Legado Italiano brinda com vinho da Serra Gaúcha na Netflix

Documentário aborda apenas a imigração italiana no Rio Grande do Sul e sua influência nas vinícolas e turismo

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Entrou recentemente no catálogo da Netflix o filme Legado Italiano, apresentado pela plataforma desta maneira: “Documentário que examina o rico legado cultural econômico e social do fluxo migratório de italianos para o Brasil no final do século 19”.

Mas não é bem assim. A produção tem como foco apenas a colonização italiana de uma região específica do Rio Grande do Sul, centralizando-se na sua importância para o cultivo de uvas e para a criação da indústria local de vinhos, com o consequente desenvolvimento do turismo local. Não por acaso, os patrocinadores e apoiadores culturais da produção são do ramo dos vinhos e do turismo.

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Feita esta ressalva, e a quem possam interessar assuntos tão agradáveis como vinho e turismo na Serra Gaúcha, trata-se de um documentário bonito, com imagens em detalhe e panorâmicas tanto do Brasil quanto das cidades italianas de onde vieram muitas das famílias de imigrantes para o Sul.

Legado Italiano tem quase uma centena de depoimentos pessoais. A imagem inicial, uma tomada aérea do mar – os imigrantes chegaram da Europa por navio -, tem sobreposição de uma plantação de uvas sobre o mapa do Rio Grande do Sul, sendo uma bela porta de entrada.

Ao longo de 1h24min, vários descendentes de imigrantes contam suas histórias, mostram seus locais de crescimento e trabalho. Também, personalidades da Itália falam um pouco das repercussões deste êxodo da população.

Afinal, não deixa de ser uma mancha na história daquele país, que praticamente expulsou seus cidadãos que partiam em fuga da miséria e da falta de trabalho. Quem tem ascendência italiana provavelmente já ouviu um pouco disso de algum familiar.

As imagens do filme têm rara beleza. As locações no Sul do Brasil são em Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Nova Pádua, Pinto Bandeira, entre outras. Na Itália, há filmagens nas regiões do Trento e do Vêneto, e também de Gênova e seu porto, de onde saíram tantos navios em direção à América.

Quem assistiu à novela Terra Nostra (1999/2000), de Benedito Ruy Barbosa, na TV Globo (e atualmente no streaming do Globoplay), teve a oportunidade de aprender um tanto sobre a maior parcela, que correspondeu à imigração italiana com destino às fazendas de café do interior do Estado de São Paulo.

A imigração do final do século 19 até quase meados do século 20 foi responsável pela chegada de 1,5 milhão de italianos ao País. De acordo com a Embaixada Italiana no Brasil, hoje são 32 milhões de descendentes de italianos no País – quase a metade da população da própria Itália. Eles povoaram principalmente a região Sudeste (concentração em São Paulo) e Sul, mas também houve migração para outros estados do Centro-Oeste e do Nordeste.

Vista da região de Trentino, na Itália. Foto: Reprodução/Netflix

A contribuição na agricultura, indústria, esportes, artes, arquitetura, intelectualidade, política e culinária são inequívocas em todas essas regiões e obviamente não se esgotam nem numa novela, nem em um único documentário.

Legado Italiano foi planejado para estreia em cinema. Com direção de Marcia Monteiro, é uma produção da Camisa Listrada, em coprodução com a Globo Filmes, Globo News e Celeiro Produções. A produção tem aporte de leis de incentivo e, segundo registros na Ancine (Agencia Nacional do Cinema) recebeu valores de R$ 30 mil (em 2016), R$ 67 mil (em 2017) e R$ 9,4 mil (2018) para viabilizar sua ida às salas de exibição.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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