Lia acerta ao abordar a Bíblia do ponto de vista feminino

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Lia, minissérie que a Record lançou ontem (26) em substituição à novela Apocalipse, devolveu ao público da emissora uma atmosfera mais conhecida. Saem os cenários modernosos e as batalhas de robôs da trama sobre o fim do mundo, volta a paisagem desértica característica das histórias do Velho Testamento. No entanto, a trama assinada por Paula Richard tem como diferencial o ponto de vista feminino diante da história bíblica.

Lia conta a saga de uma das mulheres de Jacó (Felipe Cardoso). A personagem-título (Bruna Pazinato) cresce diante da rudeza do pai Labão (Théo Becker) e tendo de criar a irmã mais nova, Raquel (Graziella Schmitt). Então, Lia se apaixona por Jacó, que, por sua vez, se interessa por Raquel. Labão, então, engana Jacó, prometendo lhe entregar Raquel, mas entrega Lia.

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Na minissérie, Lia surge já mais velha, contando à filha sua história. Deste modo, toda a saga contada parte do ponto de vista da própria, trazendo um olhar feminino raro na dramaturgia bíblica da Record. Basta comparar com as novelas anteriores, todas contando histórias protagonizadas por homens. Na Bíblia, são poucas as mulheres que surgem como protagonistas de suas histórias. E o texto de Paula Richard tem essa intenção de jogar luz sobre uma personagem que era “apenas” uma das mulheres do pai do rei do Egito.

Sendo assim, o enfoque em Lia permite com que assuntos da atualidade surjam, mesmo numa história do Velho Testamento. A minissérie, então, trata da posição da mulher naquele período histórico, traçando um paralelo com a contemporaneidade. Com isso, apesar de voltar a apostar na paisagem e no figurino característicos das tramas bíblicas anteriores a Apocalipse, Lia tem como diferencial e trunfo o texto moderno. Sem dúvidas, uma boa novidade no gênero. Além disso, a trama bebe da fonte clássica do “patinho feio”, apostando na transformação da protagonista. Um tema folhetinesco que costuma ser irresistível.

Lia: produção caprichada e bom elenco

A nova minissérie da Record chama a atenção pela boa produção. Mesmo sendo produzida quase às pressas para substituir Apocalipse, Lia conta com uma direção firme de Juan Pablo Pires, cenários convincentes e boas atuações. O destaque é a protagonista, vivida pela novata Bruna Pazinato. A atriz convence tanto na fase jovem quanto na fase madura da personagem.

Chama a atenção, também, a nomenclatura que a Record adotou para anunciar a produção. Lia não tem sido chamada de “minissérie” pelo canal, e sim de “série especial”. Seria uma resposta ao nome “supersérie” criado pela Globo?

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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