia Nascer Feliz deixou muito a desejar. Sobretudo na reta final, a trama cambaleou para uma série de clichês batidos e sem muito sentido. O pior de todos foi a transformação da personalidade de Caio (Thiago Fragoso). Inicialmente o terceiro vértice de um triângulo envolvendo Ricardo e Tânia, o personagem, que começou apenas rancoroso, se tornou um sociopata assassino. Ficou muito, muito forçado! Isso sem falar nos diálogos preconceituosos que se tornaram notícia na imprensa especializada, como o namorado incentivar a namorada a engordar para que “ninguém mais a desejasse”, ou quando Sula (Malu Falangola), quando chegou do Ceará ao Rio de Janeiro, disse que ali tinha tanta gente bonita que ela estava com saudades de “ver gente feia”. Se era para ser engraçado, não funcionou.

Malhação: Pro Dia Nascer Feliz não encantou. Mais sorte para Cao Hamburger e sua nova Malhação: Viva a Diferença.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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